3.17.2011

O mais perfeito baile de carnaval (Brás Cubas)

O maior e mais animado baile de carnaval de que se tem notícia começou há tanto tempo que nem os freqüentadores mais antigos se lembram quando e como chegaram aqui. A julgar pela animação, parece que não vai acabar tão cedo.

O mais antigo baile de carnaval de que se tem notícia é tão democrático que admite desde realeza até mendigo, com fantasia ou nu, nada é proibido. Aqui vale a máxima de que é proibido proibir, mas nem seria necessário, pois ninguém julga ninguém.

O mais redentor baile de carnaval de que se tem notícia é um baile sem máscaras, em que cada um pode ser o que é, o que foi ou o que deseja ser. Dizem, porque nunca se pode ter mesmo muita certeza e honestamente, este champanhe está me deixando um pouco tonto.

Nesse momento, por exemplo, avisto Napoleão Bonaparte. Acabou de levantar o rosto de uma poça de vômito, onde ainda jaz seu sinuoso chapéu imperial, e recolher um globo ocular que lhe escapara. Ébrio e um tanto louco, gargalha, encaixa a bolota de volta no buraco negro acima da maçã direita do rosto e pôe-se a admirar a linda panturrilha que se oferecia faceira, logo ao lado.

Acima da panturrilha, uma coxa e sobre a coxa, uma bacia coberta por uma saiota de baiana, uma cinturinha morena e macia, um par de seios perfeitos sob um tecido de babados branco, um colo, colares brincalhões, um pescoço lindo e moreno... e só. Não se via a cabeça da baianinha.

Esses europeus sempre se renderam ao gingado da mulata. E a dança que se seguiu estava tão engraçada e bonita de se acompanhar que mal se notava o horror de ver o imperador baixote tentando acompanhar o rebolado perfeito da morena sem cabeça.

Ao lado deles, doze ninfetas de pele pálida e lábios lilases vestidas como borboletas riem e jogam beijos para um grupo de seis belos gregos. Pobres coitadas, seduzidas pelo jogo de esconde-esconde das túnicas esvoaçantes, mal notam que tudo o que os deuses gregos fazem é olharem-se, beijarem-se e acariciarem-se.

Subitamente, Cleópatra me tira para dançar. Pego de surpresa, eu giro e caio nos braços de uma loura selvagem, que me sorri e propõe:

- Take it! Take another little piece of my heart now, baby!

Eu sorrio e me recomponho. Que eu me lembre, ninguém solicitou que eu relatasse alguns momentos do mais picante baile de carnaval de que se tem notícia, mas me sinto em tal obrigação já que o compadre Nelson Rodrigues e os outros jornalistas de plantão parecem ter aceitado a proposta do demônio de chifrinhos pisca-pisca e nesse momento, bebem um Dry Martini enquanto negociam um aumento de salário.

Mas nem tudo é agitação e paganismo no mais movimentado baile de carnaval de que se tem notícia. Duzentos e sessenta e três papas revezam-se numa missa voltada para os que se arrependem dos excessos, coros entoam cânticos religiosos e dizem até que Sidarta Gautama levita sob uma árvore desde o início da festa, mas como já mencionei, tempo aqui é uma questão muito relativa.

E por falar em relatividade, aprendi que devo evitar os físicos e demais cientistas. Não conseguem tomar parte na festa, e por algum motivo inexplicável, ficam tão eufóricos que não param de trabalhar, pesquisar, e nunca falam coisa com coisa. Alguns dizem ter descoberto o sentido da vida. Particularmente, acho-os todos uns chatos.

A atmosfera varia de leve como as plumas que voam do vestido da melindrosa a pesada como a expressão esgotada dos soldados das grandes guerras. De tempos em tempos as canções de carnaval esgotam e a banda arrisca uma marcha fúnebre. Nesse momento, os risos e as brincadeiras são substituídos por expressões estranhas, como se uma mesma consciência macabra houvesse passado na cabeça de todos os convivas. Mas logo a banda toca um hino nacional de algum país asiático quase desconhecido e meia dúzia de nacionalistas animados puxam um coro seguido por milhares de “lá-rá lá-rás”, e assim as preocupações se vão dissipando.

Nessa festa vive-se exclusivamente do presente. Todos riem, conversam e dançam como se não houvesse amanhã. Na realidade, não se sabe mesmo ao certo se vai haver amanhã, assim como ninguém se lembra exatamente do que aconteceu antes de vir parar aqui.

O mais perfeito baile de carnaval de que se tem notícia é como a vida deveria sempre ser: ninguém sabe bem de onde veio e nem para onde vai, sabe-se apenas que a música está boa e que não vale a pena ir embora, ainda.


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3.16.2011

Do s(S)oneto

O lance da Alice é a gente acordar dentro da gente. Loana. Decidi que esse ano vai ser diferente de todos os outros. Por isso entendo e respeito tudo o que você disse.

(Rá).


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3.15.2011

Nota zero

Essa noite sonhei que fazia uma prova de geografia - sempre foi das minhas piores matérias, ou ao menos das que menos gostava - e 5 minutos antes da hora eu me dava conta que havia lido muito mal e que não ia conseguir reponder nada. Sabia que havia algum assunto que relacionava 44,44% de alguma coisa e 52,08% de alguma outra coisa, mas não sabia bem o quê, e ficava tentando procurar no livro naquela última choradinha de estudo que se faz na carteira antes da distribuição da maldita.

Quando lia a prova, via que das 5 perguntas, só saberia responder - e mal, a 1 questão e meia. O resto era zero redondo.

Nada de incrível nesse sonho, mas faz tempo que não tenho assim sonhos angustiados com escola e achei que devia registrar.

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3.14.2011

Esse meu humor

Se você me deixasse saber que a sua vida mudou só um pouquinho depois que você me conheceu... Mas você não deixa.

Fazer o quê?


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3.07.2011

Sobre perder-se

Dizem que há aquelas experiências de sair do próprio corpo à noite e nelas o indivíduo se vê dormindo.

Pois bem, não me sinto no meu próprio corpo e não me vejo em parte alguma. Será que me perdi no meio do caminho?


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2.15.2011

E aqui eu copio e colo mesmo.

"You see things; and you say, 'Why?' But I dream things that never were; and I say, "Why not?" (George Bernard Shaw, "Back to Methuselah" (1921), part 1, act 1)


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2.08.2011

E o amor?

O amor tudo fode.

True, true.


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1.25.2011

Sobre demolições, morte e vida

Voltei aos escombros do Hospital mesmo estando exausta, e suada, e com aquela camada de pó me cobrindo os pés e as pernas e com o suor me engordurando as faces e o calor consumindo minha sanidade. Voltei porque achava que a as coisas, muito mais do que as pessoas, mereciam minha consideração. Porque as coisas me ajudavam a saber quem sou e ali, em meio àquele monte de pedras e concretos armados, e concretos, e armações, e cerâmicas amareladas e pastilhas foscas brancas eu me acessava melhor do que nunca.

O calor estava desumano, africano, algo que só quem frequentou o Fundão pode saber. Sentar na grama daquele lugar é de uma entrega que só o desapego pode explicar. Tive vontade de gritar: eu fui aprovada no vestibular 99, fui a centésima e poucas colocada, sou um pouco dona disso aqui.

E os alarmes que tocavam de 5 em 5 minutos davam um ar de terceira chamada da escola, "uma hora isso acaba". E a hora chegando e eu ali pensando que acordar às 4 da manhã num domingo, tendo se privado de uma noite no Rio de Janeiro, tudo isso dava um ar engrandecedor ao evento. E a escolha do melhor ângulo com a desculpa de estar ajudando o cameraman a fazer seu filme impecável, tudo isso disfarçava o nervosismo de ver algo que significava bastante para você ruir.

Iam demolir a perna seca do Hospital Universitário do Fundão e eu ia assistir pela primeira vez uma vontade gigantesta ser destruída. Inevitável lembrar que "a arquitetura moderna morreu em St. Louis, Missouri, em 15 de julho de 1972, às 15h32min (aproximadamente), quando o infame conjunto habitacional Pruitt-Igoe, ou melhor, grande parte dos seus blocos, levou, por dinamite, o golpe de misericórdia".

6:54 olhei para o relógio. Faltava um minuto para o último alarme.

O último alarme durou uma eternidade. Durou 2 horas. Durou 1 dia inteiro, anos. O coração batia. O cameraman me olhou arregalado e pegou minha mão. Naquele momento não era mais um profissional, era outro ser humano espantado diante da grandiosidade da vida e da morte. Naquele momento o mundo esteve em suspenso. E depois as explosões. Não sabia se tampava os ouvidos ou se me regozijava a cada rompante ensurdecedor, se guardava meus tímpanos para a velhice que caminha a passos largos e impiedosos ou se entregava minha audição de vez àquele arroubo de vida, e de morte que me invadia.

Então uma alteração na geometria do edifício começou a desenhar aquilo que só vi antes pela televisão e que parecia anunciar o fim do mundo: um volume de no mínimo 5 mil metros cúbicos vir ao chão para se tornar não mais do que a areia da praia, assumir sua condição horizontal. Cada centrímetro cúbico daquele edifício veio ao chão como se ao chão pertencesse.

Depois a fumaça sólida, no formato das fofas nuvens brancas que vemos naqueles céus bem azuis, mas que crescia e que ameaçava nos engolir, sufocar, contaminar, matar, mas que não foi mais longe do que o primeiro plano de árvores e serviu apenas para forrar o chão de pó e desenhar as pegadas dos que passaram ali pela primeira vez, e para tingir as copas das árvores de um prateado cor de tédio.

O susto passou, assim como o barulho e o deslumbre. Logo depois a multidão caminhou para o sopé dos escombros. Pareciam exércitos de zumbis em transe, saudando o deus da destruição, alguns profanando o santuário - saqueando relíquias, levando paredes, vigas, pisos, pedras, cerâmicas - como se estivessem guardando pedaços valiosos do Império Romano.

Assim a festa acabou. Os curiosos partiam saciados e, acima da poeira, pôde ir se revelando um domingo. Nós partimos também. Descarregamos o cartão da câmera e voltamos para filmar os escombros. Éramos nós, muito concreto e os urubus. O ar estava parado, havia restos de cartas e prontuários médicos pelo chão e no alto das árvores. O vendedor de bebidas carregava seu isopor para longe dali. Foi como olhar um cadáver, inerte. Inalávamos poeira e morte num domingo ensolarado.

Foi por isso que quando saí dali, mesmo exausta, fui para a casa de uma amiga na Tijuca. Vesti o biquine e desci para a piscina do prédio, onde crianças competiam pelo salto que mais água espirrasse. Riam e gritavam estridentemente. E assim, a despeito de tanta morte, pude alimentar novamente meus sentidos de vida.


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1.12.2011

portunhol

Hormigón armado, ele diz.
Ela olha e vê um prédio, como qualquer outro.
Ele beija sua nuca branca e diz que "ama las brasilerias".
Ela sorri sem graça e murmura: concreto armado.


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12.23.2010

Primavera, verão, outono, inverno... e primavera

Eu sou uma pessoa má, eu menti para mim. Disse que era forte e que aguentava, mas não aguento.

E agora, o que posso fazer? Nada, como sempre.

Tudo o de sempre.


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12.15.2010

De como fazer nevar

I tried the magic boiling water trick late last night: boil a kettle, pour the water into a cup, walk outside at minus 20F and throw the boiling water into the air, where it turns instantly to powdery snowy dust. I did it. It worked.

(Do blog do Neil Gaiman, http://journal.neilgaiman.com/2010/12/cats-in-sauna-and-boiling-water-tricks.html)


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12.09.2010

Hot Haikai

Suor, saliva
Quarenta graus à sombra
Verão no Rio


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12.01.2010

Sobre o momento

Prepotência dizer que vivo atualmente um bloqueio criativo? Fico aqui tentando olhar para dentro e entender o porquê dessa sensação desagradável. Li em Schopenhauer que quem lê a cada segundo livre não pensa. E não cria. Será que estou ocupando demais meu tempo apenas para alimentar o espírito?

Ou porque que ande um misto de trabalhador oprimido, acadêmico replicador sem idéias próprias, fazedor de coisas sacais a serem feitas? Preocupada demais com a contingência.

Será o calor, os ruídos, o excesso de vontades que cercam um corpo tão frágil?

Ou porque os braços que lixam, cortam, limpam, pintam e as pernas que ajudam a buscar todo o necessário para a função estejam por demais cansados do trabalho repetitivo da academia?

Talvez porque haja sobre a minha mesa uma folha de papel; pincéis e tintas; lápis e canetas; tesoura e cola, mas não haja preferência sobre pintar, escrever ou montar. Excesso de energia, ausência de decisão.

Mas certo que falta no coração a falta criadora. Mas nem sequer há ali a presença que inspiradora. Há sim, a expectativa pela expectativa. Essa não parece gerar nada de novo.

Procrastino: o olhar vai de dentro para o céu. Há partículas em suspensão

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11.26.2010

Prosa germânica marginal... ou mais uma do poeta mobral

Ando sem saber o que escrever. Por outro lado, recebi isso aqui. Achei bom, publico com a devida autorização.

A colega

(Adriano C.)

Já havia reparado como era linda. Ela tinha uma figura longilínea e elegante. Hoje, salto alto vermelho, calças pretas vigorosamente preenchidas pelas bem torneadas pernas e uma camiseta larga, desleixadamente fashion, que deixava (propositalmente? e por instantes) o desenho do ombro à mostra. Pele clara, porém bronzeada. Paulistana bem nascida, lógico. Sol de Ubatuba aos fins de semana? Provavelmente. Olhos rasgados e tristes, cabelos longos. Muito longos. Pontas repicadas. Penteado despenteado. Gata. Gata daquele tipo que o pobre coitado move montanhas por um mero sorriso. Que, se ela der, será de canto de boca. Otário. Mas tudo bem, já seria o suficiente para admirar a brancura perfeita de seus dentes. Assustadoramente distante. Acima. Não rola, pensei. Com que cara lhe dirigir a palavra? Lhe dar um “oi, tudo bem?” Não. Impossível. O que lhe sobra de beleza também lhe deve vazar pelos poros um egocentrismo avassalador. Ela deve pisar sem dó no verme admirador. Não dá a mínima para os rastejantes seres que por ela matariam a própria mãe por um sim. Tá, exagerei, mas é por aí. Como diz meu amigo João, essa não tem nome. Vaca.

Mito criado em 1 semestre do curso de Estética II na Filosofia da USP. Introdução ao pensamento de Herder. Introdução à ideia de beleza. Mito confirmado nos 15 segundos em que ela foi de sua cadeira à mesa central, para apresentar o último seminário do texto “Shakespeare”. Três no grupo, ela, claro, senta-se ao meio, imponente. Mais alta até. Sinto o perfume no ar.

Começa a apresentação. Desmistificadora.

Ela está nervosa. Insegura. Gaguejou? Sim! Nossa, estranho... Os olhares da classe a tiraram do salto. Que salto? Ela está de sandálias. Mãos trêmulas, unhas roídas. Os longos cabelos atrapalham, caem sobre o texto, mal escrito. Ela lê rápido, confusa. Herder sumiu em seu embaraço. Todos agora se incomodam com sua figura cambaleante. Ri nervosa. Quer fugir, odeia ser o centro das atenções. Burro. Igualzinho a você.

Fim da apresentação. Ela evita as questões. Os parceiros de grupo garantem. Ela precisa sair dali. E sai...

Não!

Antes vai responder à minha pergunta. Respiração ofegante. Suor frio. Coração acelerado. Juro que posso vê-lo batendo sob a camiseta. Foda-se. Tomo coragem.

Espera!

Oi, tudo bem?

Tudo.

Sorriso. Alívio.

E dentes amarelados.

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11.17.2010

Melhores momentos de uma curiosa conversa

- Você vai no Planeta Terra?
- Eu estou nele. Acho.

- Aquele tipo de lésbica...
- Sapatão mesmo, fancha, caminhoneira?
- É, que usa calça cargo cheia de bolsos e colete.
- Cabelo curto, corpo troncudo e buço?
- Porra, isso tá ficando bizarro.
- Tá com medinho?
- Porra logico. Uma dessas vc so mata com bala de prata, sei la.


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11.14.2010

Domingo

Abro um livro sem muita concentração e sinto fome. Está frio na rua em pleno verão carioca e os acordes do carro de som provocam repulsa. Recebo um correio eletrônico de um antigo amor e ouço acordes e frases em italiano com batida moderna. Esse dia é sempre tédio e fogo. Penso em quem está longe. Penso em quem está perto. Fecho o livro, visto uma roupa. Vou primeiro almoçar para depois me jogar no domingo.


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11.10.2010

Ao cantarolar

Músicas são uma forma cliché de mencionar estados de espírito, mas que forma melhor de dizer que "they'll take your soul if you let them, so don't you let them"?

Nada do que se possa sentir é novidade, é tudo uma grande repetição.

Então eu faço o que eu posso.


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11.03.2010

Das primeiras vezes

Parei no meio da rua e olhei para o céu de Copacabana.

Vi o alto dos prédios de uma maneira que não vejo nunca. Vi que alguns moradores reformam suas coberturas, lindas peças em edifícios feios. Vi algumas toalhas secando ao vento e pensei que ali no alto mal se vêem as feiúras. Senti o vento passar por aquele corredor de concreto que as fachadas encerram e que nunca percebo quando estou em meu curso normal. Vi os urubus dando volta em círculos e lembrei que, ainda que sejam urubus, existe vida além da nossa.

Num determinado momento pensei na ironia que seria se, de tanto olhar pra cima, tropeçasse ou perdesse um olhar que valesse a pena. Hesitei, mas naquele breve momento nada me privaria do prazer de sentir meus pés traçarem as mesmas retas de sempre, mas os olhos descobrirem uma geografia inteiramente nova.


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11.01.2010

Sobre a angústia

Angústia é prestar atenção à voz da consciência e perceber que ela está em silêncio.


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10.31.2010

Sonzinho bom

Vou
ficar mais um pouquinho
para ver se alguma coisa acontece
nessa tarde de domingo.


(TR)

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10.25.2010

Nua em público

Entro no vagão do metrô, sento e abro meu livro. O passageiro ao meu lado pousa furtivamente o olhar em minhas páginas. Me sinto nua.


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10.23.2010

Sol, sal e caipicacau.

Ao som de manga é doce, biribiri, limão não.


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10.19.2010

Sobre mulheres e minúcias

Não dá outra: muita mulher junta e sempre rola a frasezinha demarcadora de territórios. "ele tá / tava me dando mole". Pronto, assim a mulher marcou pra sempre o cara, fez uma tatuagem com seu nominho na virilha dele e agora mais amiga nenhuma pode se aproximar.

Mulher é bicho esperto, sórdido e pequeno.

Vamo crescê, vamo?!

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10.13.2010

Sobre o medo

- E por que é que a gente tem que ter medo de vez em quando?
- Pra gente aprender que o medo é nosso melhor conselheiro.

Tom Zé.


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10.10.2010

De sonhos e de sono

Pois bem, doutor...

Penso que morcegos não sejam animais propriamente fofos, mas compreenda que tudo o que é desenhado pode ser exagerado num sentido positivo. Assim meninas se dividem em porquinho-lovers, raposinha-lovers, sapinho-lovers, que foi o meu caso, e por aí vai. Acho mesmo difícil qualquer mulher que regule com a minha idade não ter tido um estilo de bicho ou personagem predileto, como o diabo da Hello Kitty e afins. Isso tudo é pra dizer que eu não sou uma morceguinho-lover, mas tenho muita saudade de uns morceguinhos que voavam num céu cinza de um pijama que teve que ser deixado para trás em certa etapa da minha vida (terei eu saudade dos morcegos ou da etapa?).

Isso tudo, mais uma vez, para falar de sonhos. Uma noite fui à Califórnia e visitei o Salk Institute. Eu queria ir ver aquele plano cortado por uma fonte, e tentava convencer minha companhia de que seria um momento incrível, um daqueles momentos quase religiosos que temos diante de algumas obras de arte. Não que ela não se dispusesse a ir comigo, mas eu olhava para a frente e para o alto e tudo o que via eram as linhas horizontais e verticais tingidas de concreto, convergindo para um céu azul e libertador.

E veja bem, doutor, eu penso cada vez mais que preciso ir à Califórnia, mas me perturba deveras o fato de eu não conseguir parar de sonhar com o pijama de morcegos (estarei eu realmente me referindo ao pijama de morcegos ou a quem o possui neste momento?).

E quando noto que confundo a ação, pois não estou certa de que sonho com a Califórnia e penso no pijama ou se sonho com o pijama (ou com ele) e penso em visitar a Califórnia, percebo que talvez o senhor esteja certo e sonhos e realidade desperta se confundam e tudo isso forme aquilo de que sou composta.

Porque nós somos a massa e os espaços entre a massa, certo?





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10.07.2010

Sobre contos

Porque nem só de palavras se faz uma estória


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10.02.2010

No meio do caminho e eu de saco cheio (Mashup poetry)

[No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra]

Parei puto da vida
Ali bem no meio do caminho
Abaixei, peguei a pedra
Lisa, cristalina, facetada

Vendi a porra do diamante
Por milhões de dólares
Com a grana paguei um oculista
Que me consertou as retinas fatigadas

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10.01.2010

A culpa é da maçã

1

A dieta recortada da revista feminina listava cardápios que Camila nunca teria coragem de comer. Proteína de soja tinha gosto de papel, purê de legumes dava trabalho para preparar e verdura só era comida se fosse para bicho, mas as frutas eram práticas e saborosas e, portanto, negociáveis.

Desta vez levaria a meta a sério, pensava, enquanto esticava os meiões tornozelo acima, de forma a cobrir toda a parte desnuda e rigorosamente depilada da perna, parte que escapava à sutil proteção da calça de lycra.

Tênis de corrida, os longos cabelos aloirados presos por um elástico, Ipod preparado e a moça curvilínea do espelho se despedia da outra, esta obstinada em emagrecer.

O tempo na esteira era empenhado ao culto à própria figura. Não se achava feia, muito pelo contrário, mas sabia que precisava perder peso. A concorrência estava grande e ademais, era difícil superar o fato de o último namorado tê-la deixado por conta dos quilos a mais. Claro que não foi isso que ele disse, mas ela sabia que era.

Sentindo-se incrivelmente mais magra, decidiu passar no supermercado para garantir a dieta, dirigindo-se diretamente às gôndolas de frutas. Parou, encarou as maçãs com um olhar de pouca intimidade, puxou um saquinho e começou a escolher as que lhe pareciam mais vermelhas e brilhantes.

Sua mente estava absolutamente vazia, absorta na tarefa de rejeitar os frutos com imperfeições, como este que... este que esse homem lindo acabara de pegar e fizera menção de jogar displicentemente em seu próprio cesto de compras.

Notou que era alto e que o rosto parecia desenhado delicadamente em contraste com a barba rala. Notou o cabelo anelado escuro e parcialmente grisalho. Notou os lindos olhos azuis e... sim, notou um sorriso.

Um sorriso para ela! Imediatamente pôs-se a sonhar com o dia em que diria para os amigos “num corredor de supermercado...”

Seguiu no transe até ser interrompida pela voz amistosa daquele que, elevando a maçã desprezada num ângulo em que só ela podia ver a mancha, se desculpava por tomar a fruta que originalmente lhe pertencia. A mão em concha exibia uma notória rodela dourada no dedo anular, elo perdido entre seu mundo onírico e o corredor do supermercado.


2

O homem chegou em casa ruidoso e muito atrapalhado, carregando sacolas e a mulher só desviou o olhar da TV para ajudá-lo mais de um minuto e meio depois, assim que começou o comercial.

Inventariadas as compras, iniciou-se uma tarefa muda de guardar os alimentos. O açúcar foi despejado pela metade no açucareiro e o restante foi para o pote na estante. As portas do armário foram abertas e algumas latas de conservas foram enfileiradas na prateleira, assim como os pacotes de macarrão e de biscoito recheado.

A mulher separou a parte perecível e colocou os ovos na geladeira, assim como a margarina e a caixa de Tody. As frutas foram retiradas cuidadosamente dos sacos e introduzidas na gaveta inferior, tarefa interrompida para atender ao pedido de uma lata de cerveja e retomada em seguida.

Enquanto abria a lata, ele observava com estima o trabalho desta mulher e o cuidado com que conduzia tudo na casa. Era uma mulher sem mais muitos mistérios, mas ainda bonita, mesmo depois de passados vários anos da maternidade. Uma mãe carinhosa e modesta nos gastos. Através desse pensamento certificava-se de sua escolha. Sim, pois após anos de farras incompatíveis com o estado civil, finalmente acreditava compreender o que era amor.

O terno sentimento de convicção foi violentamente interrompida por um xingamento seguido de um olhar irado e de uma queixa contra sua incapacidade crônica de escolher frutas, como esta maçã que empunhava com tal força que os dedos quase penetravam o halo marrom.


3

Bêbado de sono, cambaleou até a cozinha, abriu a geladeira, pegou a caixinha e a fruta, abriu o zíper da mochila onde guardou tudo e saiu apressado.

Encostou na parede do elevador e cochilou por dez segundos. Atravessou a rua sorumbático e continuou um delicioso sonho no ônibus - “ela é tão linda, e é tão minha...”

Um pouco mais tarde, o barulho estridente do sinal, longe de despertá-lo, lembrou a iminência de sua presença. Ela sempre chegava alegre e desperta e se movimentava muito. Achava-a tão bonita com aqueles cabelos amarelos...

Quando ela começava a falar – ela falava bastante - ele gostava de vedar os ouvidos com os dedos para vê-la mover os lábios. Assim tinha certeza de ouvi-la dizer dele coisas tão lindas quanto as que ele pensava dela. Mas havia aquela detestável hora em que o sinal tocava novamente e ela se despedia.

“Não desta vez”, pensou, cheio de coragem. A mão trêmula buscou o volume na mochila. As pernas traíam seu peso ao se levantar. O menino caminhou na direção da amada, o braço direito esticado, a mão apertando fortemente a maçã, a oferecê-la. Em troca, não viu mais do que um olhar maternal.

As gargalhadas da turma o invadiram. Seu olhar assustado buscava uma explicação para a súbita percepção de que sonhara demais. Os olhos doces da professora miravam aquela circunferência tão vermelha, maculada por uma gritante mossa mole e marrom.

A culpa é da maçã, pensou.


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9.25.2010

Prontofiz.

Fui à livraria e comprei "A mulher de trinta anos". Sou paciente com os amigos, com os erros, com os amores... só não sou paciente com as histórias, delas preciso saber o fim. Ainda voltei com um Shopenhauer, um Pablo Neruda, um Caio Fernando Abreu e o Arquitetura da felicidade do Alain de Botton, cujo título me intriga deveras. Com isso, acabo de assinar meu atestado de reclusão por uns meses. Minha licença de atividades sociais. Pena que do trabalho não posso me desfazer. Tchau.


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9.23.2010

Flutuações

Hoje me apaixonei por James há 20 anos. Se alguém o vir, peça-lhe para voltar a 1989 e vir me procurar. Mas que venha me procurar hoje, pois em 1989 eu serei uma garotinha e não poderei amá-lo como o amo.

Você acabou, James, e sabe que eu não sou condescendente com sua figura decrépita. Mas descobri hoje que há muito você sabe que temos um encontro marcado. Hoje, em 1994. Você sabe que para isso precisa voltar e eu vejo que tem se esforçado. À primeira vista pareceu piada, querido, mas depois entendi tudo o que fez por mim e tive certeza. Porque em 1989 eu serei nova demais, mas foi 2011 o ano do encontro marcado.

Feliz 1994.


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Mãe Lolô sinhorinha

Aposta nas cartas. Prevê o passado. Aguarda o futuro.

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9.22.2010

Papo casual entre amigas

Manu: E aí, o Daniel?
Clara: Ahh... nem... acabou.
Manu: Mas por que, amiga?
Clara: Sei lá, eu não tava curtindo. Quero dizer, tava, mas acho que não como ele. Tava me cobrando muito.
Manu: Ele?
Clara: Não, eu mesma. Ele parecia muito a fim, sabe como é quando a outra pessoa tá ali demais, você desiste.
Manu: Sei. Sei e não sei, no começo vc queria tanto.
Clara: É, queria, e talvez ainda queira. Sei lá, dei uma sumida, mas ele andou me ligando. De repente eu atendo na semana que vem.
Manu: Isso, esnoba que homem gosta!
Clara: Hehe...!


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9.21.2010

Clara, por Daniel

Oi Clara, como é que cê tá?

Poxa, não entendi nada e demorei um tempo para processar as informações: a gente tava se vendo, eu tava curtindo e acho que você tava também. De repente você some sem maiores avisos. Olha, achei que você parecia uma garota legal e reluto em acreditar em algo diferente, mas como, se garotas legais têm mais personalidade ao saírem da sua vida? Você sumiu tão apagadinha, fugindo dos compromissos, não atendendo os telefonemas...

Mas não se preocupe pois a imagem que fica é a do seu cabelo voando no rosto num dia deste verão, dia com vento e com sol - saiba que tens em mim um amigo.


Daniel


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9.20.2010

Uma proposta

Vai começar o festival de cinema do Rio. Você quer vir pra cá? Você pode ser meu prisioneiro, fica aqui em casa disponível pra mim, sempre que eu quiser ir ao cinema a qualquer hora no meio da tarde e eu conseguir me liberar do trabalho vc estará pronto para sairmos. Topa?


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9.16.2010

Sobre o tempo

Que triste a vida daqueles que, não sabendo criar coisas novas, procuram pessoas novas para mostrar as mesmas coisas velhas, na esperança de enganar o tempo.


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9.15.2010

Eu escuto as vozes ou transtorno obssessivo compulsivo

Se há algum sentido oculto na vida que levamos, essa coisa que ordena ou desordena sem que possamos compreender, devo ter recebido um recado hoje: não devo me preocupar com idade.

Eu que sou tão cuidadosa com as minhas coisas cismei de levar "A mulher de trinta anos" para ler no ônibus e perdi misteriosamente o livro. Olhei em todos os lugares possíveis, mas acho que o recado da idade tinha que ser passado a outra pessoa.

Agora não sei se compro novamente ou aceito o sinal.


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9.13.2010

A vida seria tão mais fácil se as pessoas nos recebessem em suas casas pela porta social, nos levassem a suas áreas sociais e quem sabe, íntimas, sem nunca nos apresentarem seus sótãos e porões... gente, arruma o porão sozinho, contrata alguém pra isso... mas deixa o amigo de fora, deixa?!


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9.08.2010

Sobre honestidade

Nem tudo o que eu digo é verdade. Nem todas as verdades eu digo.


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Partilha de bens

Ei, você que não me lê:

Devolve a minha ingenuidade
E o meu não te conhecer

Em troca lhe ofereço aquele botão
Que pulou da sua camisa
E que me desafia
Sorrindo em cima da cômoda.


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9.02.2010

Sobre crueldade

Um amigo passou o top 3 das coisas mais cruéis que ele já ouviu na vida. Imagino que tipo de mulher é capaz de dizer essas coisas...:

3° Você nunca vai conseguir me satisfazer.
2° Ele era horrivel, eu às vezes desviava o olhar pq olhar pra ele doía.
1° Não se apaixone por mim.


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8.18.2010

Da seção: o melhor dos piores foras

(Ela, médica. Ele, insistente)

- Oi, tudo bem?
- Tudo... errr... cof, cof...
- Quer fazer alguma coisa hoje?
- Não dá, cof, tou doente, periga eu te contaminar.
- Ah...


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7.28.2010

Sobre pragmatismo e relacionamentos II

- Gostei muito da aula, acho que vou voltar semana que vem sim.
- Legal. E como está sua situação, você namora?
- Normalmente sim, mas agora não.
- Porque eu estou precisando de uma namorada.
- E pensou em mim?
- Sim. Topa?


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7.26.2010

Sobre o amor

Amor é alzheimer.

(Xico Sá)


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7.08.2010

Niilismo anti-autoanalítico

Sabe aqueles monolitos grandões e dispostos circularmente num gramadinho cercado lá na Inglaterra? Pois é, mentiram quando disseram que Stonehenge, um dos maiores mistérios atuais da humanidade, tem ligações com algum tipo de religiosidade, e afins.

Na verdade, trata-se de uma instalação executada por um jocoso estudante da Escola de Belas Artes, formando do ano de 2092, um riquinho filho de embaixadores e, portanto, primeiro estudante de Arte a ter acesso a uma máquina de teletransporte.

Voltou pra a pré-história para gozar com a nossa cara. Difícil foi recrutar aquele monte de chimpanzés proto-humanos para construírem as carroças que carregariam aqueles pedregulhos. Mas para estudante de Arte não tem tempo feio, feia mesmo é a cara da professora quando no dia da entrega ele aparece com uma despeitada roda de bicicleta enfiada num vaso sanitário e diz que é uma releitura de Duchamp chamada "Dadá essa merda", idéia que ele teve naquela mesma manhã, mas nem vou comentar aonde.

E agora a gente fica com cara de trouxa, olhando pr'aquelas coisas sempre querendo achar algum sentido maior. Ah, cansei de pensar no sentido das coisas, vou me abestalhar, viu?


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6.27.2010

Sobre apostas, crendices e o imponderável

Dor na alma, sobre a mesa um vidro de veneno de rato e uma garrafa de vinho velho, pela metade. Mistura certa para algo dar errado. Levanta-se, vai na estante e pega um par de dados. Mistura-os, apraze-se com o som que o vértice de um dos cubos faz quando vence a resistência da face do outro. Pode ser o som da da condenação ou da redenção, mas não sabe bem o que desejar. Joga-os já sabendo o que cada resultado quer significar. Dois e seis - sorri, a vida volta a fazer sentido.


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6.26.2010

das cores vibrantes

Eu digo NÃO à gente bege.


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6.19.2010

sobre o efeito

... explicou que quando uma bola com a superfície relativamente uniforme atravessa o ar sem muito giro, as pequenas imperfeições das costuras produzem um fluxo assimétrico que gera forças laterais que levam a bola de repente para um lado ou fazem com que suba e desça repentinamente. De acordo com ele, a Jabulani tende "pegar" mais efeito a partir de velocidades entre 72 km/h e 80 km/h, contra apenas 48 km/h das antigas bolas com os tradicionais 32 gomos. Além disso, lembrou o cientista, muitos dos estádios onde estão sendo disputados os jogos estão bem acima do nível do mar. Com a densidade do ar menor, sua aerodinâmica é ainda mais afetada, com a bola viajando mais rápido e se desviando menos.


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5.15.2010

Eu não sou imagem, sou texto. Mas se você quiser, empresto minhas palavras para você me ler todas as noites, pouco antes de dormir. Quem sabe assim você pode sonhar e me entender.


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5.05.2010

Dos importantes motivos pelos quais apoiamos nossos times

- Titi, para que time você torce?
- Botafogo, e você?
- Eu também.
- Mas por que?
- Por sua causa. E você, é Botafogo por que?
- Ah, tinha que ser algum, né.

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4.23.2010

Sobre pragmatismo e relacionamentos

- Oi, gostei de você.
- Oi. Também curti. Nao vejo a hora de ter meus sentimentos feridos por você.
- Prometo fazer o meu pior.

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4.19.2010

Matatempo

A. diz:
to ouvindo Roberto Carlos.. Detalhes. Voltou?
Lo diz:
E eu tou stuck at the airport till 2am. Não.
A. diz:
Que coisa. Porquai?
Lo diz:
Me propuseram um esticamento e puxa dos silviços pra vitoria, ES partindo do RJ amanha e voltando amanha mesmo. Chego no aeroporto e descubro q por alguma confusão, cancelaram minha volta pro Rio. Aí a melhor opção era partir daqui para Vitória e chegar lá amanha de manhã e voltar pro Rio de lá, amanhã.
A. diz:
"Tudo vai mal.... tuuuuudoooo". Que confusão. Não entendi nada. Vem pra sampa que é mais fácil!
Lo diz:
Conclusão: presa num aeroporto frio e impessoal na magnífica Paraíba, à espera de um vôo que me levará, após sete horas, ao estado mais ignorado da federação
A. diz:
ES? duvido, ainda acho que é o Acre.
Lo diz:
Na verdade eu acho que mesmo que é o Piauí, mas como há correntes que defendem que é o Espírito Santo, aproveitei para fazer a piada.
A. diz:
Piauí tá na moda. E como o cara mais genial que conheci até hj na vida, é de Vitória.. prezo pelo futuro deste Estado.
Lo diz:
Qui est?
A. diz:
Um cara que fez faculdade comigo.
Lo diz:
Ah, filósofo? Achei que fosse famoso, hahaha


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4.14.2010

Acordei desconfiando do que li

Jornalismo é uma arma inacreditável. Manchete do globo online hj é terremoto na China. OK, vc pensa, o mundo está acabando. Houve desastre no Chile, Haiti e o temporal no RJ. Mas quer saber? Acho que isso é apenas um zeitgeist jornalístico, tentativa de criar realidade em cima de fatos que ocorreriam sem destaque na mídia.


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4.13.2010

Teorias da conspiração

Ai, meus hormônios: sofri uma invasão de certezas inquestionáveis e subitamente sinto medo da verdade.

Ui.


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4.08.2010

Repente

De repente as poesias mequetrefes que eu estava arriscando secaram, assim como as profundas teorias de vida que eu tinha. De repente, viver ficou mais importante do que escrever aqui. Aconteceu assim, de repente.


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3.26.2010

Para ouvir em dias inspirados

This is just a little samba,
Built upon a single note
Other notes are bound to follow,
But the root is still that note
Now this new one is the consequence,
Of the one we've just been through
As i'm bound to be the unavoidable consequence of you


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3.19.2010

Metáfora do pijaminha e demais testes de laboratório

Esqueceu o pijaminha na casa dele e ele retornou. Isso deflagrou um rompante violento de incredulidade. Interpretou como se, dado o recado, a resposta fosse um não. Na verdade, a angústia girava em torno do compromisso e da entrega do outro, acreditava que ele demonstrasse manter distância, ao menos era o que ela sentia.

Tentou a coisa do pijama uma, duas vezes, sempre obtendo a mesma reação. Somou aos resultados de outros testes de comportamento. Colocou-o numa gaiola, aplicou questionários não declarados, observava atenta enquanto o ratinho de laboratório girava a roda, contava os segundos que ele levava até descobrir o queijo, a quantidade de vezes que bebia água e fazia suas necessidades. Observou, anotou, examinou, avaliou... Concluiu por encerrar os testes e o namoro.

Se se arrepende? Desde que abriu a porta da gaiola, o ratinho segue a mesma rotina, gira a roda, demora a buscar o queijo, bebe água e defeca, sem nem atentar para a porta aberta, muito menos para a presença dela. Não, não se arrepende, mas admite que às vezes sente falta do tempo em que acreditou que os testes teriam um resultado mais positivo.


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3.16.2010

Sobre traição

Em primeiro lugar, nunca esperamos por isso. Por natureza, traição é aquilo que não se espera. Não precisa ser algo profundo, ou grave. Basta que alguém tome uma atitude à revelia da sua posição a respeito e nem ao menos comunicar.

O que torna as coisas ainda mais graves é que parte-se do princípio que se lhe fosse dada a chance de participar, vc poderia chegar a uma situação que não impediria o lucro alheio. Enfim, traição é quando alguém lucra sobre você ou sem você ou ainda apesar de você e não lhe avisa antes.

É que de repente eu sinto esse sentimento rondando...


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3.09.2010

Sobre dor

Dúvida também dói.


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2.21.2010

Princípios da termodinâmica

Gosto disso. Princípios naturais aplicados ao comportamento. Piadinha, claro.

Zero: Você tem que entrar no jogo
Um: Você não consegue ganhar
Dois: Você não consegue empatar
Três: Você não consegue parar de jogar



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2.10.2010

Síndrome de professorinha

Por que eu vou sempre me sentir frustrada por não ter conseguido ensinar a todos que amei, que para ser feliz, não precisa de tanto dinheiro, de tanta ambição, de tanto status e de tanta inquietação, atrás sabe-se lá de quê?

Talvez porque eu seja boba de achar que isso se aprende na "escola"?

Talvez porque eu seja boba de achar que eu tenha "a minha escola"?

Talvez porque eu seja boba de achar que as pessoas aprendem?

É, talvez eu seja boba.


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2.03.2010

Dos romances policiais e de como eles me cativam

Sempre adorei romances policiais. Por anos, entregava-me ao prazer solitário da leitura das instigantes e cinzentas histórias de detetives. Seus hábitos secos me enervavam: um brandy às 11 da manhã e eu que mal sabia o que brandy era, ficava com água na boca. A maneira como evitavam a violência contra um inimigo truculento me deslumbrava. Mas nada se compara ao maior poder daquele ser imbatível - a sagacidade.

Antes de colecionar títulos de Simenons, adorar Maigrets e aquela Paris tão apetitosa quanto criminosa, eu lembro de ter devorado uma coleção infantil que alugava na biblioteca da escola. Do João Carlos Marinho, lembro que tinha "O gênio do crime", "Berenice detetive", "O caneco de prata"... o resto não me lembro porque fazem pelo menos 15 anos, mas eram policiais para criança.

Sempre me diziam que romance policial era Agatha Christie, e Agatha Christie era romance policial. Durante os Simenons, tentei "O misterioso caso de Styles", primeiro dela e minha primeira tentativa. Não deu. Quem se rende ao charme austero e elegância silenciosa daquele francês sério não cede tão fácil às esquisitices espalhafatosas e meio histéricas do baixinho belga naturalizado inglês por opção. Não dá, muito falível. Tão falível quanto os enredos super elaborados e super inverossímeis da... como é que chamam aquela velhinha fofa...? Rainha do crime!

Sim, porque especular um livro inteiro sobre quem teria assassinado um pobre coisado num trem e no fim descobrir (spoileeeeeeeers) que foram todos os passageiros que o mataram, cada um com uma punhalada - sujeito bem quisto esse - é uma especulação vã. No fim, vc nem tentava mais imaginar o fim de história, ou melhor, até tentava, pq eram fins tão inacreditáveis que era só vc criar umas 3 possibilidades absurdas que já estava participando ativamente da leitura do livro, perfeitamente como um romance policial deve ser lido.

Então peguei o jeito dela. Li muito os Poirots e as miss Marples da vida. Li nervosa e avidamente. Comprava pilhas em sebos, aprendi a ler melhor em inglês e forcei a barra no francês para poder ler títulos que não encontrava em português. Entrei para um grupo de discussão sobre Agatha Christie na internet. Colecionava livros e trocava idéias com pessoas que tinham a mesma esquisitice que eu, essa tara por romances policiais.

Sei lá como foi que parei. Acho que durante a faculdade, a necessidade de ler sobr esgoto e concreto armado inibiu minha fantasia. Não parei de ler, mas já tinha lido praticamente tudo da velhinha evil e não achei uma coleção à altura. Me recusava a ler Poe, deve ser preconceito, mas o pouco que tentei, achei-o sanguinolento demais e meus métodos eram mais... psicológicos. O Sherlock Holmes eu jogava no mesmo pacote. Nem mesmo o sir na frente de Conan Doyle me intrigava o suficiente para que eu experimentasse esse inglês de charuto e chapéu engraçado.

O Rubem Fonseca às vezes funcionava. Tem uns romances policiais bem apetitosos, que não ofuscam as suas outras qualidades. Mas não é o mesmo tipo de romance policial, o Mandrake e outros detetives dele são uma delícia porque são malandros, errados, sujos e fortes, mas um tanto canastrões, como quase todo herói brasileiro.

Um dia caiu nas minhas mãos um Luiz Alfredo Garcia-Rosa. Gostei. Seco e ambientado em Copacabana, Princesinha do mar e minha região afetivo-geográfica. Mas só li esse. Anotar: comprar mais.

Então, tudo isso para dizer que eu me apego aos detetives e investigadores dessas histórias policiais alucinantes. E sou fiel a seus métodos até que algum acidente desvie meu rumo. Hoje a culpa foi do Guy Ritchie que conseguiu tornar o Sherlock muito mais interessante e muito mais meu tipo do que aquele old man, duro e sem graça que eu tanto desprezava. Acho que vem pela frente um mote, um novo tema de leitura. Acho que caí de amores, indeed.


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2.01.2010

Latitude -23° 32' 51'', longitude 46° 38' 10''

(co-autoria do poeta Germânico)


Nessa cidade em que só chove
não se imagina mais viver sem água
faz um calorão até a metade do dia
e depois escurece, cai um mundo
vira Veneza durante uns dias
aí, fica até romântico...

Se vc vier conhecê-la,
levo-te para andar de gôndola.


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1.28.2010

Na vida como pipocas

Será que a vida é como um saco rosa de pipocas doces, para se comer uma saborosa e crocante é necessário encarar sete murchas, duras e/ou amargas?


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1.25.2010

Paulo Mendes da Rocha

O senhor morou no edifício Copan? Como foi essa experiência?

Morei bem mais tarde. Se você quer continuar nesse tom de crônica da cidade, morar no Copan foi uma maravilha, como usuário. Porque lá você põe uma sandália qualquer, veste por cima do pijama uma capa de chuva e vai comprar jornal na avenida São Luís, no domingo, numa boa. Fiquei muito amigo de uma figura extraordinária, um espanhol que tomava conta de toda a parte de comida do Hilton [hotel hoje desativado, situado vizinho ao Copan]. Eu tinha um arreglo com ele: atravessava a rua, aos sábados e domingos, ia para a sauna e para a piscina do Hilton. Nadava e ficava por lá, de frente para o meu apartamento, que estava na mesma cota. Tomava meu gim tônica e depois ia para casa almoçar. Uma vez recebi em São Paulo um primo que não sabia onde eu estava morando. Ele veio jantar comigo. Convidei-o para tomar um aperitivo no bar do Hilton. Ficamos ali bebendo e, lá pelas tantas, o barman - que estava de frente para o meu apartamento - me avisou: “Olhe, já estão chamando para o jantar”. Tomamos o último gole, chamei meu primo, atravessamos a rua e fomos jantar, e então ele conheceu a minha casa. Havia um sinal combinado entre mim, a cozinheira e o barman, um contínuo piscar de luzes, que anunciava que a comida estava pronta. Morar na cidade é desfrutar de tudo isso.

(http://www.arcoweb.com.br/entrevista/paulo-mendes-da-rocha-agora-posso-11-07-2006.html)


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1.20.2010

Sugestão para uma cidade invisível

Se fosse possível imaginar como seria a vida sob circunstâncias completamente diferentes das que determinam os padrões atuais, eu bem que gostaria de imaginar... Mas, imaginação tem limites e eu definitivamente não tenho a capacidade do Italo Calvino, pois gostaria de descrever a cidade que nunca conheceu o elevador.


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1.11.2010


Ê vidão...



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12.18.2009

Mau humor

O pedreiro, que na verdade é porteiro, fez um monte de sujeira e me cobrou pelo devido e pelo indevido. Niguém para terminar seu serviço. Copacabana está super movimentada. Barulhenta mesmo. Ainda mais sem as portas da varanda. Estou dormindo na Nossa Senhora de Copacabana. Ou melhor, não estou dormindo na Nossa Senhora de Copacabana. Uma orquestra de músicos peruanos veio se instalar nas imediações. O repertório está cheio de cantigas natalinas. Passo na banca e me deparo com os peitos da Flávia Alessandra, que cá entre nós, todo mundo já conhece até do avesso...


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12.07.2009

Pra fechar a festa

All for freedom and for pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world


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12.02.2009

Virgem - de 23/08 a 22/09 - regente: Mercúrio

Se surgir uma saudade dos velhos tempos, talvez seja bom lembrar que antigamente não tinha antibiótico, anestésico; a falta de higiene matava. Havia menos gente, mas a maioria sempre muito pobre e os poderosos mais abusados. Os podres de ontem não eram melhores que os de hoje.




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11.28.2009

A vaca atolada e o barreado

A vaca atolada é um prato típico da comida caipira mineira. O barreado, apesar de ter o mesmo ingrediente principal, a carne de boi, é paranaense de ascendência açoriana.

Conta a lenda que o gado encalhado ao longo do caminho de terra alagado rumo às Minas Gerais influenciou o batismo do prato, que consistia em uma carne de costela banhada na gordura com fins de conservação. Cozida por por menos de 2 horas e acompanhada de mandioca, era a fonte de energia dos tropeiros. Também há outra lenda de que date do tempo dos escravos, que quando uma vaca encalhava em um atoleiro, era sacrificada e ia para a panela.

O barreado deve seu nome à panela de barro em que é cozida. A carne, que deve ser uma peça fibrosa tipo músculo ou coxão mole, é cozida sem osso, sem gordura e com condimentos na panela de barro, coberta com folhas de bananeira e vedada com uma argamassa de farinha de mandioca e água para que o vapor não escape. Deve cozinhar em fogo baixo por não menos do que 12 horas. É servido com farinha de mandioca e banana. Alguns registros dizem ter tradição de 200 anos. Outros, 300. Há certas informações de que antigamente, para vedar, preparava-se dentro da panela enfiada num buraco de terra, daí o barro.

Hoje em dia, ambas vão bem servidas com uma cachacinha.

Regionalismos, comidas típicas, lendas... Seja como for, neste fim de semana tenho expectativas de alta culinária e boa companhia!


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11.26.2009

Isso aqui tá perdendo seu objeto...


Eu própria estou tão desfocada...


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11.18.2009

tchitchtchu

A vida é linda. Amanhã eu apago isso.

11.02.2009

A presença de Monica

Monica, que já às vezes vinha me visitar, gostou tanto daqui que alugou um apartamento. Está em fase de testes, disposta a transferir contas de consumo, título eleitoral e até, quem sabe, adquirir um aquário de peixes, pois Monica não é o tipo que tem um cão.

Estabeleceu residência fixa em um quarto-e-sala discreto, silêncioso, e só sai de casa em dias especiais, sempre de batom vermelho. Na última vez que saiu, causou um furacão na minha vida.

Eu, que sempre apreciei sua aparição, estou tendo que me adaptar à sua presença constante e às suas investidas para me converter por completo. Afinal, de que me valeria resistir?


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10.30.2009

Pílulas de sabedoria travecóides

"Só existem dois tipos de pessoa: os que vieram aqui porque se perderam e os que já me acharam."

(adaptado da fala de Maria Bakker, portuguesa, self-filósofa reclusa e glamourosa personagem traveca de Morrer como um homem)


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10.25.2009

Sobre âncoras e experiências religiosas

(Warning: this quote may contain too much fantasizing, much more than acceptable)

O Japão sempre foi pra mim a personificação da distância. E a distância tem um quê de libertador.

Explico-me.

Aqui eu sou Eu. Esse Eu que construí nos últimos quase 30 anos. Esse Eu que tem uma família, um círculo de amigos, uma conduta irreparável, ou quase, hehe. E viver aqui é certamente muito bom, faço coisas legais, conheço pessoas e lugares legais... mas estou sempre presa dentro do meu próprio corpo e das experiências que já dizem respeito a essa pessoa que eu já sou.

Imagino andar por Tokyo e ver todas aquelas cenas que vemos em filmes. E conhecer aquelas cidades em que a paz e a religião moram naqueles templos cuja arquitetura nos é tão exótica. E entender como essa gente pôde edificar sua cidade e sua vida baseados em crenças às quais não partilhamos, e conhecer uma gente para quem toda a história do mundo ocidental não determina toda a sua arquitetura e nem mesmo a construção de seu caráter. Gosto de tentar entender a relação dos japoneses com os animais, longe dessa nossa visão ultrapredadora, como eles parecem lidar com eles desse jeito ingênuo. Queria assistir um kabuki e entender qual a graça, porque homem vestido de mulher pra mim só faz sentido numa comédia ou num carnaval...

Tenho a impressão de que no Japão as experiências seriam tão novas e incríveis que diante delas eu decididamente não poderia reagir como a mesma pessoa, e isso faria de mim alguém novo, e me libertaria dos limites do meu corpo. Quase uma experiência religiosa mesmo. É, é isso. É difícil desamarrar a âncora, mas de agora em diante acho que quero experiências religiosas...


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10.24.2009

To be or not to be: algumas questões primordiais da existência humana

Por que é tão difícil ter certeza sobre coisas que parecem tão dignas de certeza, e ao mesmo tempo, temos tanta certeza de coisas que se mostram tão erradas? A vida será mesmo uma coisa complexa movida por cheiros e sorrisos? Terá realmente a vodca a capacidade de alterar a química da vida?


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10.21.2009

Rá. Agora ninguém me segura!


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10.20.2009

Falta de respeito nível micro

Vai, popozuda...

Fulano ouvindo o rádio no celular no metrô, musica baixaria no volume máximo. Ei, eu não sou obrigada a ouvir a sua música em meios públicos! Independente da eventual qualidade ou não do meu gosto musical, ninguém é obrigado a gostar das minhas músicas! Será que o mau gosto proud não notou isso?

Pareço uma velha antiquada quando reclamo da vida e dos costumes. Mas ressoa na minha mente a velha sentença (de morte?) "é por isso que o Brasil não vai pra frente". Dá pra ter esperança quando vc percebe que a falta de educação e respeito começam no nível micro?



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10.18.2009

Sunny


Nada como uma boa praia para desanuviar o pensamento, destravar trabalho encrencado, curar ressaca e trazer a pessoa amada em sete dias. Só o sol salva!


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Eu quero ir embora

Vizinhos tarados, turistas sujos, falta de garagem, sujeira, gente mal educada... nada disso me fez querer sair de Copacabana. Mas hoje, ao chegar em casa, ser atacada por 4 baratas me deixou muito preocupada sobre minha permanência no bairro... Não sei mais o quanto aguento e não sei se vou dormir tranquila...


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10.16.2009

Random feelings

Quando eu nasci, veio um anjo torto me dizer "vá Loana, vá ser gauche na vida...". Brincadeiras à parte, conta a minha mãe que não teve dilatação o suficiente quando eu estava para vir ao mundo e que por conta disso, eu fiquei dando com o côco nas entranhas dela até que resolveram me tirar via cesariana. O susto foi que eu nasci com um galo roxo no meio da cabeleira vermelha (é, nasci ruiva natural, vá lá entender essa biologia). Costumo me perguntar se esse ncidente não determinou a maneira como me relaciono com o mundo.

O fato é que não entendo como, às vezes não entendo nada desse mundo. Não sou afeita a crendices que garantam a boa sorte, me choquei quando soube que devem-se guardar os restos do bolo de casamento no freezer por um ano para ser comido no primeiro aniversário de casamento para garantir a felicidade conjugal. Pensei logo nos noivos vetando a satisfação gorda dos convidados ao perceberem que estes avançavam na sua parcela de alegria eterna. O próprio casamento às vezes me é tão estranho... esses costumes... para mim, a união é obviamente importante, e festas devem ser celebradas sim, para qualquer evento feliz. Mas a festa de casamento, nos moldes das festas de casamento que tanto frequentamos... tem tanto costume bárbaro...

Enfim, mas não é só por isso que fico tentando entender porque eu não pertenço a esse mundo. Eu acabo de aderir ao movimento "the lying down game". E estou muito empolgada para bater a minha foto lying down hoje a noite, na celebração de mais uma noite feliz. Isso sim, pra mim, faz sentido: a celebração da ausência quase absoluta de sentido nessa vida.

Afinal de contas, como acreditar que a vida faz sentido, se, à espera de um milagre, o milagre parece acontecer a 2 metros do meu portão? Não, não estou descrente. Só acho que a vida não faz mesmo sentido, como diria meu amigo Ferfer, São Randão age por nós para que não precisemos dar um sentido absurdo aos nossos atos. Amém.

É por isso que hoje vou tirar minha foto lying down. E ser feliz. E celebrar a insensatez da vida.


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10.15.2009

A arte de fazer as perguntas certas

"...diz a lenda que Buckminster Fuller costumava arrasar concursos e júris com uma pergunta certeira: quanto pesa o seu edifício? Pois não é que Paulo Mendes da Rocha sabe a resposta na ponta da língua ao falar de..." (Arcoweb)

Não seria tão bom saber fazer aquela pergunta desconcertante na hora oportuna? Pois bem, será o tema da minha próxima semana.


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10.14.2009

Chegou o verão

E com ele, a pergunta clássica: "aonde vc vai passar o reveillon?". Tudo sempre igual...


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10.10.2009

Niilismo I

Existe, neste mundo, uma lógica da compensação de lágrimas: quando, aqui, alguém pára de chorar, em algum outro lugar do mundo outra pessoa o começa.


(Beckett, em "Esperando Godot")



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10.08.2009

Toda beleza é meretriz?

"A imagem é a mercadoria atual e é por isso que é inútil esperar dela uma negação da lógica de produção de mercadorias, é por isso, finalmente, que toda beleza é meretriz."

Fredric Jameson



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10.05.2009

Mies estava enganado...

Devil is in the details (cadista mode on)


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10.04.2009

Sobre a paixão

Eu andava meio fria, meio congelada. Fazia tempos que não vivia uma emoção destas. Rolou a tarde inteira, eu mal queria sair de casa, mais propriamente da cama.

Deixei de atender telefonemas e dei desculpas esfarrapadas pra as ligações que tentaram me tirar de minha atividade. Era paixão, na certa.

À noite achei por bem parar um pouquinho. Mas estava evidente que fazia tempos que não sentia algo assim. Saí mas voltei correndo para casa. Não consegui me separar do objeto da minha paixão com facilidade - viciei.

Afinal, não é todo dia que vc se apega assim a alguma história, dessas que vc gruda, não quer perder um segundo sem ler, vira amiga de infância do personagem principal e até chora de emoção quando o livro acaba.


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10.03.2009

Eu dou pra cachorro - Heloisa Faissol, a Helo Quebra-Mansão

Ai ai ai ai ai
Para não, tá bom demais!
Ai ai ai ai ai
Vem com tudo, eu quero mais

Tô fervendo, tô no ponto, eu dou no primeiro encontro
Se você for tarado, vem que eu gosto do babado
Vem com tudo nesse clima, ou me come ou sai de cima
Vem por trás, meu cachorrinho, também gosto do bichinho

Se você não me acalmar, baby, a fila vai andar
Não nasci pra ser noviça, então vê se não me atiça
Mostre que tu é meu macho e sossega esse meu facho
Tô ficando molhadinha, quero ser sua bonequinha

Beija logo minha boca e arranca a minha roupa
Com dedinho e a linguinha
Vem, me deixa maluquinha
Depois faço minha parte que eu sei fazer com arte
Te aqueço, enlouqueço, só pra ter o que eu mereço

Tô carente, tô na seca, satisfaz a tua preta
Vê se agarra a minha bundinha, me chama de danadinha
Assim vou pro paraíso, vou gemendo num sorriso
E num êxtase total vamos juntos ao final


Nem sei se consigo tecer um comentário crítico, ou melhor, não sei se algo nessa letra ainda não fala por si só. Mas se restar alguma dúvida, basta ouvir o clipe do pseudo-funk no Youtube. Desde a interpretação até a harmonia musical, é algo assustadoramente tétrico.


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