10.17.2015
Tenho que lembrar
Nos anos 90 era moda decorar a capa do fichário com recortes de revistas e de qualquer outra coisa que vc fosse capaz de colar na capa de um fichário, segundo a revista Querida. Querida foi a revista que substituiu a Capricho, aquela onde a Ana Paula Arósio contava detalhes sobre sua vida pessoal de adolescente e artista.
As Queridas e Caprichos de vez em quando eram recortadas para capas de fichário, mas não era essa a questão, e sim que eu resolvi emular a moda que nem sabia que existia, mas que a revista da moda me falava que sim. Tinha um fichário todo decorado com embalagem do meu biscoito preferido no momento, mensagem da sorte do bombom importado que eu gostava, texto da minha avó que considerava lindo, frase de filme que eu achava inteligente, fotos de bichinhos, desenhos, e tudo aquilo que uma adolescente podia gostar na segunda metade dos anos 90, menos garotos.
Eu sempre fui tímida para expor diante do mundo que me interessava por garotos, por homens, pelo que quer que fosse. Eu sempre preferi as coisas, como se as coisas dissessem menos.
Então a Aliane olhou pro meu fichário todo colorido e decorado e se interessou. Não me lembro mais o que ela falou, se ela falou... nem me lembro se a Aliane, que era uns dois ou três anos mais nova que eu, só falou por não ter nada melhor a dizer numa situação que, a me ver estava bem awkwards, mas ela deve ter dito algo como "seu fichário tem um monte de coisas". Pro que eu respondi:
- Sim, eu gosto de coisas.
Imediatamente, ela respondeu:
- Eu não desgosto de coisas, mas eu prefiro as pessoas.
E eu sorri, como quem reafirma:
- Eu gosto das coisas.
(Em tempo, como mulheres aos 13 ou 15 anos podem ser tão auto-conscientes, não?! Anos depois, a Aliane foi estudar psicologia, eu fui construir abrigos e arquitetar sonhos)
Tenho que lembrar que eu gosto de coisas.
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5.01.2015
Sobre doar
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4.19.2015
Carta aberta à blogueira parceira de outrora
Não é nenhuma cobrança, é só pra lembrar vc de que se vc quiser sair saia (sem constrangimento), se quiser voltar volte (será bem vinda) e se quiser ficar como está, fique (tamos aí).
É que já se foram tantos anos e percebo que sempre volto nessa coisinha que o valha pra registrar pensamentos...
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4.03.2015
Da seção: "dramas particulares"
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8.27.2014
6.01.2014
A Fiona kind of sunday night
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5.31.2014
Em viagem, como na vida
Posso estar filosófica demais, mas confesso que achei uma baita lição de vida.
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9.28.2013
Sábado preguiçoso
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7.06.2013
Tem culpa eu?
;-) Legal, aprendi várias posições novas no yoga!
:- Amor, eu tou trabalhando, não posso pensar em sexo agora.
;-) ...
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12.23.2012
8.11.2012
Teia
4.02.2012
Etapas da paranoia, ou I'd better go to sleep
1 - Checo meu e-mail, não há nada;
2 - Entro num site, acho uma informaçãao relevante, seleciono copy;
3 - Abro um e-mail endereçado a mim mesma, seleciono paste;
4 - Envio o e-mail, abro outra aba e começo a brincar no facebook;
5 - Vejo a abinha do e-mail indicando "Entrada (1)";
6 - Me alegro, fico bobinha, clico na aba do e-mail e vejo. Era a minha própria mensagem. Clico em cima e leio, já cheguei até aqui mesmo...
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12.14.2011
Transfiguração de um mapa bidimensional em um sonho de mais de cinco sentidos
Foi há poucas semanas quando sonhei que frequentava a escola. Tinha amigos ali, que lanchavam comigo na cafeteria e abriam pacotes de bolinhos nem tão gostosos assim, um gosto de bolinho de fast food.
(O frio fora e a calefação dentro. Nunca a temperatura certa)
Sinto saudade do futuro.
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11.12.2011
Sobre a perfeição
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9.28.2011
Até a metade
ps: sem essa de copo.
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9.26.2011
o copo do meu avô
O senhor era meu avó e a bebida era whisky. Todos os dias, meia hora antes da refeição, Pumpo preparava seu Schnaps e bebia, acompanhando minha avó em seus últimos preparativos para a singela refeição que se aproximava. Singela porque nunca a refeição na casa dos meus avós foi uma cerimônia, ou um momento especial. Era simplesmente assim, meu avô no aperitivo, minha avó no fogão, os pratos dispostos sobre a mesa e os dois naquele diálogo Mags du? Mags du? E eu repetindo com um risinho de quem acha que está falando algo inteligente "maxtuuu, maxtuuu".
Recentemente, fucei o armário atrás de um copo digno para beber e oferecer uma dose de whisky à minha visita. Encontrei lá no fundo o copo amarelo. Senti saudades do meu avô e dos seus olhos verdes carinhosos.
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8.22.2011
Roubo sincero
Obra: "Tarefa inglória ou busca ilusória? Mesmo com todo esforço de memória, não sei dizer qual prateleira conta mais história..."
Artista: Poeta Germânico
Tipo: fotografia com Photoshop (fotopoiesis)
Ano: 2011
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7.27.2011
Não
Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, no presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam com o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão
Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais
Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
E nada mais
5.25.2011
Chico... O Chico
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5.08.2011
Ao longo de uma canção
Nossa maior diversão era descer as longas escadarias que mais pareciam uma trilha em Machu Picchu do que o caminho que nos guiava à onírica piscina do clube Lagoinha. Como era bom ser criança naquele clube, e brincar com as primas, e conhecer outras crianças, e participar de gincanas, e comer coxinha de galinha - a melhor coxinha do universo - e chupar picolé de chiclete, e ver aquele montinho de jornal e não pensar que seria importante ler, e ver o rosto da Marisa Monte na capa com uma chamada para a música Bem que se quis e pensar... e não pensar, não pensar em nada, porque jornal, revista ou qualquer fonte de informação com o mundo era coisa de adulto, aquela gente grande e estranha que não sabia nem se divertir num clube no domingo.
O meu negócio era brincar e ser feliz, porque na segunda-feira vinha uma nova e dura semana, com 4 horas diárias de escola, coisa de criança séria, adultinha mesmo.
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5.05.2011
4.28.2011
eu: vou ter q tomar banho gelado
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4.27.2011
4.21.2011
Los Hermanos e a rádio nostalgia
Ouvi o Camelo cantar que "não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer" e lembrei do dia em que, com aquele brilho nos olhos, perguntei: você gosta de Los Hermanos? E, que felicidade, ouvi que sim.
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4.16.2011
Sobre o momento II
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3.22.2011
This one goes out to the one I love
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3.17.2011
O mais perfeito baile de carnaval (Brás Cubas)
O maior e mais animado baile de carnaval de que se tem notícia começou há tanto tempo que nem os freqüentadores mais antigos se lembram quando e como chegaram aqui. A julgar pela animação, parece que não vai acabar tão cedo.
O mais antigo baile de carnaval de que se tem notícia é tão democrático que admite desde realeza até mendigo, com fantasia ou nu, nada é proibido. Aqui vale a máxima de que é proibido proibir, mas nem seria necessário, pois ninguém julga ninguém.
O mais redentor baile de carnaval de que se tem notícia é um baile sem máscaras, em que cada um pode ser o que é, o que foi ou o que deseja ser. Dizem, porque nunca se pode ter mesmo muita certeza e honestamente, este champanhe está me deixando um pouco tonto.
Nesse momento, por exemplo, avisto Napoleão Bonaparte. Acabou de levantar o rosto de uma poça de vômito, onde ainda jaz seu sinuoso chapéu imperial, e recolher um globo ocular que lhe escapara. Ébrio e um tanto louco, gargalha, encaixa a bolota de volta no buraco negro acima da maçã direita do rosto e pôe-se a admirar a linda panturrilha que se oferecia faceira, logo ao lado.
Acima da panturrilha, uma coxa e sobre a coxa, uma bacia coberta por uma saiota de baiana, uma cinturinha morena e macia, um par de seios perfeitos sob um tecido de babados branco, um colo, colares brincalhões, um pescoço lindo e moreno... e só. Não se via a cabeça da baianinha.
Esses europeus sempre se renderam ao gingado da mulata. E a dança que se seguiu estava tão engraçada e bonita de se acompanhar que mal se notava o horror de ver o imperador baixote tentando acompanhar o rebolado perfeito da morena sem cabeça.
Ao lado deles, doze ninfetas de pele pálida e lábios lilases vestidas como borboletas riem e jogam beijos para um grupo de seis belos gregos. Pobres coitadas, seduzidas pelo jogo de esconde-esconde das túnicas esvoaçantes, mal notam que tudo o que os deuses gregos fazem é olharem-se, beijarem-se e acariciarem-se.
Subitamente, Cleópatra me tira para dançar. Pego de surpresa, eu giro e caio nos braços de uma loura selvagem, que me sorri e propõe:
- Take it! Take another little piece of my heart now, baby!
Eu sorrio e me recomponho. Que eu me lembre, ninguém solicitou que eu relatasse alguns momentos do mais picante baile de carnaval de que se tem notícia, mas me sinto em tal obrigação já que o compadre Nelson Rodrigues e os outros jornalistas de plantão parecem ter aceitado a proposta do demônio de chifrinhos pisca-pisca e nesse momento, bebem um Dry Martini enquanto negociam um aumento de salário.
Mas nem tudo é agitação e paganismo no mais movimentado baile de carnaval de que se tem notícia. Duzentos e sessenta e três papas revezam-se numa missa voltada para os que se arrependem dos excessos, coros entoam cânticos religiosos e dizem até que Sidarta Gautama levita sob uma árvore desde o início da festa, mas como já mencionei, tempo aqui é uma questão muito relativa.
E por falar em relatividade, aprendi que devo evitar os físicos e demais cientistas. Não conseguem tomar parte na festa, e por algum motivo inexplicável, ficam tão eufóricos que não param de trabalhar, pesquisar, e nunca falam coisa com coisa. Alguns dizem ter descoberto o sentido da vida. Particularmente, acho-os todos uns chatos.
A atmosfera varia de leve como as plumas que voam do vestido da melindrosa a pesada como a expressão esgotada dos soldados das grandes guerras. De tempos em tempos as canções de carnaval esgotam e a banda arrisca uma marcha fúnebre. Nesse momento, os risos e as brincadeiras são substituídos por expressões estranhas, como se uma mesma consciência macabra houvesse passado na cabeça de todos os convivas. Mas logo a banda toca um hino nacional de algum país asiático quase desconhecido e meia dúzia de nacionalistas animados puxam um coro seguido por milhares de “lá-rá lá-rás”, e assim as preocupações se vão dissipando.
Nessa festa vive-se exclusivamente do presente. Todos riem, conversam e dançam como se não houvesse amanhã. Na realidade, não se sabe mesmo ao certo se vai haver amanhã, assim como ninguém se lembra exatamente do que aconteceu antes de vir parar aqui.
O mais perfeito baile de carnaval de que se tem notícia é como a vida deveria sempre ser: ninguém sabe bem de onde veio e nem para onde vai, sabe-se apenas que a música está boa e que não vale a pena ir embora, ainda.
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3.16.2011
Do s(S)oneto
(Rá).
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3.15.2011
Nota zero
Quando lia a prova, via que das 5 perguntas, só saberia responder - e mal, a 1 questão e meia. O resto era zero redondo.
Nada de incrível nesse sonho, mas faz tempo que não tenho assim sonhos angustiados com escola e achei que devia registrar.
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3.14.2011
Esse meu humor
Fazer o quê?
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3.07.2011
Sobre perder-se
Pois bem, não me sinto no meu próprio corpo e não me vejo em parte alguma. Será que me perdi no meio do caminho?
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2.15.2011
2.08.2011
1.25.2011
Sobre demolições, morte e vida
O calor estava desumano, africano, algo que só quem frequentou o Fundão pode saber. Sentar na grama daquele lugar é de uma entrega que só o desapego pode explicar. Tive vontade de gritar: eu fui aprovada no vestibular 99, fui a centésima e poucas colocada, sou um pouco dona disso aqui.
E os alarmes que tocavam de 5 em 5 minutos davam um ar de terceira chamada da escola, "uma hora isso acaba". E a hora chegando e eu ali pensando que acordar às 4 da manhã num domingo, tendo se privado de uma noite no Rio de Janeiro, tudo isso dava um ar engrandecedor ao evento. E a escolha do melhor ângulo com a desculpa de estar ajudando o cameraman a fazer seu filme impecável, tudo isso disfarçava o nervosismo de ver algo que significava bastante para você ruir.
Iam demolir a perna seca do Hospital Universitário do Fundão e eu ia assistir pela primeira vez uma vontade gigantesta ser destruída. Inevitável lembrar que "a arquitetura moderna morreu em St. Louis, Missouri, em 15 de julho de 1972, às 15h32min (aproximadamente), quando o infame conjunto habitacional Pruitt-Igoe, ou melhor, grande parte dos seus blocos, levou, por dinamite, o golpe de misericórdia".
6:54 olhei para o relógio. Faltava um minuto para o último alarme.
O último alarme durou uma eternidade. Durou 2 horas. Durou 1 dia inteiro, anos. O coração batia. O cameraman me olhou arregalado e pegou minha mão. Naquele momento não era mais um profissional, era outro ser humano espantado diante da grandiosidade da vida e da morte. Naquele momento o mundo esteve em suspenso. E depois as explosões. Não sabia se tampava os ouvidos ou se me regozijava a cada rompante ensurdecedor, se guardava meus tímpanos para a velhice que caminha a passos largos e impiedosos ou se entregava minha audição de vez àquele arroubo de vida, e de morte que me invadia.
Então uma alteração na geometria do edifício começou a desenhar aquilo que só vi antes pela televisão e que parecia anunciar o fim do mundo: um volume de no mínimo 5 mil metros cúbicos vir ao chão para se tornar não mais do que a areia da praia, assumir sua condição horizontal. Cada centrímetro cúbico daquele edifício veio ao chão como se ao chão pertencesse.
Depois a fumaça sólida, no formato das fofas nuvens brancas que vemos naqueles céus bem azuis, mas que crescia e que ameaçava nos engolir, sufocar, contaminar, matar, mas que não foi mais longe do que o primeiro plano de árvores e serviu apenas para forrar o chão de pó e desenhar as pegadas dos que passaram ali pela primeira vez, e para tingir as copas das árvores de um prateado cor de tédio.
O susto passou, assim como o barulho e o deslumbre. Logo depois a multidão caminhou para o sopé dos escombros. Pareciam exércitos de zumbis em transe, saudando o deus da destruição, alguns profanando o santuário - saqueando relíquias, levando paredes, vigas, pisos, pedras, cerâmicas - como se estivessem guardando pedaços valiosos do Império Romano.
Assim a festa acabou. Os curiosos partiam saciados e, acima da poeira, pôde ir se revelando um domingo. Nós partimos também. Descarregamos o cartão da câmera e voltamos para filmar os escombros. Éramos nós, muito concreto e os urubus. O ar estava parado, havia restos de cartas e prontuários médicos pelo chão e no alto das árvores. O vendedor de bebidas carregava seu isopor para longe dali. Foi como olhar um cadáver, inerte. Inalávamos poeira e morte num domingo ensolarado.
Foi por isso que quando saí dali, mesmo exausta, fui para a casa de uma amiga na Tijuca. Vesti o biquine e desci para a piscina do prédio, onde crianças competiam pelo salto que mais água espirrasse. Riam e gritavam estridentemente. E assim, a despeito de tanta morte, pude alimentar novamente meus sentidos de vida.
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1.12.2011
portunhol
Ela olha e vê um prédio, como qualquer outro.
Ele beija sua nuca branca e diz que "ama las brasilerias".
Ela sorri sem graça e murmura: concreto armado.
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12.23.2010
Primavera, verão, outono, inverno... e primavera
E agora, o que posso fazer? Nada, como sempre.
Tudo o de sempre.
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12.15.2010
De como fazer nevar
(Do blog do Neil Gaiman, http://journal.neilgaiman.com/2010/12/cats-in-sauna-and-boiling-water-tricks.html)
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12.09.2010
12.01.2010
Sobre o momento
Ou porque que ande um misto de trabalhador oprimido, acadêmico replicador sem idéias próprias, fazedor de coisas sacais a serem feitas? Preocupada demais com a contingência.
Será o calor, os ruídos, o excesso de vontades que cercam um corpo tão frágil?
Ou porque os braços que lixam, cortam, limpam, pintam e as pernas que ajudam a buscar todo o necessário para a função estejam por demais cansados do trabalho repetitivo da academia?
Talvez porque haja sobre a minha mesa uma folha de papel; pincéis e tintas; lápis e canetas; tesoura e cola, mas não haja preferência sobre pintar, escrever ou montar. Excesso de energia, ausência de decisão.
Mas certo que falta no coração a falta criadora. Mas nem sequer há ali a presença que inspiradora. Há sim, a expectativa pela expectativa. Essa não parece gerar nada de novo.
Procrastino: o olhar vai de dentro para o céu. Há partículas em suspensão
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11.26.2010
Prosa germânica marginal... ou mais uma do poeta mobral
Ando sem saber o que escrever. Por outro lado, recebi isso aqui. Achei bom, publico com a devida autorização.
A colega
(Adriano C.)
Já havia reparado como era linda. Ela tinha uma figura longilínea e elegante. Hoje, salto alto vermelho, calças pretas vigorosamente preenchidas pelas bem torneadas pernas e uma camiseta larga, desleixadamente fashion, que deixava (propositalmente? e por instantes) o desenho do ombro à mostra. Pele clara, porém bronzeada. Paulistana bem nascida, lógico. Sol de Ubatuba aos fins de semana? Provavelmente. Olhos rasgados e tristes, cabelos longos. Muito longos. Pontas repicadas. Penteado despenteado. Gata. Gata daquele tipo que o pobre coitado move montanhas por um mero sorriso. Que, se ela der, será de canto de boca. Otário. Mas tudo bem, já seria o suficiente para admirar a brancura perfeita de seus dentes. Assustadoramente distante. Acima. Não rola, pensei. Com que cara lhe dirigir a palavra? Lhe dar um “oi, tudo bem?” Não. Impossível. O que lhe sobra de beleza também lhe deve vazar pelos poros um egocentrismo avassalador. Ela deve pisar sem dó no verme admirador. Não dá a mínima para os rastejantes seres que por ela matariam a própria mãe por um sim. Tá, exagerei, mas é por aí. Como diz meu amigo João, essa não tem nome. Vaca.
Mito criado em 1 semestre do curso de Estética II na Filosofia da USP. Introdução ao pensamento de Herder. Introdução à ideia de beleza. Mito confirmado nos 15 segundos em que ela foi de sua cadeira à mesa central, para apresentar o último seminário do texto “Shakespeare”. Três no grupo, ela, claro, senta-se ao meio, imponente. Mais alta até. Sinto o perfume no ar.
Começa a apresentação. Desmistificadora.
Ela está nervosa. Insegura. Gaguejou? Sim! Nossa, estranho... Os olhares da classe a tiraram do salto. Que salto? Ela está de sandálias. Mãos trêmulas, unhas roídas. Os longos cabelos atrapalham, caem sobre o texto, mal escrito. Ela lê rápido, confusa. Herder sumiu em seu embaraço. Todos agora se incomodam com sua figura cambaleante. Ri nervosa. Quer fugir, odeia ser o centro das atenções. Burro. Igualzinho a você.
Fim da apresentação. Ela evita as questões. Os parceiros de grupo garantem. Ela precisa sair dali. E sai...
Não!
Antes vai responder à minha pergunta. Respiração ofegante. Suor frio. Coração acelerado. Juro que posso vê-lo batendo sob a camiseta. Foda-se. Tomo coragem.
Espera!
Oi, tudo bem?
Tudo.
Sorriso. Alívio.
E dentes amarelados..
11.17.2010
Melhores momentos de uma curiosa conversa
- Eu estou nele. Acho.
- Aquele tipo de lésbica...
- Sapatão mesmo, fancha, caminhoneira?
- É, que usa calça cargo cheia de bolsos e colete.
- Cabelo curto, corpo troncudo e buço?
- Porra, isso tá ficando bizarro.
- Tá com medinho?
- Porra logico. Uma dessas vc so mata com bala de prata, sei la.
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11.14.2010
Domingo
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11.10.2010
Ao cantarolar
Nada do que se possa sentir é novidade, é tudo uma grande repetição.
Então eu faço o que eu posso.
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11.03.2010
Das primeiras vezes
Vi o alto dos prédios de uma maneira que não vejo nunca. Vi que alguns moradores reformam suas coberturas, lindas peças em edifícios feios. Vi algumas toalhas secando ao vento e pensei que ali no alto mal se vêem as feiúras. Senti o vento passar por aquele corredor de concreto que as fachadas encerram e que nunca percebo quando estou em meu curso normal. Vi os urubus dando volta em círculos e lembrei que, ainda que sejam urubus, existe vida além da nossa.
Num determinado momento pensei na ironia que seria se, de tanto olhar pra cima, tropeçasse ou perdesse um olhar que valesse a pena. Hesitei, mas naquele breve momento nada me privaria do prazer de sentir meus pés traçarem as mesmas retas de sempre, mas os olhos descobrirem uma geografia inteiramente nova.
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11.01.2010
Sobre a angústia
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10.31.2010
Sonzinho bom
ficar mais um pouquinho
para ver se alguma coisa acontece
nessa tarde de domingo.
(TR)
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10.25.2010
Nua em público
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10.23.2010
10.19.2010
Sobre mulheres e minúcias
Mulher é bicho esperto, sórdido e pequeno.
Vamo crescê, vamo?!
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10.13.2010
Sobre o medo
- Pra gente aprender que o medo é nosso melhor conselheiro.
Tom Zé.
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10.10.2010
De sonhos e de sono
Penso que morcegos não sejam animais propriamente fofos, mas compreenda que tudo o que é desenhado pode ser exagerado num sentido positivo. Assim meninas se dividem em porquinho-lovers, raposinha-lovers, sapinho-lovers, que foi o meu caso, e por aí vai. Acho mesmo difícil qualquer mulher que regule com a minha idade não ter tido um estilo de bicho ou personagem predileto, como o diabo da Hello Kitty e afins. Isso tudo é pra dizer que eu não sou uma morceguinho-lover, mas tenho muita saudade de uns morceguinhos que voavam num céu cinza de um pijama que teve que ser deixado para trás em certa etapa da minha vida (terei eu saudade dos morcegos ou da etapa?).
Isso tudo, mais uma vez, para falar de sonhos. Uma noite fui à Califórnia e visitei o Salk Institute. Eu queria ir ver aquele plano cortado por uma fonte, e tentava convencer minha companhia de que seria um momento incrível, um daqueles momentos quase religiosos que temos diante de algumas obras de arte. Não que ela não se dispusesse a ir comigo, mas eu olhava para a frente e para o alto e tudo o que via eram as linhas horizontais e verticais tingidas de concreto, convergindo para um céu azul e libertador.
E veja bem, doutor, eu penso cada vez mais que preciso ir à Califórnia, mas me perturba deveras o fato de eu não conseguir parar de sonhar com o pijama de morcegos (estarei eu realmente me referindo ao pijama de morcegos ou a quem o possui neste momento?).
E quando noto que confundo a ação, pois não estou certa de que sonho com a Califórnia e penso no pijama ou se sonho com o pijama (ou com ele) e penso em visitar a Califórnia, percebo que talvez o senhor esteja certo e sonhos e realidade desperta se confundam e tudo isso forme aquilo de que sou composta.
Porque nós somos a massa e os espaços entre a massa, certo?

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10.07.2010
10.02.2010
No meio do caminho e eu de saco cheio (Mashup poetry)
[No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra]
Parei puto da vida
Ali bem no meio do caminho
Abaixei, peguei a pedra
Lisa, cristalina, facetada
Vendi a porra do diamante
Por milhões de dólares
Com a grana paguei um oculista
Que me consertou as retinas fatigadas
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10.01.2010
A culpa é da maçã
1
A dieta recortada da revista feminina listava cardápios que Camila nunca teria coragem de comer. Proteína de soja tinha gosto de papel, purê de legumes dava trabalho para preparar e verdura só era comida se fosse para bicho, mas as frutas eram práticas e saborosas e, portanto, negociáveis.
Desta vez levaria a meta a sério, pensava, enquanto esticava os meiões tornozelo acima, de forma a cobrir toda a parte desnuda e rigorosamente depilada da perna, parte que escapava à sutil proteção da calça de lycra.
Tênis de corrida, os longos cabelos aloirados presos por um elástico, Ipod preparado e a moça curvilínea do espelho se despedia da outra, esta obstinada em emagrecer.
O tempo na esteira era empenhado ao culto à própria figura. Não se achava feia, muito pelo contrário, mas sabia que precisava perder peso. A concorrência estava grande e ademais, era difícil superar o fato de o último namorado tê-la deixado por conta dos quilos a mais. Claro que não foi isso que ele disse, mas ela sabia que era.
Sentindo-se incrivelmente mais magra, decidiu passar no supermercado para garantir a dieta, dirigindo-se diretamente às gôndolas de frutas. Parou, encarou as maçãs com um olhar de pouca intimidade, puxou um saquinho e começou a escolher as que lhe pareciam mais vermelhas e brilhantes.
Sua mente estava absolutamente vazia, absorta na tarefa de rejeitar os frutos com imperfeições, como este que... este que esse homem lindo acabara de pegar e fizera menção de jogar displicentemente em seu próprio cesto de compras.
Notou que era alto e que o rosto parecia desenhado delicadamente em contraste com a barba rala. Notou o cabelo anelado escuro e parcialmente grisalho. Notou os lindos olhos azuis e... sim, notou um sorriso.
Um sorriso para ela! Imediatamente pôs-se a sonhar com o dia em que diria para os amigos “num corredor de supermercado...”
Seguiu no transe até ser interrompida pela voz amistosa daquele que, elevando a maçã desprezada num ângulo em que só ela podia ver a mancha, se desculpava por tomar a fruta que originalmente lhe pertencia. A mão em concha exibia uma notória rodela dourada no dedo anular, elo perdido entre seu mundo onírico e o corredor do supermercado.
2
O homem chegou em casa ruidoso e muito atrapalhado, carregando sacolas e a mulher só desviou o olhar da TV para ajudá-lo mais de um minuto e meio depois, assim que começou o comercial.
Inventariadas as compras, iniciou-se uma tarefa muda de guardar os alimentos. O açúcar foi despejado pela metade no açucareiro e o restante foi para o pote na estante. As portas do armário foram abertas e algumas latas de conservas foram enfileiradas na prateleira, assim como os pacotes de macarrão e de biscoito recheado.
A mulher separou a parte perecível e colocou os ovos na geladeira, assim como a margarina e a caixa de Tody. As frutas foram retiradas cuidadosamente dos sacos e introduzidas na gaveta inferior, tarefa interrompida para atender ao pedido de uma lata de cerveja e retomada em seguida.
Enquanto abria a lata, ele observava com estima o trabalho desta mulher e o cuidado com que conduzia tudo na casa. Era uma mulher sem mais muitos mistérios, mas ainda bonita, mesmo depois de passados vários anos da maternidade. Uma mãe carinhosa e modesta nos gastos. Através desse pensamento certificava-se de sua escolha. Sim, pois após anos de farras incompatíveis com o estado civil, finalmente acreditava compreender o que era amor.
O terno sentimento de convicção foi violentamente interrompida por um xingamento seguido de um olhar irado e de uma queixa contra sua incapacidade crônica de escolher frutas, como esta maçã que empunhava com tal força que os dedos quase penetravam o halo marrom.
3
Bêbado de sono, cambaleou até a cozinha, abriu a geladeira, pegou a caixinha e a fruta, abriu o zíper da mochila onde guardou tudo e saiu apressado.
Encostou na parede do elevador e cochilou por dez segundos. Atravessou a rua sorumbático e continuou um delicioso sonho no ônibus - “ela é tão linda, e é tão minha...”
Um pouco mais tarde, o barulho estridente do sinal, longe de despertá-lo, lembrou a iminência de sua presença. Ela sempre chegava alegre e desperta e se movimentava muito. Achava-a tão bonita com aqueles cabelos amarelos...
Quando ela começava a falar – ela falava bastante - ele gostava de vedar os ouvidos com os dedos para vê-la mover os lábios. Assim tinha certeza de ouvi-la dizer dele coisas tão lindas quanto as que ele pensava dela. Mas havia aquela detestável hora em que o sinal tocava novamente e ela se despedia.
“Não desta vez”, pensou, cheio de coragem. A mão trêmula buscou o volume na mochila. As pernas traíam seu peso ao se levantar. O menino caminhou na direção da amada, o braço direito esticado, a mão apertando fortemente a maçã, a oferecê-la. Em troca, não viu mais do que um olhar maternal.
As gargalhadas da turma o invadiram. Seu olhar assustado buscava uma explicação para a súbita percepção de que sonhara demais. Os olhos doces da professora miravam aquela circunferência tão vermelha, maculada por uma gritante mossa mole e marrom.
A culpa é da maçã, pensou.
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9.25.2010
Prontofiz.
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9.23.2010
Flutuações
Você acabou, James, e sabe que eu não sou condescendente com sua figura decrépita. Mas descobri hoje que há muito você sabe que temos um encontro marcado. Hoje, em 1994. Você sabe que para isso precisa voltar e eu vejo que tem se esforçado. À primeira vista pareceu piada, querido, mas depois entendi tudo o que fez por mim e tive certeza. Porque em 1989 eu serei nova demais, mas foi 2011 o ano do encontro marcado.
Feliz 1994.
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9.22.2010
Papo casual entre amigas
Clara: Ahh... nem... acabou.
Manu: Mas por que, amiga?
Clara: Sei lá, eu não tava curtindo. Quero dizer, tava, mas acho que não como ele. Tava me cobrando muito.
Manu: Ele?
Clara: Não, eu mesma. Ele parecia muito a fim, sabe como é quando a outra pessoa tá ali demais, você desiste.
Manu: Sei. Sei e não sei, no começo vc queria tanto.
Clara: É, queria, e talvez ainda queira. Sei lá, dei uma sumida, mas ele andou me ligando. De repente eu atendo na semana que vem.
Manu: Isso, esnoba que homem gosta!
Clara: Hehe...!
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9.21.2010
Clara, por Daniel
Poxa, não entendi nada e demorei um tempo para processar as informações: a gente tava se vendo, eu tava curtindo e acho que você tava também. De repente você some sem maiores avisos. Olha, achei que você parecia uma garota legal e reluto em acreditar em algo diferente, mas como, se garotas legais têm mais personalidade ao saírem da sua vida? Você sumiu tão apagadinha, fugindo dos compromissos, não atendendo os telefonemas...
Mas não se preocupe pois a imagem que fica é a do seu cabelo voando no rosto num dia deste verão, dia com vento e com sol - saiba que tens em mim um amigo.
Daniel
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9.20.2010
Uma proposta
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9.16.2010
Sobre o tempo
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9.15.2010
Eu escuto as vozes ou transtorno obssessivo compulsivo
Eu que sou tão cuidadosa com as minhas coisas cismei de levar "A mulher de trinta anos" para ler no ônibus e perdi misteriosamente o livro. Olhei em todos os lugares possíveis, mas acho que o recado da idade tinha que ser passado a outra pessoa.
Agora não sei se compro novamente ou aceito o sinal.
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9.13.2010
9.08.2010
Partilha de bens
Devolve a minha ingenuidade
E o meu não te conhecer
Em troca lhe ofereço aquele botão
Que pulou da sua camisa
E que me desafia
Sorrindo em cima da cômoda.
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9.02.2010
Sobre crueldade
3° Você nunca vai conseguir me satisfazer.
2° Ele era horrivel, eu às vezes desviava o olhar pq olhar pra ele doía.
1° Não se apaixone por mim.
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8.18.2010
Da seção: o melhor dos piores foras
- Oi, tudo bem?
- Tudo... errr... cof, cof...
- Quer fazer alguma coisa hoje?
- Não dá, cof, tou doente, periga eu te contaminar.
- Ah...
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7.28.2010
Sobre pragmatismo e relacionamentos II
- Legal. E como está sua situação, você namora?
- Normalmente sim, mas agora não.
- Porque eu estou precisando de uma namorada.
- E pensou em mim?
- Sim. Topa?
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7.26.2010
7.08.2010
Niilismo anti-autoanalítico
Na verdade, trata-se de uma instalação executada por um jocoso estudante da Escola de Belas Artes, formando do ano de 2092, um riquinho filho de embaixadores e, portanto, primeiro estudante de Arte a ter acesso a uma máquina de teletransporte.
Voltou pra a pré-história para gozar com a nossa cara. Difícil foi recrutar aquele monte de chimpanzés proto-humanos para construírem as carroças que carregariam aqueles pedregulhos. Mas para estudante de Arte não tem tempo feio, feia mesmo é a cara da professora quando no dia da entrega ele aparece com uma despeitada roda de bicicleta enfiada num vaso sanitário e diz que é uma releitura de Duchamp chamada "Dadá essa merda", idéia que ele teve naquela mesma manhã, mas nem vou comentar aonde.
E agora a gente fica com cara de trouxa, olhando pr'aquelas coisas sempre querendo achar algum sentido maior. Ah, cansei de pensar no sentido das coisas, vou me abestalhar, viu?
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6.27.2010
Sobre apostas, crendices e o imponderável
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6.26.2010
6.19.2010
sobre o efeito
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5.15.2010
5.05.2010
Dos importantes motivos pelos quais apoiamos nossos times
- Botafogo, e você?
- Eu também.
- Mas por que?
- Por sua causa. E você, é Botafogo por que?
- Ah, tinha que ser algum, né.
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4.23.2010
Sobre pragmatismo e relacionamentos
- Oi. Também curti. Nao vejo a hora de ter meus sentimentos feridos por você.
- Prometo fazer o meu pior.
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4.19.2010
Matatempo
to ouvindo Roberto Carlos.. Detalhes. Voltou?
Lo diz:
E eu tou stuck at the airport till 2am. Não.
A. diz:
Que coisa. Porquai?
Lo diz:
Me propuseram um esticamento e puxa dos silviços pra vitoria, ES partindo do RJ amanha e voltando amanha mesmo. Chego no aeroporto e descubro q por alguma confusão, cancelaram minha volta pro Rio. Aí a melhor opção era partir daqui para Vitória e chegar lá amanha de manhã e voltar pro Rio de lá, amanhã.
A. diz:
"Tudo vai mal.... tuuuuudoooo". Que confusão. Não entendi nada. Vem pra sampa que é mais fácil!
Lo diz:
Conclusão: presa num aeroporto frio e impessoal na magnífica Paraíba, à espera de um vôo que me levará, após sete horas, ao estado mais ignorado da federação
A. diz:
ES? duvido, ainda acho que é o Acre.
Lo diz:
Na verdade eu acho que mesmo que é o Piauí, mas como há correntes que defendem que é o Espírito Santo, aproveitei para fazer a piada.
A. diz:
Piauí tá na moda. E como o cara mais genial que conheci até hj na vida, é de Vitória.. prezo pelo futuro deste Estado.
Lo diz:
Qui est?
A. diz:
Um cara que fez faculdade comigo.
Lo diz:
Ah, filósofo? Achei que fosse famoso, hahaha
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4.14.2010
Acordei desconfiando do que li
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4.13.2010
Teorias da conspiração
Ui.
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4.08.2010
Repente
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3.26.2010
Para ouvir em dias inspirados
Built upon a single note
Other notes are bound to follow,
But the root is still that note
Now this new one is the consequence,
Of the one we've just been through
As i'm bound to be the unavoidable consequence of you
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3.19.2010
Metáfora do pijaminha e demais testes de laboratório
Tentou a coisa do pijama uma, duas vezes, sempre obtendo a mesma reação. Somou aos resultados de outros testes de comportamento. Colocou-o numa gaiola, aplicou questionários não declarados, observava atenta enquanto o ratinho de laboratório girava a roda, contava os segundos que ele levava até descobrir o queijo, a quantidade de vezes que bebia água e fazia suas necessidades. Observou, anotou, examinou, avaliou... Concluiu por encerrar os testes e o namoro.
Se se arrepende? Desde que abriu a porta da gaiola, o ratinho segue a mesma rotina, gira a roda, demora a buscar o queijo, bebe água e defeca, sem nem atentar para a porta aberta, muito menos para a presença dela. Não, não se arrepende, mas admite que às vezes sente falta do tempo em que acreditou que os testes teriam um resultado mais positivo.
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3.16.2010
Sobre traição
O que torna as coisas ainda mais graves é que parte-se do princípio que se lhe fosse dada a chance de participar, vc poderia chegar a uma situação que não impediria o lucro alheio. Enfim, traição é quando alguém lucra sobre você ou sem você ou ainda apesar de você e não lhe avisa antes.
É que de repente eu sinto esse sentimento rondando...
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