11.03.2010
Das primeiras vezes
Vi o alto dos prédios de uma maneira que não vejo nunca. Vi que alguns moradores reformam suas coberturas, lindas peças em edifícios feios. Vi algumas toalhas secando ao vento e pensei que ali no alto mal se vêem as feiúras. Senti o vento passar por aquele corredor de concreto que as fachadas encerram e que nunca percebo quando estou em meu curso normal. Vi os urubus dando volta em círculos e lembrei que, ainda que sejam urubus, existe vida além da nossa.
Num determinado momento pensei na ironia que seria se, de tanto olhar pra cima, tropeçasse ou perdesse um olhar que valesse a pena. Hesitei, mas naquele breve momento nada me privaria do prazer de sentir meus pés traçarem as mesmas retas de sempre, mas os olhos descobrirem uma geografia inteiramente nova.
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11.01.2010
Sobre a angústia
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10.31.2010
Sonzinho bom
ficar mais um pouquinho
para ver se alguma coisa acontece
nessa tarde de domingo.
(TR)
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10.25.2010
Nua em público
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10.23.2010
10.19.2010
Sobre mulheres e minúcias
Mulher é bicho esperto, sórdido e pequeno.
Vamo crescê, vamo?!
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10.13.2010
Sobre o medo
- Pra gente aprender que o medo é nosso melhor conselheiro.
Tom Zé.
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10.10.2010
De sonhos e de sono
Penso que morcegos não sejam animais propriamente fofos, mas compreenda que tudo o que é desenhado pode ser exagerado num sentido positivo. Assim meninas se dividem em porquinho-lovers, raposinha-lovers, sapinho-lovers, que foi o meu caso, e por aí vai. Acho mesmo difícil qualquer mulher que regule com a minha idade não ter tido um estilo de bicho ou personagem predileto, como o diabo da Hello Kitty e afins. Isso tudo é pra dizer que eu não sou uma morceguinho-lover, mas tenho muita saudade de uns morceguinhos que voavam num céu cinza de um pijama que teve que ser deixado para trás em certa etapa da minha vida (terei eu saudade dos morcegos ou da etapa?).
Isso tudo, mais uma vez, para falar de sonhos. Uma noite fui à Califórnia e visitei o Salk Institute. Eu queria ir ver aquele plano cortado por uma fonte, e tentava convencer minha companhia de que seria um momento incrível, um daqueles momentos quase religiosos que temos diante de algumas obras de arte. Não que ela não se dispusesse a ir comigo, mas eu olhava para a frente e para o alto e tudo o que via eram as linhas horizontais e verticais tingidas de concreto, convergindo para um céu azul e libertador.
E veja bem, doutor, eu penso cada vez mais que preciso ir à Califórnia, mas me perturba deveras o fato de eu não conseguir parar de sonhar com o pijama de morcegos (estarei eu realmente me referindo ao pijama de morcegos ou a quem o possui neste momento?).
E quando noto que confundo a ação, pois não estou certa de que sonho com a Califórnia e penso no pijama ou se sonho com o pijama (ou com ele) e penso em visitar a Califórnia, percebo que talvez o senhor esteja certo e sonhos e realidade desperta se confundam e tudo isso forme aquilo de que sou composta.
Porque nós somos a massa e os espaços entre a massa, certo?

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10.07.2010
10.02.2010
No meio do caminho e eu de saco cheio (Mashup poetry)
[No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra]
Parei puto da vida
Ali bem no meio do caminho
Abaixei, peguei a pedra
Lisa, cristalina, facetada
Vendi a porra do diamante
Por milhões de dólares
Com a grana paguei um oculista
Que me consertou as retinas fatigadas
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10.01.2010
A culpa é da maçã
1
A dieta recortada da revista feminina listava cardápios que Camila nunca teria coragem de comer. Proteína de soja tinha gosto de papel, purê de legumes dava trabalho para preparar e verdura só era comida se fosse para bicho, mas as frutas eram práticas e saborosas e, portanto, negociáveis.
Desta vez levaria a meta a sério, pensava, enquanto esticava os meiões tornozelo acima, de forma a cobrir toda a parte desnuda e rigorosamente depilada da perna, parte que escapava à sutil proteção da calça de lycra.
Tênis de corrida, os longos cabelos aloirados presos por um elástico, Ipod preparado e a moça curvilínea do espelho se despedia da outra, esta obstinada em emagrecer.
O tempo na esteira era empenhado ao culto à própria figura. Não se achava feia, muito pelo contrário, mas sabia que precisava perder peso. A concorrência estava grande e ademais, era difícil superar o fato de o último namorado tê-la deixado por conta dos quilos a mais. Claro que não foi isso que ele disse, mas ela sabia que era.
Sentindo-se incrivelmente mais magra, decidiu passar no supermercado para garantir a dieta, dirigindo-se diretamente às gôndolas de frutas. Parou, encarou as maçãs com um olhar de pouca intimidade, puxou um saquinho e começou a escolher as que lhe pareciam mais vermelhas e brilhantes.
Sua mente estava absolutamente vazia, absorta na tarefa de rejeitar os frutos com imperfeições, como este que... este que esse homem lindo acabara de pegar e fizera menção de jogar displicentemente em seu próprio cesto de compras.
Notou que era alto e que o rosto parecia desenhado delicadamente em contraste com a barba rala. Notou o cabelo anelado escuro e parcialmente grisalho. Notou os lindos olhos azuis e... sim, notou um sorriso.
Um sorriso para ela! Imediatamente pôs-se a sonhar com o dia em que diria para os amigos “num corredor de supermercado...”
Seguiu no transe até ser interrompida pela voz amistosa daquele que, elevando a maçã desprezada num ângulo em que só ela podia ver a mancha, se desculpava por tomar a fruta que originalmente lhe pertencia. A mão em concha exibia uma notória rodela dourada no dedo anular, elo perdido entre seu mundo onírico e o corredor do supermercado.
2
O homem chegou em casa ruidoso e muito atrapalhado, carregando sacolas e a mulher só desviou o olhar da TV para ajudá-lo mais de um minuto e meio depois, assim que começou o comercial.
Inventariadas as compras, iniciou-se uma tarefa muda de guardar os alimentos. O açúcar foi despejado pela metade no açucareiro e o restante foi para o pote na estante. As portas do armário foram abertas e algumas latas de conservas foram enfileiradas na prateleira, assim como os pacotes de macarrão e de biscoito recheado.
A mulher separou a parte perecível e colocou os ovos na geladeira, assim como a margarina e a caixa de Tody. As frutas foram retiradas cuidadosamente dos sacos e introduzidas na gaveta inferior, tarefa interrompida para atender ao pedido de uma lata de cerveja e retomada em seguida.
Enquanto abria a lata, ele observava com estima o trabalho desta mulher e o cuidado com que conduzia tudo na casa. Era uma mulher sem mais muitos mistérios, mas ainda bonita, mesmo depois de passados vários anos da maternidade. Uma mãe carinhosa e modesta nos gastos. Através desse pensamento certificava-se de sua escolha. Sim, pois após anos de farras incompatíveis com o estado civil, finalmente acreditava compreender o que era amor.
O terno sentimento de convicção foi violentamente interrompida por um xingamento seguido de um olhar irado e de uma queixa contra sua incapacidade crônica de escolher frutas, como esta maçã que empunhava com tal força que os dedos quase penetravam o halo marrom.
3
Bêbado de sono, cambaleou até a cozinha, abriu a geladeira, pegou a caixinha e a fruta, abriu o zíper da mochila onde guardou tudo e saiu apressado.
Encostou na parede do elevador e cochilou por dez segundos. Atravessou a rua sorumbático e continuou um delicioso sonho no ônibus - “ela é tão linda, e é tão minha...”
Um pouco mais tarde, o barulho estridente do sinal, longe de despertá-lo, lembrou a iminência de sua presença. Ela sempre chegava alegre e desperta e se movimentava muito. Achava-a tão bonita com aqueles cabelos amarelos...
Quando ela começava a falar – ela falava bastante - ele gostava de vedar os ouvidos com os dedos para vê-la mover os lábios. Assim tinha certeza de ouvi-la dizer dele coisas tão lindas quanto as que ele pensava dela. Mas havia aquela detestável hora em que o sinal tocava novamente e ela se despedia.
“Não desta vez”, pensou, cheio de coragem. A mão trêmula buscou o volume na mochila. As pernas traíam seu peso ao se levantar. O menino caminhou na direção da amada, o braço direito esticado, a mão apertando fortemente a maçã, a oferecê-la. Em troca, não viu mais do que um olhar maternal.
As gargalhadas da turma o invadiram. Seu olhar assustado buscava uma explicação para a súbita percepção de que sonhara demais. Os olhos doces da professora miravam aquela circunferência tão vermelha, maculada por uma gritante mossa mole e marrom.
A culpa é da maçã, pensou.
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9.25.2010
Prontofiz.
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9.23.2010
Flutuações
Você acabou, James, e sabe que eu não sou condescendente com sua figura decrépita. Mas descobri hoje que há muito você sabe que temos um encontro marcado. Hoje, em 1994. Você sabe que para isso precisa voltar e eu vejo que tem se esforçado. À primeira vista pareceu piada, querido, mas depois entendi tudo o que fez por mim e tive certeza. Porque em 1989 eu serei nova demais, mas foi 2011 o ano do encontro marcado.
Feliz 1994.
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9.22.2010
Papo casual entre amigas
Clara: Ahh... nem... acabou.
Manu: Mas por que, amiga?
Clara: Sei lá, eu não tava curtindo. Quero dizer, tava, mas acho que não como ele. Tava me cobrando muito.
Manu: Ele?
Clara: Não, eu mesma. Ele parecia muito a fim, sabe como é quando a outra pessoa tá ali demais, você desiste.
Manu: Sei. Sei e não sei, no começo vc queria tanto.
Clara: É, queria, e talvez ainda queira. Sei lá, dei uma sumida, mas ele andou me ligando. De repente eu atendo na semana que vem.
Manu: Isso, esnoba que homem gosta!
Clara: Hehe...!
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9.21.2010
Clara, por Daniel
Poxa, não entendi nada e demorei um tempo para processar as informações: a gente tava se vendo, eu tava curtindo e acho que você tava também. De repente você some sem maiores avisos. Olha, achei que você parecia uma garota legal e reluto em acreditar em algo diferente, mas como, se garotas legais têm mais personalidade ao saírem da sua vida? Você sumiu tão apagadinha, fugindo dos compromissos, não atendendo os telefonemas...
Mas não se preocupe pois a imagem que fica é a do seu cabelo voando no rosto num dia deste verão, dia com vento e com sol - saiba que tens em mim um amigo.
Daniel
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9.20.2010
Uma proposta
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9.16.2010
Sobre o tempo
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9.15.2010
Eu escuto as vozes ou transtorno obssessivo compulsivo
Eu que sou tão cuidadosa com as minhas coisas cismei de levar "A mulher de trinta anos" para ler no ônibus e perdi misteriosamente o livro. Olhei em todos os lugares possíveis, mas acho que o recado da idade tinha que ser passado a outra pessoa.
Agora não sei se compro novamente ou aceito o sinal.
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9.13.2010
9.08.2010
Partilha de bens
Devolve a minha ingenuidade
E o meu não te conhecer
Em troca lhe ofereço aquele botão
Que pulou da sua camisa
E que me desafia
Sorrindo em cima da cômoda.
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9.02.2010
Sobre crueldade
3° Você nunca vai conseguir me satisfazer.
2° Ele era horrivel, eu às vezes desviava o olhar pq olhar pra ele doía.
1° Não se apaixone por mim.
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8.18.2010
Da seção: o melhor dos piores foras
- Oi, tudo bem?
- Tudo... errr... cof, cof...
- Quer fazer alguma coisa hoje?
- Não dá, cof, tou doente, periga eu te contaminar.
- Ah...
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7.28.2010
Sobre pragmatismo e relacionamentos II
- Legal. E como está sua situação, você namora?
- Normalmente sim, mas agora não.
- Porque eu estou precisando de uma namorada.
- E pensou em mim?
- Sim. Topa?
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7.26.2010
7.08.2010
Niilismo anti-autoanalítico
Na verdade, trata-se de uma instalação executada por um jocoso estudante da Escola de Belas Artes, formando do ano de 2092, um riquinho filho de embaixadores e, portanto, primeiro estudante de Arte a ter acesso a uma máquina de teletransporte.
Voltou pra a pré-história para gozar com a nossa cara. Difícil foi recrutar aquele monte de chimpanzés proto-humanos para construírem as carroças que carregariam aqueles pedregulhos. Mas para estudante de Arte não tem tempo feio, feia mesmo é a cara da professora quando no dia da entrega ele aparece com uma despeitada roda de bicicleta enfiada num vaso sanitário e diz que é uma releitura de Duchamp chamada "Dadá essa merda", idéia que ele teve naquela mesma manhã, mas nem vou comentar aonde.
E agora a gente fica com cara de trouxa, olhando pr'aquelas coisas sempre querendo achar algum sentido maior. Ah, cansei de pensar no sentido das coisas, vou me abestalhar, viu?
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6.27.2010
Sobre apostas, crendices e o imponderável
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6.26.2010
6.19.2010
sobre o efeito
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5.15.2010
5.05.2010
Dos importantes motivos pelos quais apoiamos nossos times
- Botafogo, e você?
- Eu também.
- Mas por que?
- Por sua causa. E você, é Botafogo por que?
- Ah, tinha que ser algum, né.
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4.23.2010
Sobre pragmatismo e relacionamentos
- Oi. Também curti. Nao vejo a hora de ter meus sentimentos feridos por você.
- Prometo fazer o meu pior.
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4.19.2010
Matatempo
to ouvindo Roberto Carlos.. Detalhes. Voltou?
Lo diz:
E eu tou stuck at the airport till 2am. Não.
A. diz:
Que coisa. Porquai?
Lo diz:
Me propuseram um esticamento e puxa dos silviços pra vitoria, ES partindo do RJ amanha e voltando amanha mesmo. Chego no aeroporto e descubro q por alguma confusão, cancelaram minha volta pro Rio. Aí a melhor opção era partir daqui para Vitória e chegar lá amanha de manhã e voltar pro Rio de lá, amanhã.
A. diz:
"Tudo vai mal.... tuuuuudoooo". Que confusão. Não entendi nada. Vem pra sampa que é mais fácil!
Lo diz:
Conclusão: presa num aeroporto frio e impessoal na magnífica Paraíba, à espera de um vôo que me levará, após sete horas, ao estado mais ignorado da federação
A. diz:
ES? duvido, ainda acho que é o Acre.
Lo diz:
Na verdade eu acho que mesmo que é o Piauí, mas como há correntes que defendem que é o Espírito Santo, aproveitei para fazer a piada.
A. diz:
Piauí tá na moda. E como o cara mais genial que conheci até hj na vida, é de Vitória.. prezo pelo futuro deste Estado.
Lo diz:
Qui est?
A. diz:
Um cara que fez faculdade comigo.
Lo diz:
Ah, filósofo? Achei que fosse famoso, hahaha
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4.14.2010
Acordei desconfiando do que li
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4.13.2010
Teorias da conspiração
Ui.
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4.08.2010
Repente
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3.26.2010
Para ouvir em dias inspirados
Built upon a single note
Other notes are bound to follow,
But the root is still that note
Now this new one is the consequence,
Of the one we've just been through
As i'm bound to be the unavoidable consequence of you
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3.19.2010
Metáfora do pijaminha e demais testes de laboratório
Tentou a coisa do pijama uma, duas vezes, sempre obtendo a mesma reação. Somou aos resultados de outros testes de comportamento. Colocou-o numa gaiola, aplicou questionários não declarados, observava atenta enquanto o ratinho de laboratório girava a roda, contava os segundos que ele levava até descobrir o queijo, a quantidade de vezes que bebia água e fazia suas necessidades. Observou, anotou, examinou, avaliou... Concluiu por encerrar os testes e o namoro.
Se se arrepende? Desde que abriu a porta da gaiola, o ratinho segue a mesma rotina, gira a roda, demora a buscar o queijo, bebe água e defeca, sem nem atentar para a porta aberta, muito menos para a presença dela. Não, não se arrepende, mas admite que às vezes sente falta do tempo em que acreditou que os testes teriam um resultado mais positivo.
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3.16.2010
Sobre traição
O que torna as coisas ainda mais graves é que parte-se do princípio que se lhe fosse dada a chance de participar, vc poderia chegar a uma situação que não impediria o lucro alheio. Enfim, traição é quando alguém lucra sobre você ou sem você ou ainda apesar de você e não lhe avisa antes.
É que de repente eu sinto esse sentimento rondando...
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3.09.2010
2.21.2010
Princípios da termodinâmica
Zero: Você tem que entrar no jogo
Um: Você não consegue ganhar
Dois: Você não consegue empatar
Três: Você não consegue parar de jogar
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2.10.2010
Síndrome de professorinha
Talvez porque eu seja boba de achar que isso se aprende na "escola"?
Talvez porque eu seja boba de achar que eu tenha "a minha escola"?
Talvez porque eu seja boba de achar que as pessoas aprendem?
É, talvez eu seja boba.
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2.03.2010
Dos romances policiais e de como eles me cativam
Antes de colecionar títulos de Simenons, adorar Maigrets e aquela Paris tão apetitosa quanto criminosa, eu lembro de ter devorado uma coleção infantil que alugava na biblioteca da escola. Do João Carlos Marinho, lembro que tinha "O gênio do crime", "Berenice detetive", "O caneco de prata"... o resto não me lembro porque fazem pelo menos 15 anos, mas eram policiais para criança.
Sempre me diziam que romance policial era Agatha Christie, e Agatha Christie era romance policial. Durante os Simenons, tentei "O misterioso caso de Styles", primeiro dela e minha primeira tentativa. Não deu. Quem se rende ao charme austero e elegância silenciosa daquele francês sério não cede tão fácil às esquisitices espalhafatosas e meio histéricas do baixinho belga naturalizado inglês por opção. Não dá, muito falível. Tão falível quanto os enredos super elaborados e super inverossímeis da... como é que chamam aquela velhinha fofa...? Rainha do crime!
Sim, porque especular um livro inteiro sobre quem teria assassinado um pobre coisado num trem e no fim descobrir (spoileeeeeeeers) que foram todos os passageiros que o mataram, cada um com uma punhalada - sujeito bem quisto esse - é uma especulação vã. No fim, vc nem tentava mais imaginar o fim de história, ou melhor, até tentava, pq eram fins tão inacreditáveis que era só vc criar umas 3 possibilidades absurdas que já estava participando ativamente da leitura do livro, perfeitamente como um romance policial deve ser lido.
Então peguei o jeito dela. Li muito os Poirots e as miss Marples da vida. Li nervosa e avidamente. Comprava pilhas em sebos, aprendi a ler melhor em inglês e forcei a barra no francês para poder ler títulos que não encontrava em português. Entrei para um grupo de discussão sobre Agatha Christie na internet. Colecionava livros e trocava idéias com pessoas que tinham a mesma esquisitice que eu, essa tara por romances policiais.
Sei lá como foi que parei. Acho que durante a faculdade, a necessidade de ler sobr esgoto e concreto armado inibiu minha fantasia. Não parei de ler, mas já tinha lido praticamente tudo da velhinha evil e não achei uma coleção à altura. Me recusava a ler Poe, deve ser preconceito, mas o pouco que tentei, achei-o sanguinolento demais e meus métodos eram mais... psicológicos. O Sherlock Holmes eu jogava no mesmo pacote. Nem mesmo o sir na frente de Conan Doyle me intrigava o suficiente para que eu experimentasse esse inglês de charuto e chapéu engraçado.
O Rubem Fonseca às vezes funcionava. Tem uns romances policiais bem apetitosos, que não ofuscam as suas outras qualidades. Mas não é o mesmo tipo de romance policial, o Mandrake e outros detetives dele são uma delícia porque são malandros, errados, sujos e fortes, mas um tanto canastrões, como quase todo herói brasileiro.
Um dia caiu nas minhas mãos um Luiz Alfredo Garcia-Rosa. Gostei. Seco e ambientado em Copacabana, Princesinha do mar e minha região afetivo-geográfica. Mas só li esse. Anotar: comprar mais.
Então, tudo isso para dizer que eu me apego aos detetives e investigadores dessas histórias policiais alucinantes. E sou fiel a seus métodos até que algum acidente desvie meu rumo. Hoje a culpa foi do Guy Ritchie que conseguiu tornar o Sherlock muito mais interessante e muito mais meu tipo do que aquele old man, duro e sem graça que eu tanto desprezava. Acho que vem pela frente um mote, um novo tema de leitura. Acho que caí de amores, indeed.
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2.01.2010
Latitude -23° 32' 51'', longitude 46° 38' 10''
não se imagina mais viver sem água
faz um calorão até a metade do dia
e depois escurece, cai um mundo
vira Veneza durante uns dias
aí, fica até romântico...
Se vc vier conhecê-la,
levo-te para andar de gôndola.
1.28.2010
Na vida como pipocas
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1.25.2010
Paulo Mendes da Rocha
O senhor morou no edifício Copan? Como foi essa experiência?
Morei bem mais tarde. Se você quer continuar nesse tom de crônica da cidade, morar no Copan foi uma maravilha, como usuário. Porque lá você põe uma sandália qualquer, veste por cima do pijama uma capa de chuva e vai comprar jornal na avenida São Luís, no domingo, numa boa. Fiquei muito amigo de uma figura extraordinária, um espanhol que tomava conta de toda a parte de comida do Hilton [hotel hoje desativado, situado vizinho ao Copan]. Eu tinha um arreglo com ele: atravessava a rua, aos sábados e domingos, ia para a sauna e para a piscina do Hilton. Nadava e ficava por lá, de frente para o meu apartamento, que estava na mesma cota. Tomava meu gim tônica e depois ia para casa almoçar. Uma vez recebi em São Paulo um primo que não sabia onde eu estava morando. Ele veio jantar comigo. Convidei-o para tomar um aperitivo no bar do Hilton. Ficamos ali bebendo e, lá pelas tantas, o barman - que estava de frente para o meu apartamento - me avisou: “Olhe, já estão chamando para o jantar”. Tomamos o último gole, chamei meu primo, atravessamos a rua e fomos jantar, e então ele conheceu a minha casa. Havia um sinal combinado entre mim, a cozinheira e o barman, um contínuo piscar de luzes, que anunciava que a comida estava pronta. Morar na cidade é desfrutar de tudo isso.
(http://www.arcoweb.com.br/entrevista/paulo-mendes-da-rocha-agora-posso-11-07-2006.html)
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1.20.2010
Sugestão para uma cidade invisível
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1.11.2010
12.18.2009
Mau humor
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12.07.2009
Pra fechar a festa
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world
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12.02.2009
Virgem - de 23/08 a 22/09 - regente: MercúrioSe surgir uma saudade dos velhos tempos, talvez seja bom lembrar que antigamente não tinha antibiótico, anestésico; a falta de higiene matava. Havia menos gente, mas a maioria sempre muito pobre e os poderosos mais abusados. Os podres de ontem não eram melhores que os de hoje.
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12.01.2009
Das coisas que só lembramos de não fazer quando já é tarde demais para consertá-las
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11.28.2009
A vaca atolada e o barreado
Conta a lenda que o gado encalhado ao longo do caminho de terra alagado rumo às Minas Gerais influenciou o batismo do prato, que consistia em uma carne de costela banhada na gordura com fins de conservação. Cozida por por menos de 2 horas e acompanhada de mandioca, era a fonte de energia dos tropeiros. Também há outra lenda de que date do tempo dos escravos, que quando uma vaca encalhava em um atoleiro, era sacrificada e ia para a panela.
O barreado deve seu nome à panela de barro em que é cozida. A carne, que deve ser uma peça fibrosa tipo músculo ou coxão mole, é cozida sem osso, sem gordura e com condimentos na panela de barro, coberta com folhas de bananeira e vedada com uma argamassa de farinha de mandioca e água para que o vapor não escape. Deve cozinhar em fogo baixo por não menos do que 12 horas. É servido com farinha de mandioca e banana. Alguns registros dizem ter tradição de 200 anos. Outros, 300. Há certas informações de que antigamente, para vedar, preparava-se dentro da panela enfiada num buraco de terra, daí o barro.
Hoje em dia, ambas vão bem servidas com uma cachacinha.
Regionalismos, comidas típicas, lendas... Seja como for, neste fim de semana tenho expectativas de alta culinária e boa companhia!
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11.26.2009
11.18.2009
11.02.2009
A presença de Monica
Estabeleceu residência fixa em um quarto-e-sala discreto, silêncioso, e só sai de casa em dias especiais, sempre de batom vermelho. Na última vez que saiu, causou um furacão na minha vida.
Eu, que sempre apreciei sua aparição, estou tendo que me adaptar à sua presença constante e às suas investidas para me converter por completo. Afinal, de que me valeria resistir?
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10.30.2009
Pílulas de sabedoria travecóides
(adaptado da fala de Maria Bakker, portuguesa, self-filósofa reclusa e glamourosa personagem traveca de Morrer como um homem)
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10.25.2009
Sobre âncoras e experiências religiosas
O Japão sempre foi pra mim a personificação da distância. E a distância tem um quê de libertador.
Explico-me.
Aqui eu sou Eu. Esse Eu que construí nos últimos quase 30 anos. Esse Eu que tem uma família, um círculo de amigos, uma conduta irreparável, ou quase, hehe. E viver aqui é certamente muito bom, faço coisas legais, conheço pessoas e lugares legais... mas estou sempre presa dentro do meu próprio corpo e das experiências que já dizem respeito a essa pessoa que eu já sou.
Imagino andar por Tokyo e ver todas aquelas cenas que vemos em filmes. E conhecer aquelas cidades em que a paz e a religião moram naqueles templos cuja arquitetura nos é tão exótica. E entender como essa gente pôde edificar sua cidade e sua vida baseados em crenças às quais não partilhamos, e conhecer uma gente para quem toda a história do mundo ocidental não determina toda a sua arquitetura e nem mesmo a construção de seu caráter. Gosto de tentar entender a relação dos japoneses com os animais, longe dessa nossa visão ultrapredadora, como eles parecem lidar com eles desse jeito ingênuo. Queria assistir um kabuki e entender qual a graça, porque homem vestido de mulher pra mim só faz sentido numa comédia ou num carnaval...
Tenho a impressão de que no Japão as experiências seriam tão novas e incríveis que diante delas eu decididamente não poderia reagir como a mesma pessoa, e isso faria de mim alguém novo, e me libertaria dos limites do meu corpo. Quase uma experiência religiosa mesmo. É, é isso. É difícil desamarrar a âncora, mas de agora em diante acho que quero experiências religiosas...
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10.24.2009
To be or not to be: algumas questões primordiais da existência humana
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10.21.2009
10.20.2009
Falta de respeito nível micro
Fulano ouvindo o rádio no celular no metrô, musica baixaria no volume máximo. Ei, eu não sou obrigada a ouvir a sua música em meios públicos! Independente da eventual qualidade ou não do meu gosto musical, ninguém é obrigado a gostar das minhas músicas! Será que o mau gosto proud não notou isso?
Pareço uma velha antiquada quando reclamo da vida e dos costumes. Mas ressoa na minha mente a velha sentença (de morte?) "é por isso que o Brasil não vai pra frente". Dá pra ter esperança quando vc percebe que a falta de educação e respeito começam no nível micro?
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10.18.2009
Sunny
Eu quero ir embora
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10.16.2009
Random feelings
O fato é que não entendo como, às vezes não entendo nada desse mundo. Não sou afeita a crendices que garantam a boa sorte, me choquei quando soube que devem-se guardar os restos do bolo de casamento no freezer por um ano para ser comido no primeiro aniversário de casamento para garantir a felicidade conjugal. Pensei logo nos noivos vetando a satisfação gorda dos convidados ao perceberem que estes avançavam na sua parcela de alegria eterna. O próprio casamento às vezes me é tão estranho... esses costumes... para mim, a união é obviamente importante, e festas devem ser celebradas sim, para qualquer evento feliz. Mas a festa de casamento, nos moldes das festas de casamento que tanto frequentamos... tem tanto costume bárbaro...
Enfim, mas não é só por isso que fico tentando entender porque eu não pertenço a esse mundo. Eu acabo de aderir ao movimento "the lying down game". E estou muito empolgada para bater a minha foto lying down hoje a noite, na celebração de mais uma noite feliz. Isso sim, pra mim, faz sentido: a celebração da ausência quase absoluta de sentido nessa vida.
Afinal de contas, como acreditar que a vida faz sentido, se, à espera de um milagre, o milagre parece acontecer a 2 metros do meu portão? Não, não estou descrente. Só acho que a vida não faz mesmo sentido, como diria meu amigo Ferfer, São Randão age por nós para que não precisemos dar um sentido absurdo aos nossos atos. Amém.
É por isso que hoje vou tirar minha foto lying down. E ser feliz. E celebrar a insensatez da vida.
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10.15.2009
A arte de fazer as perguntas certas
Não seria tão bom saber fazer aquela pergunta desconcertante na hora oportuna? Pois bem, será o tema da minha próxima semana.
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10.14.2009
Chegou o verão
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10.10.2009
Niilismo I
(Beckett, em "Esperando Godot")
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10.08.2009
Toda beleza é meretriz?
Fredric Jameson
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10.05.2009
10.04.2009
Sobre a paixão
Deixei de atender telefonemas e dei desculpas esfarrapadas pra as ligações que tentaram me tirar de minha atividade. Era paixão, na certa.
À noite achei por bem parar um pouquinho. Mas estava evidente que fazia tempos que não sentia algo assim. Saí mas voltei correndo para casa. Não consegui me separar do objeto da minha paixão com facilidade - viciei.
Afinal, não é todo dia que vc se apega assim a alguma história, dessas que vc gruda, não quer perder um segundo sem ler, vira amiga de infância do personagem principal e até chora de emoção quando o livro acaba.
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10.03.2009
Ai ai ai ai ai
Para não, tá bom demais!
Ai ai ai ai ai
Vem com tudo, eu quero mais
Tô fervendo, tô no ponto, eu dou no primeiro encontro
Se você for tarado, vem que eu gosto do babado
Vem com tudo nesse clima, ou me come ou sai de cima
Vem por trás, meu cachorrinho, também gosto do bichinho
Se você não me acalmar, baby, a fila vai andar
Não nasci pra ser noviça, então vê se não me atiça
Mostre que tu é meu macho e sossega esse meu facho
Tô ficando molhadinha, quero ser sua bonequinha
Beija logo minha boca e arranca a minha roupa
Com dedinho e a linguinha
Vem, me deixa maluquinha
Depois faço minha parte que eu sei fazer com arte
Te aqueço, enlouqueço, só pra ter o que eu mereço
Tô carente, tô na seca, satisfaz a tua preta
Vê se agarra a minha bundinha, me chama de danadinha
Assim vou pro paraíso, vou gemendo num sorriso
E num êxtase total vamos juntos ao final
Nem sei se consigo tecer um comentário crítico, ou melhor, não sei se algo nessa letra ainda não fala por si só. Mas se restar alguma dúvida, basta ouvir o clipe do pseudo-funk no Youtube. Desde a interpretação até a harmonia musical, é algo assustadoramente tétrico.
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9.25.2009
Atoron!
quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu pro tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem
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9.23.2009
Minha autobiografia de C.L.
Quero ser ucraniana
E falar com o coração
Pois misteriosa a ponto de não me reconhecer eu já sou
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9.21.2009
Toda Monica canta
Toda descabelada
Completamente arrependida
Do que aconteceu
Tomei cachaça
E fumei como
Maria fumaça
Completamente arrependida
Do que aconteceu
Não teve a menor graça
Tudo isso eu sei que passa
Mas não passou...
Eu não sou nenhuma santa
Eu não sou nenhuma santa
Eu não sou nenhuma santa
Toda bêbada canta, la la la
La la la la la la la
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9.16.2009
Mais uma de amor
O amor é uma companhia (Alberto Caeiro)
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
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9.13.2009
Eu já sabia!
Os homens fofocam sobre a vida dos outros duas vezes mais do que as mulheres, e 80% das conversas masculinas são sobre os outros. É o que indica uma pesquisa feita com 300 pessoas na Inglaterra pelo psicólogo Nicholas Emler e divulgada este fim de semana pelo jornal britânico Daily Mail.
Segundo Emler, a fofoca costuma ter uma reputação negativa, mas também tem uma importante função social. A troca de informações ajuda a estabelecer laços entre as pessoas, diz o psicólogo, e pode fortalecer a confiança entre indivíduos. Porém, muitas vezes a fofoca é uma forma de evitar a intimidade, já que falar do outro costuma ser mais fácil do que falar de si mesmo.
- A fofoca ajudou na evolução da linguagem e no desenvolvimento de sociedades complexas. Mas ela é como uma faca de dois gumes. Se por um lado fofocar é do ser humano, também pode arruinar relacionamentos - disse Emler ao jornal.
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9.12.2009
Water and bed
Mas alguma coisa deu errado no meu plano mirabolante e a coisa sugeriu "give up, from now water and bed for you". Acho que vou acatar...
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9.09.2009
Pequenas maldades ou a maldita da maldade
1 - Será que para se sobreviver nesse mundo devemos ter uma carga de maldade? Maldade de fazer coisas más mesmo... Só ser legal não leva a lugar algum, porque ninguém quer por perto um exmplo de dignidade, beleza, "beatitute"?
2 - Pequenas maldades, em mensagens subliminares não bastam, temos mesmo que fazer maldades descaradas, pelo menos alguminhas?
3 - Maldades nos rehumanizam e nos tornam mais atraentes?
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9.04.2009
Teorias da conspiração versus só o amor salva
Ele acha que estamos imersos num mar de maldade e como não quer ser dominado sem resistência, pretende se filiar a um partido libertário, que atualmente apenas aguarda algumas centenas de milhares de assinaturas para se oficializar.
Acha também que o papel da mulher na sociedade atual se perdeu, que um dia tivemos status, mas desde que nos emancipamos, tornamo-nos meras geradoras de receita através de nossos impostos de renda, que antigamente era vinculado ao do marido através da instituição família. Seríamos uma criação do Banco Central, e como consequência última disto, pirigueteamos na night sem obtermos o mínimo de respeito por parte dos XY.
Tudo isso parece até bastante coerente quando ele fala. E confesso que me deixo seduzir em parte por tantas ideias que justificam a esquizofrenia em que enxergo viver. Mas admito também que, por diversão, passei a noite contradizendo-o, defendendo a aleatoriedade da vida e da descrença nessa organização do mal, baseando-me na dificuldade de organizarmos a nossa própria escrivaninha, a partir do que, seria difícil acreditar que qualquer instituição seria organizada o suficiente para perdurar tanto tempo, ser efetiva e não acabar em pizza...
Mas aí, emendei num raciocínio que quem me conhece bem sabe que já faz parte do meu ser: só o amor salva e all we need is love. Claro que não significa que vamos nos amar por aí e alienarmo-nos de tudo. Mas eu realmente acho, polyanisticamente falando, que atingiremos um grau tal de desenvolvimento tecnológico, econômico, cultural, filosófico, enfim, desenvolveremos de tal modo a infraestrutura humana, que ficaremos capengas exatamente naquele ponto do qual partimos quando nos diferenciamos dos animais: a capacidade de sentir e de realizar afeto.
Ou seja, quando nos virmos cheios de opções em termos contingenciais, veremo-nos também esvaziados de conteúdo para aproveitar devidamente estas opções. Aí é que entra Pollyana: eu realmente acredito que as melhores pessoas vão perceber isso. E vão perceber que não adianta sair por aí vivendo tudo, sugando tudo, adquirindo mil gadgets e para descartá-los em seguida sem ter utilizado 10% de suas funções, inventando novas modas e paixões que preencham um vazio existencial, beijando o mundo inteiro, panssexualmente, e nunca achando que se atingiu o topo...
Então, se isso é ser Pollyana, eu devo ser. E espero o melhor dos outros. E quando não o obtenho, fico triste, mas nunca o imponho como sugeriu meu amigo ("quando vc gostar de alguém, nunca espere, imponha o seu respeito"). Mas a clarividência vem acompanhada de paciência e tolerância, por isso sigo esperando e acreditando que as pessoas serão sempre melhores. Eu, que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar, prá não faltar amor.
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8.31.2009
I get a kick out of you
Gato
Encontro um gato em segredo
O silêncio do velho telhado não deixa supor
Que entre miados de gemidos
Não é o seu que enxergo quando mio de amor
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8.29.2009
Sobre mudar
Não precisa ser de apartamento, de escola, de trabalho, de marido... tudo isso é o cenário. Acho que mudança mesmo é o que acontece de dentro para fora.
Agora tou cansada demais para pensar nisso e vou dormir, mas a estação de morangos acabou e pressinto que o calor virá acompanhado de mudanças.
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8.24.2009
Querido, fui ali na Ortobom e já volto
Sempre que passo ali fico com vontade de parar e dançar, são clássicos e mais clássicos dos anos 70, 80, 90... I will survive, Like a Virgin, Oh L'amour (siiim, Erasure!). Tem tb um Hip Hop para agradar ao gosto dos compradores mais moderninhos, Justin, rihanna e afins.
Ah, Copacabana... tanto nome e desgramour...
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8.21.2009
Pessoas são estranhas
Rostos olham feio quando você está sozinho
Mulheres parecem malvadas quando você é indesejado
As ruas são irregulares quando você está pra baixo
Quando você é um estranho rostos vêm de fora da chuva (chuva, chuva)
Quando você é um estranho ninguém lembra seu nome
Quando você é um estranho
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8.14.2009
Expurgo
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8.12.2009
8.06.2009
Cair faz parte da vida
O saldo, além do mico, foram inchaços e roxos na mão esquerda e joelho direito.
E o pior é que eu gostei!
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8.03.2009
A vitrine
Durante a semana, lojas me deixam louca. Nos fins de semana, lojas me deixam louca de pobre. Ansiedade é uma merda. Um dia vou rir disso tudo, enquanto farei compras na Prada em NY. Porenquanto vamoquivamu.
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8.02.2009
Eletrorroque
A percepção começou no "Rockinho". Algumas caras felizes e bobalhonas mal denunciavam, mas de uma maneira geral, as feições estavam alteradas. Até que um sujeito simpático verbalizou: "que porra é essa, achei que viria aqui para ouvir as guitarras elétricas e tudo o que ouço é esse eletrônico pretensioso". D'accord.
Ponto dois. Myspace, rádio pop, MTV - assisto, prontofalei -, até no jornal li sobre a banda de maior pronunciamento no cenário rock (cools adoram citar o cenário, né não?) vinda lá daquelas bandas daquela península exportadora de tendências musicais. Esqueci o nome agora - Friendly Kiss?! Por aí -. Enfim, tomei um susto. Pas d'accord, era eletrônico!
Ponto três. Após a morte do Pandora e da aposentadoria do Last.fm, I found myself uma rádio candidata a minha rádio favorita de internet, a "Future Perfect Radio". As bandas que se dizem rock só tocam eletrônico, e o vizu dos artistas é todo EMO!
Ponto final. Não, o problema não está nos lugares que frequento nem nas rádios que estou ouvindo. O problema é que o tempo passou e talvez a resposta àquele famoso dilema sobre a morte do rock e o que mais haveria de se inventar depois do que se inventou nos anos 60 esteja vinculada ao que o computador e sintetizadores e sei lá mais que aparelhos ultra mega eletrônicos possam fazer com as ondas sonoras e... termos técnicos que eu não domino.
Eu só sei que isso tudo pra mim soa como eletrocho(ro)que.
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