4.28.2011
eu: vou ter q tomar banho gelado
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4.27.2011
4.21.2011
Los Hermanos e a rádio nostalgia
Ouvi o Camelo cantar que "não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer" e lembrei do dia em que, com aquele brilho nos olhos, perguntei: você gosta de Los Hermanos? E, que felicidade, ouvi que sim.
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4.16.2011
Sobre o momento II
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3.22.2011
This one goes out to the one I love
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3.17.2011
O mais perfeito baile de carnaval (Brás Cubas)
O maior e mais animado baile de carnaval de que se tem notícia começou há tanto tempo que nem os freqüentadores mais antigos se lembram quando e como chegaram aqui. A julgar pela animação, parece que não vai acabar tão cedo.
O mais antigo baile de carnaval de que se tem notícia é tão democrático que admite desde realeza até mendigo, com fantasia ou nu, nada é proibido. Aqui vale a máxima de que é proibido proibir, mas nem seria necessário, pois ninguém julga ninguém.
O mais redentor baile de carnaval de que se tem notícia é um baile sem máscaras, em que cada um pode ser o que é, o que foi ou o que deseja ser. Dizem, porque nunca se pode ter mesmo muita certeza e honestamente, este champanhe está me deixando um pouco tonto.
Nesse momento, por exemplo, avisto Napoleão Bonaparte. Acabou de levantar o rosto de uma poça de vômito, onde ainda jaz seu sinuoso chapéu imperial, e recolher um globo ocular que lhe escapara. Ébrio e um tanto louco, gargalha, encaixa a bolota de volta no buraco negro acima da maçã direita do rosto e pôe-se a admirar a linda panturrilha que se oferecia faceira, logo ao lado.
Acima da panturrilha, uma coxa e sobre a coxa, uma bacia coberta por uma saiota de baiana, uma cinturinha morena e macia, um par de seios perfeitos sob um tecido de babados branco, um colo, colares brincalhões, um pescoço lindo e moreno... e só. Não se via a cabeça da baianinha.
Esses europeus sempre se renderam ao gingado da mulata. E a dança que se seguiu estava tão engraçada e bonita de se acompanhar que mal se notava o horror de ver o imperador baixote tentando acompanhar o rebolado perfeito da morena sem cabeça.
Ao lado deles, doze ninfetas de pele pálida e lábios lilases vestidas como borboletas riem e jogam beijos para um grupo de seis belos gregos. Pobres coitadas, seduzidas pelo jogo de esconde-esconde das túnicas esvoaçantes, mal notam que tudo o que os deuses gregos fazem é olharem-se, beijarem-se e acariciarem-se.
Subitamente, Cleópatra me tira para dançar. Pego de surpresa, eu giro e caio nos braços de uma loura selvagem, que me sorri e propõe:
- Take it! Take another little piece of my heart now, baby!
Eu sorrio e me recomponho. Que eu me lembre, ninguém solicitou que eu relatasse alguns momentos do mais picante baile de carnaval de que se tem notícia, mas me sinto em tal obrigação já que o compadre Nelson Rodrigues e os outros jornalistas de plantão parecem ter aceitado a proposta do demônio de chifrinhos pisca-pisca e nesse momento, bebem um Dry Martini enquanto negociam um aumento de salário.
Mas nem tudo é agitação e paganismo no mais movimentado baile de carnaval de que se tem notícia. Duzentos e sessenta e três papas revezam-se numa missa voltada para os que se arrependem dos excessos, coros entoam cânticos religiosos e dizem até que Sidarta Gautama levita sob uma árvore desde o início da festa, mas como já mencionei, tempo aqui é uma questão muito relativa.
E por falar em relatividade, aprendi que devo evitar os físicos e demais cientistas. Não conseguem tomar parte na festa, e por algum motivo inexplicável, ficam tão eufóricos que não param de trabalhar, pesquisar, e nunca falam coisa com coisa. Alguns dizem ter descoberto o sentido da vida. Particularmente, acho-os todos uns chatos.
A atmosfera varia de leve como as plumas que voam do vestido da melindrosa a pesada como a expressão esgotada dos soldados das grandes guerras. De tempos em tempos as canções de carnaval esgotam e a banda arrisca uma marcha fúnebre. Nesse momento, os risos e as brincadeiras são substituídos por expressões estranhas, como se uma mesma consciência macabra houvesse passado na cabeça de todos os convivas. Mas logo a banda toca um hino nacional de algum país asiático quase desconhecido e meia dúzia de nacionalistas animados puxam um coro seguido por milhares de “lá-rá lá-rás”, e assim as preocupações se vão dissipando.
Nessa festa vive-se exclusivamente do presente. Todos riem, conversam e dançam como se não houvesse amanhã. Na realidade, não se sabe mesmo ao certo se vai haver amanhã, assim como ninguém se lembra exatamente do que aconteceu antes de vir parar aqui.
O mais perfeito baile de carnaval de que se tem notícia é como a vida deveria sempre ser: ninguém sabe bem de onde veio e nem para onde vai, sabe-se apenas que a música está boa e que não vale a pena ir embora, ainda.
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3.16.2011
Do s(S)oneto
(Rá).
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3.15.2011
Nota zero
Quando lia a prova, via que das 5 perguntas, só saberia responder - e mal, a 1 questão e meia. O resto era zero redondo.
Nada de incrível nesse sonho, mas faz tempo que não tenho assim sonhos angustiados com escola e achei que devia registrar.
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3.14.2011
Esse meu humor
Fazer o quê?
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3.07.2011
Sobre perder-se
Pois bem, não me sinto no meu próprio corpo e não me vejo em parte alguma. Será que me perdi no meio do caminho?
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2.15.2011
2.08.2011
1.25.2011
Sobre demolições, morte e vida
O calor estava desumano, africano, algo que só quem frequentou o Fundão pode saber. Sentar na grama daquele lugar é de uma entrega que só o desapego pode explicar. Tive vontade de gritar: eu fui aprovada no vestibular 99, fui a centésima e poucas colocada, sou um pouco dona disso aqui.
E os alarmes que tocavam de 5 em 5 minutos davam um ar de terceira chamada da escola, "uma hora isso acaba". E a hora chegando e eu ali pensando que acordar às 4 da manhã num domingo, tendo se privado de uma noite no Rio de Janeiro, tudo isso dava um ar engrandecedor ao evento. E a escolha do melhor ângulo com a desculpa de estar ajudando o cameraman a fazer seu filme impecável, tudo isso disfarçava o nervosismo de ver algo que significava bastante para você ruir.
Iam demolir a perna seca do Hospital Universitário do Fundão e eu ia assistir pela primeira vez uma vontade gigantesta ser destruída. Inevitável lembrar que "a arquitetura moderna morreu em St. Louis, Missouri, em 15 de julho de 1972, às 15h32min (aproximadamente), quando o infame conjunto habitacional Pruitt-Igoe, ou melhor, grande parte dos seus blocos, levou, por dinamite, o golpe de misericórdia".
6:54 olhei para o relógio. Faltava um minuto para o último alarme.
O último alarme durou uma eternidade. Durou 2 horas. Durou 1 dia inteiro, anos. O coração batia. O cameraman me olhou arregalado e pegou minha mão. Naquele momento não era mais um profissional, era outro ser humano espantado diante da grandiosidade da vida e da morte. Naquele momento o mundo esteve em suspenso. E depois as explosões. Não sabia se tampava os ouvidos ou se me regozijava a cada rompante ensurdecedor, se guardava meus tímpanos para a velhice que caminha a passos largos e impiedosos ou se entregava minha audição de vez àquele arroubo de vida, e de morte que me invadia.
Então uma alteração na geometria do edifício começou a desenhar aquilo que só vi antes pela televisão e que parecia anunciar o fim do mundo: um volume de no mínimo 5 mil metros cúbicos vir ao chão para se tornar não mais do que a areia da praia, assumir sua condição horizontal. Cada centrímetro cúbico daquele edifício veio ao chão como se ao chão pertencesse.
Depois a fumaça sólida, no formato das fofas nuvens brancas que vemos naqueles céus bem azuis, mas que crescia e que ameaçava nos engolir, sufocar, contaminar, matar, mas que não foi mais longe do que o primeiro plano de árvores e serviu apenas para forrar o chão de pó e desenhar as pegadas dos que passaram ali pela primeira vez, e para tingir as copas das árvores de um prateado cor de tédio.
O susto passou, assim como o barulho e o deslumbre. Logo depois a multidão caminhou para o sopé dos escombros. Pareciam exércitos de zumbis em transe, saudando o deus da destruição, alguns profanando o santuário - saqueando relíquias, levando paredes, vigas, pisos, pedras, cerâmicas - como se estivessem guardando pedaços valiosos do Império Romano.
Assim a festa acabou. Os curiosos partiam saciados e, acima da poeira, pôde ir se revelando um domingo. Nós partimos também. Descarregamos o cartão da câmera e voltamos para filmar os escombros. Éramos nós, muito concreto e os urubus. O ar estava parado, havia restos de cartas e prontuários médicos pelo chão e no alto das árvores. O vendedor de bebidas carregava seu isopor para longe dali. Foi como olhar um cadáver, inerte. Inalávamos poeira e morte num domingo ensolarado.
Foi por isso que quando saí dali, mesmo exausta, fui para a casa de uma amiga na Tijuca. Vesti o biquine e desci para a piscina do prédio, onde crianças competiam pelo salto que mais água espirrasse. Riam e gritavam estridentemente. E assim, a despeito de tanta morte, pude alimentar novamente meus sentidos de vida.
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1.12.2011
portunhol
Ela olha e vê um prédio, como qualquer outro.
Ele beija sua nuca branca e diz que "ama las brasilerias".
Ela sorri sem graça e murmura: concreto armado.
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12.23.2010
Primavera, verão, outono, inverno... e primavera
E agora, o que posso fazer? Nada, como sempre.
Tudo o de sempre.
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12.15.2010
De como fazer nevar
(Do blog do Neil Gaiman, http://journal.neilgaiman.com/2010/12/cats-in-sauna-and-boiling-water-tricks.html)
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12.09.2010
12.01.2010
Sobre o momento
Ou porque que ande um misto de trabalhador oprimido, acadêmico replicador sem idéias próprias, fazedor de coisas sacais a serem feitas? Preocupada demais com a contingência.
Será o calor, os ruídos, o excesso de vontades que cercam um corpo tão frágil?
Ou porque os braços que lixam, cortam, limpam, pintam e as pernas que ajudam a buscar todo o necessário para a função estejam por demais cansados do trabalho repetitivo da academia?
Talvez porque haja sobre a minha mesa uma folha de papel; pincéis e tintas; lápis e canetas; tesoura e cola, mas não haja preferência sobre pintar, escrever ou montar. Excesso de energia, ausência de decisão.
Mas certo que falta no coração a falta criadora. Mas nem sequer há ali a presença que inspiradora. Há sim, a expectativa pela expectativa. Essa não parece gerar nada de novo.
Procrastino: o olhar vai de dentro para o céu. Há partículas em suspensão
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11.26.2010
Prosa germânica marginal... ou mais uma do poeta mobral
Ando sem saber o que escrever. Por outro lado, recebi isso aqui. Achei bom, publico com a devida autorização.
A colega
(Adriano C.)
Já havia reparado como era linda. Ela tinha uma figura longilínea e elegante. Hoje, salto alto vermelho, calças pretas vigorosamente preenchidas pelas bem torneadas pernas e uma camiseta larga, desleixadamente fashion, que deixava (propositalmente? e por instantes) o desenho do ombro à mostra. Pele clara, porém bronzeada. Paulistana bem nascida, lógico. Sol de Ubatuba aos fins de semana? Provavelmente. Olhos rasgados e tristes, cabelos longos. Muito longos. Pontas repicadas. Penteado despenteado. Gata. Gata daquele tipo que o pobre coitado move montanhas por um mero sorriso. Que, se ela der, será de canto de boca. Otário. Mas tudo bem, já seria o suficiente para admirar a brancura perfeita de seus dentes. Assustadoramente distante. Acima. Não rola, pensei. Com que cara lhe dirigir a palavra? Lhe dar um “oi, tudo bem?” Não. Impossível. O que lhe sobra de beleza também lhe deve vazar pelos poros um egocentrismo avassalador. Ela deve pisar sem dó no verme admirador. Não dá a mínima para os rastejantes seres que por ela matariam a própria mãe por um sim. Tá, exagerei, mas é por aí. Como diz meu amigo João, essa não tem nome. Vaca.
Mito criado em 1 semestre do curso de Estética II na Filosofia da USP. Introdução ao pensamento de Herder. Introdução à ideia de beleza. Mito confirmado nos 15 segundos em que ela foi de sua cadeira à mesa central, para apresentar o último seminário do texto “Shakespeare”. Três no grupo, ela, claro, senta-se ao meio, imponente. Mais alta até. Sinto o perfume no ar.
Começa a apresentação. Desmistificadora.
Ela está nervosa. Insegura. Gaguejou? Sim! Nossa, estranho... Os olhares da classe a tiraram do salto. Que salto? Ela está de sandálias. Mãos trêmulas, unhas roídas. Os longos cabelos atrapalham, caem sobre o texto, mal escrito. Ela lê rápido, confusa. Herder sumiu em seu embaraço. Todos agora se incomodam com sua figura cambaleante. Ri nervosa. Quer fugir, odeia ser o centro das atenções. Burro. Igualzinho a você.
Fim da apresentação. Ela evita as questões. Os parceiros de grupo garantem. Ela precisa sair dali. E sai...
Não!
Antes vai responder à minha pergunta. Respiração ofegante. Suor frio. Coração acelerado. Juro que posso vê-lo batendo sob a camiseta. Foda-se. Tomo coragem.
Espera!
Oi, tudo bem?
Tudo.
Sorriso. Alívio.
E dentes amarelados..
