8.22.2011

Roubo sincero

E quando você pensa que mais nada pode surgir de criativo de dentro de vc, vem aquele seu mano, parceiro na criação vadia com uma proposta de fotopoiesis (aka foto safada) e te prova que realmente vc anda num bloqueio criativo. Aí vc se inscreve num curso hypado sobre criatividade e nem assim... aí vc decide que vai roubar. Roubar, mas com todo amor e carinho.


Obra: "Tarefa inglória ou busca ilusória? Mesmo com todo esforço de memória, não sei dizer qual prateleira conta mais história..."
Artista: Poeta Germânico
Tipo: fotografia com Photoshop (fotopoiesis)
Ano: 2011


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7.27.2011

Não

Voltei com força total no copy/paste por conta de uma canção que muito diz a respeito do que não. Não, não e não.

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, no presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam com o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
E nada mais



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5.25.2011

Chico... O Chico

Ainda no tema músicas, devo dizer que sambinhas de Chico Buarque me fazem ter aquele sentimentinho, uma saudade do que eu nunca vivi, nunca fui e de alguém que eu nunca conheci. Vai explicar...


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5.08.2011

Ao longo de uma canção

Ouço "Bem que se quis" no rádio e eu lembro que, sentada numa cadeira dessas pesadonas de madeira, na frente de uma mesa igualmente pesadona de madeira, ocupava-me de comer um salgadinho, que me garantiria a possibilidade de emendar num sorvete-chiclete, esses sorvetes numa embalagem de plástico cônica com uma bolota de chiclete embaixo. Enquanto isso, o vizinho em sua mesa também aproveitava o sol lindo, incrível, abundante que fazia lá no alto do morro do Lagoinha, quando aquele lugar delicioso era um clube de lazer frequentado por artistas, políticos ou simplesmente moradores de Santa Teresa. Sobre a mesa, uma revista de domingo do JB com o rosto da Marisa Monte, recém ovacionada como artista revelação do ano de 1990 ou alguma coisa nos arredores.

Nossa maior diversão era descer as longas escadarias que mais pareciam uma trilha em Machu Picchu do que o caminho que nos guiava à onírica piscina do clube Lagoinha. Como era bom ser criança naquele clube, e brincar com as primas, e conhecer outras crianças, e participar de gincanas, e comer coxinha de galinha - a melhor coxinha do universo - e chupar picolé de chiclete, e ver aquele montinho de jornal e não pensar que seria importante ler, e ver o rosto da Marisa Monte na capa com uma chamada para a música Bem que se quis e pensar... e não pensar, não pensar em nada, porque jornal, revista ou qualquer fonte de informação com o mundo era coisa de adulto, aquela gente grande e estranha que não sabia nem se divertir num clube no domingo.

O meu negócio era brincar e ser feliz, porque na segunda-feira vinha uma nova e dura semana, com 4 horas diárias de escola, coisa de criança séria, adultinha mesmo.


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5.05.2011

Sobre a felicidade e o desapego

Felicidade é desapego.

(Será?)


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4.28.2011

Sobre o amor

Porque no amor quem perde quase sempre ganha.


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02:06 a.m.

eu:
vou ter q tomar banho gelado
A: como assim?
ah.. entendi.
eu: eu nao consigo dormir sem tomar banho, e como hj nao tah dos dias mais quentinhos, vai rolar um picolézinho no banho
A: vai de toalha num vizinho.. certeza que ele faz essa gentileza.
eu: hahahahahahahahahaha
A: vai por mim, tem muita gente boa nesse mundo
eu: hahahahahahahahhahah
palhaço


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4.27.2011

Daquilo que o cerceia

Notei: faz tempo que não leio o jornal.

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4.21.2011

Los Hermanos e a rádio nostalgia

Delícia ouvir a rádio MPB nos dias de semana à noite, especialmente naqueles que antecedem finais de semana e feriados. É uma máquina de transporte no tempo. Do bem, dessas que trazem boas memórias.

Ouvi o Camelo cantar que "não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer" e lembrei do dia em que, com aquele brilho nos olhos, perguntei: você gosta de Los Hermanos? E, que felicidade, ouvi que sim.


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4.16.2011

Sobre o momento II

Abandonado isso aqui está. Ser feliz me ocupa o tempo novamente, aquele torpor não criativo.


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3.22.2011

This one goes out to the one I love

Please do tell her that I am harmless and that he's still in love with me and that he can't marry her and that he is not that cold and that he can't get back with her and that she can't punch me that way so that I won't love her anymore and that she's so pretty that I hate her and also that he's so deeply crazy that I despise him and that she is so cute that I envy, better, love her, and that everyday I see him and his cute face, and that every month I read her warm e-mail and that for today I don't know why, I just remember them all.


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3.17.2011

O mais perfeito baile de carnaval (Brás Cubas)

O maior e mais animado baile de carnaval de que se tem notícia começou há tanto tempo que nem os freqüentadores mais antigos se lembram quando e como chegaram aqui. A julgar pela animação, parece que não vai acabar tão cedo.

O mais antigo baile de carnaval de que se tem notícia é tão democrático que admite desde realeza até mendigo, com fantasia ou nu, nada é proibido. Aqui vale a máxima de que é proibido proibir, mas nem seria necessário, pois ninguém julga ninguém.

O mais redentor baile de carnaval de que se tem notícia é um baile sem máscaras, em que cada um pode ser o que é, o que foi ou o que deseja ser. Dizem, porque nunca se pode ter mesmo muita certeza e honestamente, este champanhe está me deixando um pouco tonto.

Nesse momento, por exemplo, avisto Napoleão Bonaparte. Acabou de levantar o rosto de uma poça de vômito, onde ainda jaz seu sinuoso chapéu imperial, e recolher um globo ocular que lhe escapara. Ébrio e um tanto louco, gargalha, encaixa a bolota de volta no buraco negro acima da maçã direita do rosto e pôe-se a admirar a linda panturrilha que se oferecia faceira, logo ao lado.

Acima da panturrilha, uma coxa e sobre a coxa, uma bacia coberta por uma saiota de baiana, uma cinturinha morena e macia, um par de seios perfeitos sob um tecido de babados branco, um colo, colares brincalhões, um pescoço lindo e moreno... e só. Não se via a cabeça da baianinha.

Esses europeus sempre se renderam ao gingado da mulata. E a dança que se seguiu estava tão engraçada e bonita de se acompanhar que mal se notava o horror de ver o imperador baixote tentando acompanhar o rebolado perfeito da morena sem cabeça.

Ao lado deles, doze ninfetas de pele pálida e lábios lilases vestidas como borboletas riem e jogam beijos para um grupo de seis belos gregos. Pobres coitadas, seduzidas pelo jogo de esconde-esconde das túnicas esvoaçantes, mal notam que tudo o que os deuses gregos fazem é olharem-se, beijarem-se e acariciarem-se.

Subitamente, Cleópatra me tira para dançar. Pego de surpresa, eu giro e caio nos braços de uma loura selvagem, que me sorri e propõe:

- Take it! Take another little piece of my heart now, baby!

Eu sorrio e me recomponho. Que eu me lembre, ninguém solicitou que eu relatasse alguns momentos do mais picante baile de carnaval de que se tem notícia, mas me sinto em tal obrigação já que o compadre Nelson Rodrigues e os outros jornalistas de plantão parecem ter aceitado a proposta do demônio de chifrinhos pisca-pisca e nesse momento, bebem um Dry Martini enquanto negociam um aumento de salário.

Mas nem tudo é agitação e paganismo no mais movimentado baile de carnaval de que se tem notícia. Duzentos e sessenta e três papas revezam-se numa missa voltada para os que se arrependem dos excessos, coros entoam cânticos religiosos e dizem até que Sidarta Gautama levita sob uma árvore desde o início da festa, mas como já mencionei, tempo aqui é uma questão muito relativa.

E por falar em relatividade, aprendi que devo evitar os físicos e demais cientistas. Não conseguem tomar parte na festa, e por algum motivo inexplicável, ficam tão eufóricos que não param de trabalhar, pesquisar, e nunca falam coisa com coisa. Alguns dizem ter descoberto o sentido da vida. Particularmente, acho-os todos uns chatos.

A atmosfera varia de leve como as plumas que voam do vestido da melindrosa a pesada como a expressão esgotada dos soldados das grandes guerras. De tempos em tempos as canções de carnaval esgotam e a banda arrisca uma marcha fúnebre. Nesse momento, os risos e as brincadeiras são substituídos por expressões estranhas, como se uma mesma consciência macabra houvesse passado na cabeça de todos os convivas. Mas logo a banda toca um hino nacional de algum país asiático quase desconhecido e meia dúzia de nacionalistas animados puxam um coro seguido por milhares de “lá-rá lá-rás”, e assim as preocupações se vão dissipando.

Nessa festa vive-se exclusivamente do presente. Todos riem, conversam e dançam como se não houvesse amanhã. Na realidade, não se sabe mesmo ao certo se vai haver amanhã, assim como ninguém se lembra exatamente do que aconteceu antes de vir parar aqui.

O mais perfeito baile de carnaval de que se tem notícia é como a vida deveria sempre ser: ninguém sabe bem de onde veio e nem para onde vai, sabe-se apenas que a música está boa e que não vale a pena ir embora, ainda.


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3.16.2011

Do s(S)oneto

O lance da Alice é a gente acordar dentro da gente. Loana. Decidi que esse ano vai ser diferente de todos os outros. Por isso entendo e respeito tudo o que você disse.

(Rá).


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3.15.2011

Nota zero

Essa noite sonhei que fazia uma prova de geografia - sempre foi das minhas piores matérias, ou ao menos das que menos gostava - e 5 minutos antes da hora eu me dava conta que havia lido muito mal e que não ia conseguir reponder nada. Sabia que havia algum assunto que relacionava 44,44% de alguma coisa e 52,08% de alguma outra coisa, mas não sabia bem o quê, e ficava tentando procurar no livro naquela última choradinha de estudo que se faz na carteira antes da distribuição da maldita.

Quando lia a prova, via que das 5 perguntas, só saberia responder - e mal, a 1 questão e meia. O resto era zero redondo.

Nada de incrível nesse sonho, mas faz tempo que não tenho assim sonhos angustiados com escola e achei que devia registrar.

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3.14.2011

Esse meu humor

Se você me deixasse saber que a sua vida mudou só um pouquinho depois que você me conheceu... Mas você não deixa.

Fazer o quê?


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3.07.2011

Sobre perder-se

Dizem que há aquelas experiências de sair do próprio corpo à noite e nelas o indivíduo se vê dormindo.

Pois bem, não me sinto no meu próprio corpo e não me vejo em parte alguma. Será que me perdi no meio do caminho?


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2.15.2011

E aqui eu copio e colo mesmo.

"You see things; and you say, 'Why?' But I dream things that never were; and I say, "Why not?" (George Bernard Shaw, "Back to Methuselah" (1921), part 1, act 1)


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2.08.2011

E o amor?

O amor tudo fode.

True, true.


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1.25.2011

Sobre demolições, morte e vida

Voltei aos escombros do Hospital mesmo estando exausta, e suada, e com aquela camada de pó me cobrindo os pés e as pernas e com o suor me engordurando as faces e o calor consumindo minha sanidade. Voltei porque achava que a as coisas, muito mais do que as pessoas, mereciam minha consideração. Porque as coisas me ajudavam a saber quem sou e ali, em meio àquele monte de pedras e concretos armados, e concretos, e armações, e cerâmicas amareladas e pastilhas foscas brancas eu me acessava melhor do que nunca.

O calor estava desumano, africano, algo que só quem frequentou o Fundão pode saber. Sentar na grama daquele lugar é de uma entrega que só o desapego pode explicar. Tive vontade de gritar: eu fui aprovada no vestibular 99, fui a centésima e poucas colocada, sou um pouco dona disso aqui.

E os alarmes que tocavam de 5 em 5 minutos davam um ar de terceira chamada da escola, "uma hora isso acaba". E a hora chegando e eu ali pensando que acordar às 4 da manhã num domingo, tendo se privado de uma noite no Rio de Janeiro, tudo isso dava um ar engrandecedor ao evento. E a escolha do melhor ângulo com a desculpa de estar ajudando o cameraman a fazer seu filme impecável, tudo isso disfarçava o nervosismo de ver algo que significava bastante para você ruir.

Iam demolir a perna seca do Hospital Universitário do Fundão e eu ia assistir pela primeira vez uma vontade gigantesta ser destruída. Inevitável lembrar que "a arquitetura moderna morreu em St. Louis, Missouri, em 15 de julho de 1972, às 15h32min (aproximadamente), quando o infame conjunto habitacional Pruitt-Igoe, ou melhor, grande parte dos seus blocos, levou, por dinamite, o golpe de misericórdia".

6:54 olhei para o relógio. Faltava um minuto para o último alarme.

O último alarme durou uma eternidade. Durou 2 horas. Durou 1 dia inteiro, anos. O coração batia. O cameraman me olhou arregalado e pegou minha mão. Naquele momento não era mais um profissional, era outro ser humano espantado diante da grandiosidade da vida e da morte. Naquele momento o mundo esteve em suspenso. E depois as explosões. Não sabia se tampava os ouvidos ou se me regozijava a cada rompante ensurdecedor, se guardava meus tímpanos para a velhice que caminha a passos largos e impiedosos ou se entregava minha audição de vez àquele arroubo de vida, e de morte que me invadia.

Então uma alteração na geometria do edifício começou a desenhar aquilo que só vi antes pela televisão e que parecia anunciar o fim do mundo: um volume de no mínimo 5 mil metros cúbicos vir ao chão para se tornar não mais do que a areia da praia, assumir sua condição horizontal. Cada centrímetro cúbico daquele edifício veio ao chão como se ao chão pertencesse.

Depois a fumaça sólida, no formato das fofas nuvens brancas que vemos naqueles céus bem azuis, mas que crescia e que ameaçava nos engolir, sufocar, contaminar, matar, mas que não foi mais longe do que o primeiro plano de árvores e serviu apenas para forrar o chão de pó e desenhar as pegadas dos que passaram ali pela primeira vez, e para tingir as copas das árvores de um prateado cor de tédio.

O susto passou, assim como o barulho e o deslumbre. Logo depois a multidão caminhou para o sopé dos escombros. Pareciam exércitos de zumbis em transe, saudando o deus da destruição, alguns profanando o santuário - saqueando relíquias, levando paredes, vigas, pisos, pedras, cerâmicas - como se estivessem guardando pedaços valiosos do Império Romano.

Assim a festa acabou. Os curiosos partiam saciados e, acima da poeira, pôde ir se revelando um domingo. Nós partimos também. Descarregamos o cartão da câmera e voltamos para filmar os escombros. Éramos nós, muito concreto e os urubus. O ar estava parado, havia restos de cartas e prontuários médicos pelo chão e no alto das árvores. O vendedor de bebidas carregava seu isopor para longe dali. Foi como olhar um cadáver, inerte. Inalávamos poeira e morte num domingo ensolarado.

Foi por isso que quando saí dali, mesmo exausta, fui para a casa de uma amiga na Tijuca. Vesti o biquine e desci para a piscina do prédio, onde crianças competiam pelo salto que mais água espirrasse. Riam e gritavam estridentemente. E assim, a despeito de tanta morte, pude alimentar novamente meus sentidos de vida.


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1.12.2011

portunhol

Hormigón armado, ele diz.
Ela olha e vê um prédio, como qualquer outro.
Ele beija sua nuca branca e diz que "ama las brasilerias".
Ela sorri sem graça e murmura: concreto armado.


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