10.24.2015

Coringa


Achei ao correr na praia. Guardei. Não sou a favor de sujar canastras, mas já tendo uma limpa, é bom pra bater.


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10.18.2015

Quem é o louco aqui?

Highlight do meu fim de semana chuvoso: conheci uma pessoa que trabalhou como acqualoka na Ásia, na década de 90. Uma das melhores partes da conversa foi o relato de quando ela se recusou a pular, pois o filtro do tanque estava quebrado e os acrobatas estavam adoecendo com o diesel velho.

"Diesel?"

"Sim, o diesel, que acumulava por causa dos saltos pegando fogo"

"Aaaahh tá..."


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10.17.2015

Tenho que lembrar

Tenho que lembrar que a Aliane, a nova namorada do meu primeiro namorado wannabe (eu wannabe ter sido namorada dele, pra ser exata), numa conversa muito delicada na qual eu entregava o bastão do namorado que nunca de fato foi meu, notou a decoração do meu fichário.

Nos anos 90 era moda decorar a capa do fichário com recortes de revistas e de qualquer outra coisa que vc fosse capaz de colar na capa de um fichário, segundo a revista Querida. Querida foi a revista que substituiu a Capricho, aquela onde a Ana Paula Arósio contava detalhes sobre sua vida pessoal de adolescente e artista.

As Queridas e Caprichos de vez em quando eram recortadas para capas de fichário, mas não era essa a questão, e sim que eu resolvi emular a moda que nem sabia que existia, mas que a revista da moda me falava que sim. Tinha um fichário todo decorado com embalagem do meu biscoito preferido no momento, mensagem da sorte do bombom importado que eu gostava, texto da minha avó que considerava lindo, frase de filme que eu achava inteligente, fotos de bichinhos, desenhos, e tudo aquilo que uma adolescente podia gostar na segunda metade dos anos 90, menos garotos.

Eu sempre fui tímida para expor diante do mundo que me interessava por garotos, por homens, pelo que quer que fosse. Eu sempre preferi as coisas, como se as coisas dissessem menos.

Então a Aliane olhou pro meu fichário todo colorido e decorado e se interessou. Não me lembro mais o que ela falou, se ela falou... nem me lembro se a Aliane, que era uns dois ou três anos mais nova que eu, só falou por não ter nada melhor a dizer numa situação que, a me ver estava bem awkwards, mas ela deve ter dito algo como "seu fichário tem um monte de coisas". Pro que eu respondi:

- Sim, eu gosto de coisas.

Imediatamente, ela respondeu:

- Eu não desgosto de coisas, mas eu prefiro as pessoas.

E eu sorri, como quem reafirma:

- Eu gosto das coisas.

(Em tempo, como mulheres aos 13 ou 15 anos podem ser tão auto-conscientes, não?! Anos depois, a Aliane foi estudar psicologia, eu fui construir abrigos e arquitetar sonhos)

Tenho que lembrar que eu gosto de coisas.


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5.01.2015

Sobre doar

Faça o que estiver ao seu alcance. Não doe demais e nem se doe de menos. Periga doer demais.

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4.19.2015

Carta aberta à blogueira parceira de outrora

Tha, vc curtiu a publicação e eu lembrei de falar com vc... outro dia voltei para uma derradeira postagem no nosso quase finado blog oucoisaqueovalha e fiquei pensando se vc gostaria de sair dele. Não estou expulsando vc de forma alguma, hehe... mas como continuei escrevendo um pouquinho de nada ao longo dos anos, me peguei pensando se vc sabia e se não acha ruim...! Não que eu escreva algo pra ser ruim, rs, mas a gente vai se inscrevendo em um monte de coisa, o tempo vai passando e um dia percebemos que temos vínculo com muitas coisas que não nos interessam mais. Eu não sei quanto a vc, mas tenho fobia de limpeza digital das células mortas, vivo tentando purificar meu nome e minha imagem, mas esse google é danado pra me enganar.

Não é nenhuma cobrança, é só pra lembrar vc de que se vc quiser sair saia (sem constrangimento), se quiser voltar volte (será bem vinda) e se quiser ficar como está, fique (tamos aí).

É que já se foram tantos anos e percebo que sempre volto nessa coisinha que o valha pra registrar pensamentos...


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4.03.2015

Da seção: "dramas particulares"

"É estranho, nós nos tratamos bem e de fato nos gostamos. Mas, ainda que secretamente, sabemos que votamos em candidatos diferentes". Marie Claire, junho de 2015

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8.27.2014

Another note to self

Caixão pode até ter gaveta, mas assim o custo é maior.

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6.01.2014

A Fiona kind of sunday night

Be kind to me or treat me mean, I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine.

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5.31.2014

Em viagem, como na vida

Ouvi recentemente a história de um francesinho que, em viagem, carregava uma mala pouco comum pros padrões atuais. Não era uma mala antiga ou estilosa, era apenas aquele modelo passado, com alças e sem rodinhas. Quando perguntado do por quê, respondia que para si, malas deviam ser assim, calculadas para cada um de acordo unicamente com sua capacidade de carregá-la.

Posso estar filosófica demais, mas confesso que achei uma baita lição de vida.


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9.28.2013

Sábado preguiçoso

O sol refletido na fachada do prédio da frente, o clarão de 23" exibindo uma paisagem com a neve recém acumulada nessa manhã no Colorado, uma praia ensolarada de mar agitado no Nordeste, o Rio de Janeiro visto do avião e crianças. Muitas crianças e mais crianças. É a tarde de sábado na timeline do fakebook!

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7.06.2013

Tem culpa eu?

:-  ... E como foi seu dia hoje?
;-)  Legal, aprendi várias posições novas no yoga!
:-  Amor, eu tou trabalhando, não posso pensar em sexo agora.
;-)  ...


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12.23.2012

Blues de Natal

Tente ir à praia, mas só encontre mormaço.

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8.11.2012

Teia

Essa arainha subversiva é a cara de um sujeito que conheci, playboy até o talo, no bom sentido, no sentido original, aquele que sabe viver a vida, que sabe fazer as coisas bem direitinho, mas a seu modo, e que não entende porque tem que fazer como todos fazem, ou como lhe dizem que se faz. Teve todo o tipo de gente à sua volta, mas seguiu o caminho que os melhores lhe permitiram, ou seja, qualquer caminho. Pôde tentar tudo, pôde fazer qualquer coisa que julgasse legal, bonito ou valioso. E agora, não muito cedo, mas nem tão tarde assim, se deu conta de que pouco importa o quão irregular a sua teia é, há uma teia e ela é a teia dele.

4.02.2012

Etapas da paranoia, ou I'd better go to sleep

1 - Checo meu e-mail, não há nada;
2 - Entro num site, acho uma informaçãao relevante, seleciono copy;
3 - Abro um e-mail endereçado a mim mesma, seleciono paste;
4 - Envio o e-mail, abro outra aba e começo a brincar no facebook;
5 - Vejo a abinha do e-mail indicando "Entrada (1)";
6 - Me alegro, fico bobinha, clico na aba do e-mail e vejo. Era a minha própria mensagem. Clico em cima e leio, já cheguei até aqui mesmo...


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12.14.2011

Transfiguração de um mapa bidimensional em um sonho de mais de cinco sentidos

Abro o mapa da escola e noto que já caminhei nos corredores desse lugar, chegava com sono pela manhã e depois de me instalar em uma cadeira, despertava ao sentir o cheiro do café. Ouvia a aula e a princípio tinha dificuldade com aquela nova sonoridade, mas entendia, apesar do nervosismo e medo de não estar entendendo. Entendia sim.

Foi há poucas semanas quando sonhei que frequentava a escola. Tinha amigos ali, que lanchavam comigo na cafeteria e abriam pacotes de bolinhos nem tão gostosos assim, um gosto de bolinho de fast food.

(O frio fora e a calefação dentro. Nunca a temperatura certa)

Sinto saudade do futuro.


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11.12.2011

Sobre a perfeição

Uma coisa assim... tipo pudim de leite moça com a parte externa meio queimadinha.


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9.28.2011

Até a metade

Ficar na metade é um completo frustrado ou é muito mais do que o nada?

ps: sem essa de copo.


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9.26.2011

o copo do meu avô

Um copo largo, raso e serigrafado de amarelo com florezinhas azuis oferecido e sorridente. Dentro, um líquido dourado e duas pedras de gelo. Fora, um senhor polido, de postura rígida e com um sorriso caridoso no rosto. Foi assim a primeira vez que provei daquela bebida perfumada, com um gosto de "coisa-que-nunca-vou-gostar", e lembro que no primeiro gole senti um mal estar que não melhorou nada, nem com a infeliz tentativa de enfiar goela abaixo, sem esquecer de esfregar bem na língua para limpar as papilas gustativas, um pedaço de Pumpernickel puro.

O senhor era meu avó e a bebida era whisky. Todos os dias, meia hora antes da refeição, Pumpo preparava seu Schnaps e bebia, acompanhando minha avó em seus últimos preparativos para a singela refeição que se aproximava. Singela porque nunca a refeição na casa dos meus avós foi uma cerimônia, ou um momento especial. Era simplesmente assim, meu avô no aperitivo, minha avó no fogão, os pratos dispostos sobre a mesa e os dois naquele diálogo Mags du? Mags du? E eu repetindo com um risinho de quem acha que está falando algo inteligente "maxtuuu, maxtuuu".

Recentemente, fucei o armário atrás de um copo digno para beber e oferecer uma dose de whisky à minha visita. Encontrei lá no fundo o copo amarelo. Senti saudades do meu avô e dos seus olhos verdes carinhosos.


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8.22.2011

Roubo sincero

E quando você pensa que mais nada pode surgir de criativo de dentro de vc, vem aquele seu mano, parceiro na criação vadia com uma proposta de fotopoiesis (aka foto safada) e te prova que realmente vc anda num bloqueio criativo. Aí vc se inscreve num curso hypado sobre criatividade e nem assim... aí vc decide que vai roubar. Roubar, mas com todo amor e carinho.


Obra: "Tarefa inglória ou busca ilusória? Mesmo com todo esforço de memória, não sei dizer qual prateleira conta mais história..."
Artista: Poeta Germânico
Tipo: fotografia com Photoshop (fotopoiesis)
Ano: 2011


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7.27.2011

Não

Voltei com força total no copy/paste por conta de uma canção que muito diz a respeito do que não. Não, não e não.

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, no presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam com o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
E nada mais



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5.25.2011

Chico... O Chico

Ainda no tema músicas, devo dizer que sambinhas de Chico Buarque me fazem ter aquele sentimentinho, uma saudade do que eu nunca vivi, nunca fui e de alguém que eu nunca conheci. Vai explicar...


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5.08.2011

Ao longo de uma canção

Ouço "Bem que se quis" no rádio e eu lembro que, sentada numa cadeira dessas pesadonas de madeira, na frente de uma mesa igualmente pesadona de madeira, ocupava-me de comer um salgadinho, que me garantiria a possibilidade de emendar num sorvete-chiclete, esses sorvetes numa embalagem de plástico cônica com uma bolota de chiclete embaixo. Enquanto isso, o vizinho em sua mesa também aproveitava o sol lindo, incrível, abundante que fazia lá no alto do morro do Lagoinha, quando aquele lugar delicioso era um clube de lazer frequentado por artistas, políticos ou simplesmente moradores de Santa Teresa. Sobre a mesa, uma revista de domingo do JB com o rosto da Marisa Monte, recém ovacionada como artista revelação do ano de 1990 ou alguma coisa nos arredores.

Nossa maior diversão era descer as longas escadarias que mais pareciam uma trilha em Machu Picchu do que o caminho que nos guiava à onírica piscina do clube Lagoinha. Como era bom ser criança naquele clube, e brincar com as primas, e conhecer outras crianças, e participar de gincanas, e comer coxinha de galinha - a melhor coxinha do universo - e chupar picolé de chiclete, e ver aquele montinho de jornal e não pensar que seria importante ler, e ver o rosto da Marisa Monte na capa com uma chamada para a música Bem que se quis e pensar... e não pensar, não pensar em nada, porque jornal, revista ou qualquer fonte de informação com o mundo era coisa de adulto, aquela gente grande e estranha que não sabia nem se divertir num clube no domingo.

O meu negócio era brincar e ser feliz, porque na segunda-feira vinha uma nova e dura semana, com 4 horas diárias de escola, coisa de criança séria, adultinha mesmo.


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5.05.2011

Sobre a felicidade e o desapego

Felicidade é desapego.

(Será?)


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4.28.2011

Sobre o amor

Porque no amor quem perde quase sempre ganha.


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02:06 a.m.

eu:
vou ter q tomar banho gelado
A: como assim?
ah.. entendi.
eu: eu nao consigo dormir sem tomar banho, e como hj nao tah dos dias mais quentinhos, vai rolar um picolézinho no banho
A: vai de toalha num vizinho.. certeza que ele faz essa gentileza.
eu: hahahahahahahahahaha
A: vai por mim, tem muita gente boa nesse mundo
eu: hahahahahahahahhahah
palhaço


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4.27.2011

Daquilo que o cerceia

Notei: faz tempo que não leio o jornal.

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4.21.2011

Los Hermanos e a rádio nostalgia

Delícia ouvir a rádio MPB nos dias de semana à noite, especialmente naqueles que antecedem finais de semana e feriados. É uma máquina de transporte no tempo. Do bem, dessas que trazem boas memórias.

Ouvi o Camelo cantar que "não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer" e lembrei do dia em que, com aquele brilho nos olhos, perguntei: você gosta de Los Hermanos? E, que felicidade, ouvi que sim.


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4.16.2011

Sobre o momento II

Abandonado isso aqui está. Ser feliz me ocupa o tempo novamente, aquele torpor não criativo.


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3.22.2011

This one goes out to the one I love

Please do tell her that I am harmless and that he's still in love with me and that he can't marry her and that he is not that cold and that he can't get back with her and that she can't punch me that way so that I won't love her anymore and that she's so pretty that I hate her and also that he's so deeply crazy that I despise him and that she is so cute that I envy, better, love her, and that everyday I see him and his cute face, and that every month I read her warm e-mail and that for today I don't know why, I just remember them all.


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3.17.2011

O mais perfeito baile de carnaval (Brás Cubas)

O maior e mais animado baile de carnaval de que se tem notícia começou há tanto tempo que nem os freqüentadores mais antigos se lembram quando e como chegaram aqui. A julgar pela animação, parece que não vai acabar tão cedo.

O mais antigo baile de carnaval de que se tem notícia é tão democrático que admite desde realeza até mendigo, com fantasia ou nu, nada é proibido. Aqui vale a máxima de que é proibido proibir, mas nem seria necessário, pois ninguém julga ninguém.

O mais redentor baile de carnaval de que se tem notícia é um baile sem máscaras, em que cada um pode ser o que é, o que foi ou o que deseja ser. Dizem, porque nunca se pode ter mesmo muita certeza e honestamente, este champanhe está me deixando um pouco tonto.

Nesse momento, por exemplo, avisto Napoleão Bonaparte. Acabou de levantar o rosto de uma poça de vômito, onde ainda jaz seu sinuoso chapéu imperial, e recolher um globo ocular que lhe escapara. Ébrio e um tanto louco, gargalha, encaixa a bolota de volta no buraco negro acima da maçã direita do rosto e pôe-se a admirar a linda panturrilha que se oferecia faceira, logo ao lado.

Acima da panturrilha, uma coxa e sobre a coxa, uma bacia coberta por uma saiota de baiana, uma cinturinha morena e macia, um par de seios perfeitos sob um tecido de babados branco, um colo, colares brincalhões, um pescoço lindo e moreno... e só. Não se via a cabeça da baianinha.

Esses europeus sempre se renderam ao gingado da mulata. E a dança que se seguiu estava tão engraçada e bonita de se acompanhar que mal se notava o horror de ver o imperador baixote tentando acompanhar o rebolado perfeito da morena sem cabeça.

Ao lado deles, doze ninfetas de pele pálida e lábios lilases vestidas como borboletas riem e jogam beijos para um grupo de seis belos gregos. Pobres coitadas, seduzidas pelo jogo de esconde-esconde das túnicas esvoaçantes, mal notam que tudo o que os deuses gregos fazem é olharem-se, beijarem-se e acariciarem-se.

Subitamente, Cleópatra me tira para dançar. Pego de surpresa, eu giro e caio nos braços de uma loura selvagem, que me sorri e propõe:

- Take it! Take another little piece of my heart now, baby!

Eu sorrio e me recomponho. Que eu me lembre, ninguém solicitou que eu relatasse alguns momentos do mais picante baile de carnaval de que se tem notícia, mas me sinto em tal obrigação já que o compadre Nelson Rodrigues e os outros jornalistas de plantão parecem ter aceitado a proposta do demônio de chifrinhos pisca-pisca e nesse momento, bebem um Dry Martini enquanto negociam um aumento de salário.

Mas nem tudo é agitação e paganismo no mais movimentado baile de carnaval de que se tem notícia. Duzentos e sessenta e três papas revezam-se numa missa voltada para os que se arrependem dos excessos, coros entoam cânticos religiosos e dizem até que Sidarta Gautama levita sob uma árvore desde o início da festa, mas como já mencionei, tempo aqui é uma questão muito relativa.

E por falar em relatividade, aprendi que devo evitar os físicos e demais cientistas. Não conseguem tomar parte na festa, e por algum motivo inexplicável, ficam tão eufóricos que não param de trabalhar, pesquisar, e nunca falam coisa com coisa. Alguns dizem ter descoberto o sentido da vida. Particularmente, acho-os todos uns chatos.

A atmosfera varia de leve como as plumas que voam do vestido da melindrosa a pesada como a expressão esgotada dos soldados das grandes guerras. De tempos em tempos as canções de carnaval esgotam e a banda arrisca uma marcha fúnebre. Nesse momento, os risos e as brincadeiras são substituídos por expressões estranhas, como se uma mesma consciência macabra houvesse passado na cabeça de todos os convivas. Mas logo a banda toca um hino nacional de algum país asiático quase desconhecido e meia dúzia de nacionalistas animados puxam um coro seguido por milhares de “lá-rá lá-rás”, e assim as preocupações se vão dissipando.

Nessa festa vive-se exclusivamente do presente. Todos riem, conversam e dançam como se não houvesse amanhã. Na realidade, não se sabe mesmo ao certo se vai haver amanhã, assim como ninguém se lembra exatamente do que aconteceu antes de vir parar aqui.

O mais perfeito baile de carnaval de que se tem notícia é como a vida deveria sempre ser: ninguém sabe bem de onde veio e nem para onde vai, sabe-se apenas que a música está boa e que não vale a pena ir embora, ainda.


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3.16.2011

Do s(S)oneto

O lance da Alice é a gente acordar dentro da gente. Loana. Decidi que esse ano vai ser diferente de todos os outros. Por isso entendo e respeito tudo o que você disse.

(Rá).


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3.15.2011

Nota zero

Essa noite sonhei que fazia uma prova de geografia - sempre foi das minhas piores matérias, ou ao menos das que menos gostava - e 5 minutos antes da hora eu me dava conta que havia lido muito mal e que não ia conseguir reponder nada. Sabia que havia algum assunto que relacionava 44,44% de alguma coisa e 52,08% de alguma outra coisa, mas não sabia bem o quê, e ficava tentando procurar no livro naquela última choradinha de estudo que se faz na carteira antes da distribuição da maldita.

Quando lia a prova, via que das 5 perguntas, só saberia responder - e mal, a 1 questão e meia. O resto era zero redondo.

Nada de incrível nesse sonho, mas faz tempo que não tenho assim sonhos angustiados com escola e achei que devia registrar.

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3.14.2011

Esse meu humor

Se você me deixasse saber que a sua vida mudou só um pouquinho depois que você me conheceu... Mas você não deixa.

Fazer o quê?


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3.07.2011

Sobre perder-se

Dizem que há aquelas experiências de sair do próprio corpo à noite e nelas o indivíduo se vê dormindo.

Pois bem, não me sinto no meu próprio corpo e não me vejo em parte alguma. Será que me perdi no meio do caminho?


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2.15.2011

E aqui eu copio e colo mesmo.

"You see things; and you say, 'Why?' But I dream things that never were; and I say, "Why not?" (George Bernard Shaw, "Back to Methuselah" (1921), part 1, act 1)


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2.08.2011

E o amor?

O amor tudo fode.

True, true.


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1.25.2011

Sobre demolições, morte e vida

Voltei aos escombros do Hospital mesmo estando exausta, e suada, e com aquela camada de pó me cobrindo os pés e as pernas e com o suor me engordurando as faces e o calor consumindo minha sanidade. Voltei porque achava que a as coisas, muito mais do que as pessoas, mereciam minha consideração. Porque as coisas me ajudavam a saber quem sou e ali, em meio àquele monte de pedras e concretos armados, e concretos, e armações, e cerâmicas amareladas e pastilhas foscas brancas eu me acessava melhor do que nunca.

O calor estava desumano, africano, algo que só quem frequentou o Fundão pode saber. Sentar na grama daquele lugar é de uma entrega que só o desapego pode explicar. Tive vontade de gritar: eu fui aprovada no vestibular 99, fui a centésima e poucas colocada, sou um pouco dona disso aqui.

E os alarmes que tocavam de 5 em 5 minutos davam um ar de terceira chamada da escola, "uma hora isso acaba". E a hora chegando e eu ali pensando que acordar às 4 da manhã num domingo, tendo se privado de uma noite no Rio de Janeiro, tudo isso dava um ar engrandecedor ao evento. E a escolha do melhor ângulo com a desculpa de estar ajudando o cameraman a fazer seu filme impecável, tudo isso disfarçava o nervosismo de ver algo que significava bastante para você ruir.

Iam demolir a perna seca do Hospital Universitário do Fundão e eu ia assistir pela primeira vez uma vontade gigantesta ser destruída. Inevitável lembrar que "a arquitetura moderna morreu em St. Louis, Missouri, em 15 de julho de 1972, às 15h32min (aproximadamente), quando o infame conjunto habitacional Pruitt-Igoe, ou melhor, grande parte dos seus blocos, levou, por dinamite, o golpe de misericórdia".

6:54 olhei para o relógio. Faltava um minuto para o último alarme.

O último alarme durou uma eternidade. Durou 2 horas. Durou 1 dia inteiro, anos. O coração batia. O cameraman me olhou arregalado e pegou minha mão. Naquele momento não era mais um profissional, era outro ser humano espantado diante da grandiosidade da vida e da morte. Naquele momento o mundo esteve em suspenso. E depois as explosões. Não sabia se tampava os ouvidos ou se me regozijava a cada rompante ensurdecedor, se guardava meus tímpanos para a velhice que caminha a passos largos e impiedosos ou se entregava minha audição de vez àquele arroubo de vida, e de morte que me invadia.

Então uma alteração na geometria do edifício começou a desenhar aquilo que só vi antes pela televisão e que parecia anunciar o fim do mundo: um volume de no mínimo 5 mil metros cúbicos vir ao chão para se tornar não mais do que a areia da praia, assumir sua condição horizontal. Cada centrímetro cúbico daquele edifício veio ao chão como se ao chão pertencesse.

Depois a fumaça sólida, no formato das fofas nuvens brancas que vemos naqueles céus bem azuis, mas que crescia e que ameaçava nos engolir, sufocar, contaminar, matar, mas que não foi mais longe do que o primeiro plano de árvores e serviu apenas para forrar o chão de pó e desenhar as pegadas dos que passaram ali pela primeira vez, e para tingir as copas das árvores de um prateado cor de tédio.

O susto passou, assim como o barulho e o deslumbre. Logo depois a multidão caminhou para o sopé dos escombros. Pareciam exércitos de zumbis em transe, saudando o deus da destruição, alguns profanando o santuário - saqueando relíquias, levando paredes, vigas, pisos, pedras, cerâmicas - como se estivessem guardando pedaços valiosos do Império Romano.

Assim a festa acabou. Os curiosos partiam saciados e, acima da poeira, pôde ir se revelando um domingo. Nós partimos também. Descarregamos o cartão da câmera e voltamos para filmar os escombros. Éramos nós, muito concreto e os urubus. O ar estava parado, havia restos de cartas e prontuários médicos pelo chão e no alto das árvores. O vendedor de bebidas carregava seu isopor para longe dali. Foi como olhar um cadáver, inerte. Inalávamos poeira e morte num domingo ensolarado.

Foi por isso que quando saí dali, mesmo exausta, fui para a casa de uma amiga na Tijuca. Vesti o biquine e desci para a piscina do prédio, onde crianças competiam pelo salto que mais água espirrasse. Riam e gritavam estridentemente. E assim, a despeito de tanta morte, pude alimentar novamente meus sentidos de vida.


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1.12.2011

portunhol

Hormigón armado, ele diz.
Ela olha e vê um prédio, como qualquer outro.
Ele beija sua nuca branca e diz que "ama las brasilerias".
Ela sorri sem graça e murmura: concreto armado.


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12.23.2010

Primavera, verão, outono, inverno... e primavera

Eu sou uma pessoa má, eu menti para mim. Disse que era forte e que aguentava, mas não aguento.

E agora, o que posso fazer? Nada, como sempre.

Tudo o de sempre.


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12.15.2010

De como fazer nevar

I tried the magic boiling water trick late last night: boil a kettle, pour the water into a cup, walk outside at minus 20F and throw the boiling water into the air, where it turns instantly to powdery snowy dust. I did it. It worked.

(Do blog do Neil Gaiman, http://journal.neilgaiman.com/2010/12/cats-in-sauna-and-boiling-water-tricks.html)


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12.09.2010

Hot Haikai

Suor, saliva
Quarenta graus à sombra
Verão no Rio


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12.01.2010

Sobre o momento

Prepotência dizer que vivo atualmente um bloqueio criativo? Fico aqui tentando olhar para dentro e entender o porquê dessa sensação desagradável. Li em Schopenhauer que quem lê a cada segundo livre não pensa. E não cria. Será que estou ocupando demais meu tempo apenas para alimentar o espírito?

Ou porque que ande um misto de trabalhador oprimido, acadêmico replicador sem idéias próprias, fazedor de coisas sacais a serem feitas? Preocupada demais com a contingência.

Será o calor, os ruídos, o excesso de vontades que cercam um corpo tão frágil?

Ou porque os braços que lixam, cortam, limpam, pintam e as pernas que ajudam a buscar todo o necessário para a função estejam por demais cansados do trabalho repetitivo da academia?

Talvez porque haja sobre a minha mesa uma folha de papel; pincéis e tintas; lápis e canetas; tesoura e cola, mas não haja preferência sobre pintar, escrever ou montar. Excesso de energia, ausência de decisão.

Mas certo que falta no coração a falta criadora. Mas nem sequer há ali a presença que inspiradora. Há sim, a expectativa pela expectativa. Essa não parece gerar nada de novo.

Procrastino: o olhar vai de dentro para o céu. Há partículas em suspensão

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11.26.2010

Prosa germânica marginal... ou mais uma do poeta mobral

Ando sem saber o que escrever. Por outro lado, recebi isso aqui. Achei bom, publico com a devida autorização.

A colega

(Adriano C.)

Já havia reparado como era linda. Ela tinha uma figura longilínea e elegante. Hoje, salto alto vermelho, calças pretas vigorosamente preenchidas pelas bem torneadas pernas e uma camiseta larga, desleixadamente fashion, que deixava (propositalmente? e por instantes) o desenho do ombro à mostra. Pele clara, porém bronzeada. Paulistana bem nascida, lógico. Sol de Ubatuba aos fins de semana? Provavelmente. Olhos rasgados e tristes, cabelos longos. Muito longos. Pontas repicadas. Penteado despenteado. Gata. Gata daquele tipo que o pobre coitado move montanhas por um mero sorriso. Que, se ela der, será de canto de boca. Otário. Mas tudo bem, já seria o suficiente para admirar a brancura perfeita de seus dentes. Assustadoramente distante. Acima. Não rola, pensei. Com que cara lhe dirigir a palavra? Lhe dar um “oi, tudo bem?” Não. Impossível. O que lhe sobra de beleza também lhe deve vazar pelos poros um egocentrismo avassalador. Ela deve pisar sem dó no verme admirador. Não dá a mínima para os rastejantes seres que por ela matariam a própria mãe por um sim. Tá, exagerei, mas é por aí. Como diz meu amigo João, essa não tem nome. Vaca.

Mito criado em 1 semestre do curso de Estética II na Filosofia da USP. Introdução ao pensamento de Herder. Introdução à ideia de beleza. Mito confirmado nos 15 segundos em que ela foi de sua cadeira à mesa central, para apresentar o último seminário do texto “Shakespeare”. Três no grupo, ela, claro, senta-se ao meio, imponente. Mais alta até. Sinto o perfume no ar.

Começa a apresentação. Desmistificadora.

Ela está nervosa. Insegura. Gaguejou? Sim! Nossa, estranho... Os olhares da classe a tiraram do salto. Que salto? Ela está de sandálias. Mãos trêmulas, unhas roídas. Os longos cabelos atrapalham, caem sobre o texto, mal escrito. Ela lê rápido, confusa. Herder sumiu em seu embaraço. Todos agora se incomodam com sua figura cambaleante. Ri nervosa. Quer fugir, odeia ser o centro das atenções. Burro. Igualzinho a você.

Fim da apresentação. Ela evita as questões. Os parceiros de grupo garantem. Ela precisa sair dali. E sai...

Não!

Antes vai responder à minha pergunta. Respiração ofegante. Suor frio. Coração acelerado. Juro que posso vê-lo batendo sob a camiseta. Foda-se. Tomo coragem.

Espera!

Oi, tudo bem?

Tudo.

Sorriso. Alívio.

E dentes amarelados.

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11.17.2010

Melhores momentos de uma curiosa conversa

- Você vai no Planeta Terra?
- Eu estou nele. Acho.

- Aquele tipo de lésbica...
- Sapatão mesmo, fancha, caminhoneira?
- É, que usa calça cargo cheia de bolsos e colete.
- Cabelo curto, corpo troncudo e buço?
- Porra, isso tá ficando bizarro.
- Tá com medinho?
- Porra logico. Uma dessas vc so mata com bala de prata, sei la.


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11.14.2010

Domingo

Abro um livro sem muita concentração e sinto fome. Está frio na rua em pleno verão carioca e os acordes do carro de som provocam repulsa. Recebo um correio eletrônico de um antigo amor e ouço acordes e frases em italiano com batida moderna. Esse dia é sempre tédio e fogo. Penso em quem está longe. Penso em quem está perto. Fecho o livro, visto uma roupa. Vou primeiro almoçar para depois me jogar no domingo.


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11.10.2010

Ao cantarolar

Músicas são uma forma cliché de mencionar estados de espírito, mas que forma melhor de dizer que "they'll take your soul if you let them, so don't you let them"?

Nada do que se possa sentir é novidade, é tudo uma grande repetição.

Então eu faço o que eu posso.


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11.03.2010

Das primeiras vezes

Parei no meio da rua e olhei para o céu de Copacabana.

Vi o alto dos prédios de uma maneira que não vejo nunca. Vi que alguns moradores reformam suas coberturas, lindas peças em edifícios feios. Vi algumas toalhas secando ao vento e pensei que ali no alto mal se vêem as feiúras. Senti o vento passar por aquele corredor de concreto que as fachadas encerram e que nunca percebo quando estou em meu curso normal. Vi os urubus dando volta em círculos e lembrei que, ainda que sejam urubus, existe vida além da nossa.

Num determinado momento pensei na ironia que seria se, de tanto olhar pra cima, tropeçasse ou perdesse um olhar que valesse a pena. Hesitei, mas naquele breve momento nada me privaria do prazer de sentir meus pés traçarem as mesmas retas de sempre, mas os olhos descobrirem uma geografia inteiramente nova.


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11.01.2010

Sobre a angústia

Angústia é prestar atenção à voz da consciência e perceber que ela está em silêncio.


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10.31.2010

Sonzinho bom

Vou
ficar mais um pouquinho
para ver se alguma coisa acontece
nessa tarde de domingo.


(TR)

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10.25.2010

Nua em público

Entro no vagão do metrô, sento e abro meu livro. O passageiro ao meu lado pousa furtivamente o olhar em minhas páginas. Me sinto nua.


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10.23.2010

Sol, sal e caipicacau.

Ao som de manga é doce, biribiri, limão não.


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10.19.2010

Sobre mulheres e minúcias

Não dá outra: muita mulher junta e sempre rola a frasezinha demarcadora de territórios. "ele tá / tava me dando mole". Pronto, assim a mulher marcou pra sempre o cara, fez uma tatuagem com seu nominho na virilha dele e agora mais amiga nenhuma pode se aproximar.

Mulher é bicho esperto, sórdido e pequeno.

Vamo crescê, vamo?!

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10.13.2010

Sobre o medo

- E por que é que a gente tem que ter medo de vez em quando?
- Pra gente aprender que o medo é nosso melhor conselheiro.

Tom Zé.


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10.10.2010

De sonhos e de sono

Pois bem, doutor...

Penso que morcegos não sejam animais propriamente fofos, mas compreenda que tudo o que é desenhado pode ser exagerado num sentido positivo. Assim meninas se dividem em porquinho-lovers, raposinha-lovers, sapinho-lovers, que foi o meu caso, e por aí vai. Acho mesmo difícil qualquer mulher que regule com a minha idade não ter tido um estilo de bicho ou personagem predileto, como o diabo da Hello Kitty e afins. Isso tudo é pra dizer que eu não sou uma morceguinho-lover, mas tenho muita saudade de uns morceguinhos que voavam num céu cinza de um pijama que teve que ser deixado para trás em certa etapa da minha vida (terei eu saudade dos morcegos ou da etapa?).

Isso tudo, mais uma vez, para falar de sonhos. Uma noite fui à Califórnia e visitei o Salk Institute. Eu queria ir ver aquele plano cortado por uma fonte, e tentava convencer minha companhia de que seria um momento incrível, um daqueles momentos quase religiosos que temos diante de algumas obras de arte. Não que ela não se dispusesse a ir comigo, mas eu olhava para a frente e para o alto e tudo o que via eram as linhas horizontais e verticais tingidas de concreto, convergindo para um céu azul e libertador.

E veja bem, doutor, eu penso cada vez mais que preciso ir à Califórnia, mas me perturba deveras o fato de eu não conseguir parar de sonhar com o pijama de morcegos (estarei eu realmente me referindo ao pijama de morcegos ou a quem o possui neste momento?).

E quando noto que confundo a ação, pois não estou certa de que sonho com a Califórnia e penso no pijama ou se sonho com o pijama (ou com ele) e penso em visitar a Califórnia, percebo que talvez o senhor esteja certo e sonhos e realidade desperta se confundam e tudo isso forme aquilo de que sou composta.

Porque nós somos a massa e os espaços entre a massa, certo?





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10.07.2010

Sobre contos

Porque nem só de palavras se faz uma estória


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10.02.2010

No meio do caminho e eu de saco cheio (Mashup poetry)

[No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra]

Parei puto da vida
Ali bem no meio do caminho
Abaixei, peguei a pedra
Lisa, cristalina, facetada

Vendi a porra do diamante
Por milhões de dólares
Com a grana paguei um oculista
Que me consertou as retinas fatigadas

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10.01.2010

A culpa é da maçã

1

A dieta recortada da revista feminina listava cardápios que Camila nunca teria coragem de comer. Proteína de soja tinha gosto de papel, purê de legumes dava trabalho para preparar e verdura só era comida se fosse para bicho, mas as frutas eram práticas e saborosas e, portanto, negociáveis.

Desta vez levaria a meta a sério, pensava, enquanto esticava os meiões tornozelo acima, de forma a cobrir toda a parte desnuda e rigorosamente depilada da perna, parte que escapava à sutil proteção da calça de lycra.

Tênis de corrida, os longos cabelos aloirados presos por um elástico, Ipod preparado e a moça curvilínea do espelho se despedia da outra, esta obstinada em emagrecer.

O tempo na esteira era empenhado ao culto à própria figura. Não se achava feia, muito pelo contrário, mas sabia que precisava perder peso. A concorrência estava grande e ademais, era difícil superar o fato de o último namorado tê-la deixado por conta dos quilos a mais. Claro que não foi isso que ele disse, mas ela sabia que era.

Sentindo-se incrivelmente mais magra, decidiu passar no supermercado para garantir a dieta, dirigindo-se diretamente às gôndolas de frutas. Parou, encarou as maçãs com um olhar de pouca intimidade, puxou um saquinho e começou a escolher as que lhe pareciam mais vermelhas e brilhantes.

Sua mente estava absolutamente vazia, absorta na tarefa de rejeitar os frutos com imperfeições, como este que... este que esse homem lindo acabara de pegar e fizera menção de jogar displicentemente em seu próprio cesto de compras.

Notou que era alto e que o rosto parecia desenhado delicadamente em contraste com a barba rala. Notou o cabelo anelado escuro e parcialmente grisalho. Notou os lindos olhos azuis e... sim, notou um sorriso.

Um sorriso para ela! Imediatamente pôs-se a sonhar com o dia em que diria para os amigos “num corredor de supermercado...”

Seguiu no transe até ser interrompida pela voz amistosa daquele que, elevando a maçã desprezada num ângulo em que só ela podia ver a mancha, se desculpava por tomar a fruta que originalmente lhe pertencia. A mão em concha exibia uma notória rodela dourada no dedo anular, elo perdido entre seu mundo onírico e o corredor do supermercado.


2

O homem chegou em casa ruidoso e muito atrapalhado, carregando sacolas e a mulher só desviou o olhar da TV para ajudá-lo mais de um minuto e meio depois, assim que começou o comercial.

Inventariadas as compras, iniciou-se uma tarefa muda de guardar os alimentos. O açúcar foi despejado pela metade no açucareiro e o restante foi para o pote na estante. As portas do armário foram abertas e algumas latas de conservas foram enfileiradas na prateleira, assim como os pacotes de macarrão e de biscoito recheado.

A mulher separou a parte perecível e colocou os ovos na geladeira, assim como a margarina e a caixa de Tody. As frutas foram retiradas cuidadosamente dos sacos e introduzidas na gaveta inferior, tarefa interrompida para atender ao pedido de uma lata de cerveja e retomada em seguida.

Enquanto abria a lata, ele observava com estima o trabalho desta mulher e o cuidado com que conduzia tudo na casa. Era uma mulher sem mais muitos mistérios, mas ainda bonita, mesmo depois de passados vários anos da maternidade. Uma mãe carinhosa e modesta nos gastos. Através desse pensamento certificava-se de sua escolha. Sim, pois após anos de farras incompatíveis com o estado civil, finalmente acreditava compreender o que era amor.

O terno sentimento de convicção foi violentamente interrompida por um xingamento seguido de um olhar irado e de uma queixa contra sua incapacidade crônica de escolher frutas, como esta maçã que empunhava com tal força que os dedos quase penetravam o halo marrom.


3

Bêbado de sono, cambaleou até a cozinha, abriu a geladeira, pegou a caixinha e a fruta, abriu o zíper da mochila onde guardou tudo e saiu apressado.

Encostou na parede do elevador e cochilou por dez segundos. Atravessou a rua sorumbático e continuou um delicioso sonho no ônibus - “ela é tão linda, e é tão minha...”

Um pouco mais tarde, o barulho estridente do sinal, longe de despertá-lo, lembrou a iminência de sua presença. Ela sempre chegava alegre e desperta e se movimentava muito. Achava-a tão bonita com aqueles cabelos amarelos...

Quando ela começava a falar – ela falava bastante - ele gostava de vedar os ouvidos com os dedos para vê-la mover os lábios. Assim tinha certeza de ouvi-la dizer dele coisas tão lindas quanto as que ele pensava dela. Mas havia aquela detestável hora em que o sinal tocava novamente e ela se despedia.

“Não desta vez”, pensou, cheio de coragem. A mão trêmula buscou o volume na mochila. As pernas traíam seu peso ao se levantar. O menino caminhou na direção da amada, o braço direito esticado, a mão apertando fortemente a maçã, a oferecê-la. Em troca, não viu mais do que um olhar maternal.

As gargalhadas da turma o invadiram. Seu olhar assustado buscava uma explicação para a súbita percepção de que sonhara demais. Os olhos doces da professora miravam aquela circunferência tão vermelha, maculada por uma gritante mossa mole e marrom.

A culpa é da maçã, pensou.


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9.25.2010

Prontofiz.

Fui à livraria e comprei "A mulher de trinta anos". Sou paciente com os amigos, com os erros, com os amores... só não sou paciente com as histórias, delas preciso saber o fim. Ainda voltei com um Shopenhauer, um Pablo Neruda, um Caio Fernando Abreu e o Arquitetura da felicidade do Alain de Botton, cujo título me intriga deveras. Com isso, acabo de assinar meu atestado de reclusão por uns meses. Minha licença de atividades sociais. Pena que do trabalho não posso me desfazer. Tchau.


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9.23.2010

Flutuações

Hoje me apaixonei por James há 20 anos. Se alguém o vir, peça-lhe para voltar a 1989 e vir me procurar. Mas que venha me procurar hoje, pois em 1989 eu serei uma garotinha e não poderei amá-lo como o amo.

Você acabou, James, e sabe que eu não sou condescendente com sua figura decrépita. Mas descobri hoje que há muito você sabe que temos um encontro marcado. Hoje, em 1994. Você sabe que para isso precisa voltar e eu vejo que tem se esforçado. À primeira vista pareceu piada, querido, mas depois entendi tudo o que fez por mim e tive certeza. Porque em 1989 eu serei nova demais, mas foi 2011 o ano do encontro marcado.

Feliz 1994.


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Mãe Lolô sinhorinha

Aposta nas cartas. Prevê o passado. Aguarda o futuro.

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9.22.2010

Papo casual entre amigas

Manu: E aí, o Daniel?
Clara: Ahh... nem... acabou.
Manu: Mas por que, amiga?
Clara: Sei lá, eu não tava curtindo. Quero dizer, tava, mas acho que não como ele. Tava me cobrando muito.
Manu: Ele?
Clara: Não, eu mesma. Ele parecia muito a fim, sabe como é quando a outra pessoa tá ali demais, você desiste.
Manu: Sei. Sei e não sei, no começo vc queria tanto.
Clara: É, queria, e talvez ainda queira. Sei lá, dei uma sumida, mas ele andou me ligando. De repente eu atendo na semana que vem.
Manu: Isso, esnoba que homem gosta!
Clara: Hehe...!


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9.21.2010

Clara, por Daniel

Oi Clara, como é que cê tá?

Poxa, não entendi nada e demorei um tempo para processar as informações: a gente tava se vendo, eu tava curtindo e acho que você tava também. De repente você some sem maiores avisos. Olha, achei que você parecia uma garota legal e reluto em acreditar em algo diferente, mas como, se garotas legais têm mais personalidade ao saírem da sua vida? Você sumiu tão apagadinha, fugindo dos compromissos, não atendendo os telefonemas...

Mas não se preocupe pois a imagem que fica é a do seu cabelo voando no rosto num dia deste verão, dia com vento e com sol - saiba que tens em mim um amigo.


Daniel


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9.20.2010

Uma proposta

Vai começar o festival de cinema do Rio. Você quer vir pra cá? Você pode ser meu prisioneiro, fica aqui em casa disponível pra mim, sempre que eu quiser ir ao cinema a qualquer hora no meio da tarde e eu conseguir me liberar do trabalho vc estará pronto para sairmos. Topa?


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9.16.2010

Sobre o tempo

Que triste a vida daqueles que, não sabendo criar coisas novas, procuram pessoas novas para mostrar as mesmas coisas velhas, na esperança de enganar o tempo.


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9.15.2010

Eu escuto as vozes ou transtorno obssessivo compulsivo

Se há algum sentido oculto na vida que levamos, essa coisa que ordena ou desordena sem que possamos compreender, devo ter recebido um recado hoje: não devo me preocupar com idade.

Eu que sou tão cuidadosa com as minhas coisas cismei de levar "A mulher de trinta anos" para ler no ônibus e perdi misteriosamente o livro. Olhei em todos os lugares possíveis, mas acho que o recado da idade tinha que ser passado a outra pessoa.

Agora não sei se compro novamente ou aceito o sinal.


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9.13.2010

A vida seria tão mais fácil se as pessoas nos recebessem em suas casas pela porta social, nos levassem a suas áreas sociais e quem sabe, íntimas, sem nunca nos apresentarem seus sótãos e porões... gente, arruma o porão sozinho, contrata alguém pra isso... mas deixa o amigo de fora, deixa?!


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9.08.2010

Sobre honestidade

Nem tudo o que eu digo é verdade. Nem todas as verdades eu digo.


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Partilha de bens

Ei, você que não me lê:

Devolve a minha ingenuidade
E o meu não te conhecer

Em troca lhe ofereço aquele botão
Que pulou da sua camisa
E que me desafia
Sorrindo em cima da cômoda.


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9.02.2010

Sobre crueldade

Um amigo passou o top 3 das coisas mais cruéis que ele já ouviu na vida. Imagino que tipo de mulher é capaz de dizer essas coisas...:

3° Você nunca vai conseguir me satisfazer.
2° Ele era horrivel, eu às vezes desviava o olhar pq olhar pra ele doía.
1° Não se apaixone por mim.


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8.18.2010

Da seção: o melhor dos piores foras

(Ela, médica. Ele, insistente)

- Oi, tudo bem?
- Tudo... errr... cof, cof...
- Quer fazer alguma coisa hoje?
- Não dá, cof, tou doente, periga eu te contaminar.
- Ah...


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7.28.2010

Sobre pragmatismo e relacionamentos II

- Gostei muito da aula, acho que vou voltar semana que vem sim.
- Legal. E como está sua situação, você namora?
- Normalmente sim, mas agora não.
- Porque eu estou precisando de uma namorada.
- E pensou em mim?
- Sim. Topa?


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7.26.2010

Sobre o amor

Amor é alzheimer.

(Xico Sá)


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7.08.2010

Niilismo anti-autoanalítico

Sabe aqueles monolitos grandões e dispostos circularmente num gramadinho cercado lá na Inglaterra? Pois é, mentiram quando disseram que Stonehenge, um dos maiores mistérios atuais da humanidade, tem ligações com algum tipo de religiosidade, e afins.

Na verdade, trata-se de uma instalação executada por um jocoso estudante da Escola de Belas Artes, formando do ano de 2092, um riquinho filho de embaixadores e, portanto, primeiro estudante de Arte a ter acesso a uma máquina de teletransporte.

Voltou pra a pré-história para gozar com a nossa cara. Difícil foi recrutar aquele monte de chimpanzés proto-humanos para construírem as carroças que carregariam aqueles pedregulhos. Mas para estudante de Arte não tem tempo feio, feia mesmo é a cara da professora quando no dia da entrega ele aparece com uma despeitada roda de bicicleta enfiada num vaso sanitário e diz que é uma releitura de Duchamp chamada "Dadá essa merda", idéia que ele teve naquela mesma manhã, mas nem vou comentar aonde.

E agora a gente fica com cara de trouxa, olhando pr'aquelas coisas sempre querendo achar algum sentido maior. Ah, cansei de pensar no sentido das coisas, vou me abestalhar, viu?


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6.27.2010

Sobre apostas, crendices e o imponderável

Dor na alma, sobre a mesa um vidro de veneno de rato e uma garrafa de vinho velho, pela metade. Mistura certa para algo dar errado. Levanta-se, vai na estante e pega um par de dados. Mistura-os, apraze-se com o som que o vértice de um dos cubos faz quando vence a resistência da face do outro. Pode ser o som da da condenação ou da redenção, mas não sabe bem o que desejar. Joga-os já sabendo o que cada resultado quer significar. Dois e seis - sorri, a vida volta a fazer sentido.


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6.26.2010

das cores vibrantes

Eu digo NÃO à gente bege.


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6.19.2010

sobre o efeito

... explicou que quando uma bola com a superfície relativamente uniforme atravessa o ar sem muito giro, as pequenas imperfeições das costuras produzem um fluxo assimétrico que gera forças laterais que levam a bola de repente para um lado ou fazem com que suba e desça repentinamente. De acordo com ele, a Jabulani tende "pegar" mais efeito a partir de velocidades entre 72 km/h e 80 km/h, contra apenas 48 km/h das antigas bolas com os tradicionais 32 gomos. Além disso, lembrou o cientista, muitos dos estádios onde estão sendo disputados os jogos estão bem acima do nível do mar. Com a densidade do ar menor, sua aerodinâmica é ainda mais afetada, com a bola viajando mais rápido e se desviando menos.


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5.15.2010

Eu não sou imagem, sou texto. Mas se você quiser, empresto minhas palavras para você me ler todas as noites, pouco antes de dormir. Quem sabe assim você pode sonhar e me entender.


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5.05.2010

Dos importantes motivos pelos quais apoiamos nossos times

- Titi, para que time você torce?
- Botafogo, e você?
- Eu também.
- Mas por que?
- Por sua causa. E você, é Botafogo por que?
- Ah, tinha que ser algum, né.

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4.23.2010

Sobre pragmatismo e relacionamentos

- Oi, gostei de você.
- Oi. Também curti. Nao vejo a hora de ter meus sentimentos feridos por você.
- Prometo fazer o meu pior.

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