8.11.2012

Teia

Essa arainha subversiva é a cara de um sujeito que conheci, playboy até o talo, no bom sentido, no sentido original, aquele que sabe viver a vida, que sabe fazer as coisas bem direitinho, mas a seu modo, e que não entende porque tem que fazer como todos fazem, ou como lhe dizem que se faz. Teve todo o tipo de gente à sua volta, mas seguiu o caminho que os melhores lhe permitiram, ou seja, qualquer caminho. Pôde tentar tudo, pôde fazer qualquer coisa que julgasse legal, bonito ou valioso. E agora, não muito cedo, mas nem tão tarde assim, se deu conta de que pouco importa o quão irregular a sua teia é, há uma teia e ela é a teia dele.

4.02.2012

Etapas da paranoia, ou I'd better go to sleep

1 - Checo meu e-mail, não há nada;
2 - Entro num site, acho uma informaçãao relevante, seleciono copy;
3 - Abro um e-mail endereçado a mim mesma, seleciono paste;
4 - Envio o e-mail, abro outra aba e começo a brincar no facebook;
5 - Vejo a abinha do e-mail indicando "Entrada (1)";
6 - Me alegro, fico bobinha, clico na aba do e-mail e vejo. Era a minha própria mensagem. Clico em cima e leio, já cheguei até aqui mesmo...


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12.14.2011

Transfiguração de um mapa bidimensional em um sonho de mais de cinco sentidos

Abro o mapa da escola e noto que já caminhei nos corredores desse lugar, chegava com sono pela manhã e depois de me instalar em uma cadeira, despertava ao sentir o cheiro do café. Ouvia a aula e a princípio tinha dificuldade com aquela nova sonoridade, mas entendia, apesar do nervosismo e medo de não estar entendendo. Entendia sim.

Foi há poucas semanas quando sonhei que frequentava a escola. Tinha amigos ali, que lanchavam comigo na cafeteria e abriam pacotes de bolinhos nem tão gostosos assim, um gosto de bolinho de fast food.

(O frio fora e a calefação dentro. Nunca a temperatura certa)

Sinto saudade do futuro.


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11.12.2011

Sobre a perfeição

Uma coisa assim... tipo pudim de leite moça com a parte externa meio queimadinha.


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9.28.2011

Até a metade

Ficar na metade é um completo frustrado ou é muito mais do que o nada?

ps: sem essa de copo.


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9.26.2011

o copo do meu avô

Um copo largo, raso e serigrafado de amarelo com florezinhas azuis oferecido e sorridente. Dentro, um líquido dourado e duas pedras de gelo. Fora, um senhor polido, de postura rígida e com um sorriso caridoso no rosto. Foi assim a primeira vez que provei daquela bebida perfumada, com um gosto de "coisa-que-nunca-vou-gostar", e lembro que no primeiro gole senti um mal estar que não melhorou nada, nem com a infeliz tentativa de enfiar goela abaixo, sem esquecer de esfregar bem na língua para limpar as papilas gustativas, um pedaço de Pumpernickel puro.

O senhor era meu avó e a bebida era whisky. Todos os dias, meia hora antes da refeição, Pumpo preparava seu Schnaps e bebia, acompanhando minha avó em seus últimos preparativos para a singela refeição que se aproximava. Singela porque nunca a refeição na casa dos meus avós foi uma cerimônia, ou um momento especial. Era simplesmente assim, meu avô no aperitivo, minha avó no fogão, os pratos dispostos sobre a mesa e os dois naquele diálogo Mags du? Mags du? E eu repetindo com um risinho de quem acha que está falando algo inteligente "maxtuuu, maxtuuu".

Recentemente, fucei o armário atrás de um copo digno para beber e oferecer uma dose de whisky à minha visita. Encontrei lá no fundo o copo amarelo. Senti saudades do meu avô e dos seus olhos verdes carinhosos.


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8.22.2011

Roubo sincero

E quando você pensa que mais nada pode surgir de criativo de dentro de vc, vem aquele seu mano, parceiro na criação vadia com uma proposta de fotopoiesis (aka foto safada) e te prova que realmente vc anda num bloqueio criativo. Aí vc se inscreve num curso hypado sobre criatividade e nem assim... aí vc decide que vai roubar. Roubar, mas com todo amor e carinho.


Obra: "Tarefa inglória ou busca ilusória? Mesmo com todo esforço de memória, não sei dizer qual prateleira conta mais história..."
Artista: Poeta Germânico
Tipo: fotografia com Photoshop (fotopoiesis)
Ano: 2011


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7.27.2011

Não

Voltei com força total no copy/paste por conta de uma canção que muito diz a respeito do que não. Não, não e não.

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, no presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam com o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
E nada mais



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5.25.2011

Chico... O Chico

Ainda no tema músicas, devo dizer que sambinhas de Chico Buarque me fazem ter aquele sentimentinho, uma saudade do que eu nunca vivi, nunca fui e de alguém que eu nunca conheci. Vai explicar...


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5.08.2011

Ao longo de uma canção

Ouço "Bem que se quis" no rádio e eu lembro que, sentada numa cadeira dessas pesadonas de madeira, na frente de uma mesa igualmente pesadona de madeira, ocupava-me de comer um salgadinho, que me garantiria a possibilidade de emendar num sorvete-chiclete, esses sorvetes numa embalagem de plástico cônica com uma bolota de chiclete embaixo. Enquanto isso, o vizinho em sua mesa também aproveitava o sol lindo, incrível, abundante que fazia lá no alto do morro do Lagoinha, quando aquele lugar delicioso era um clube de lazer frequentado por artistas, políticos ou simplesmente moradores de Santa Teresa. Sobre a mesa, uma revista de domingo do JB com o rosto da Marisa Monte, recém ovacionada como artista revelação do ano de 1990 ou alguma coisa nos arredores.

Nossa maior diversão era descer as longas escadarias que mais pareciam uma trilha em Machu Picchu do que o caminho que nos guiava à onírica piscina do clube Lagoinha. Como era bom ser criança naquele clube, e brincar com as primas, e conhecer outras crianças, e participar de gincanas, e comer coxinha de galinha - a melhor coxinha do universo - e chupar picolé de chiclete, e ver aquele montinho de jornal e não pensar que seria importante ler, e ver o rosto da Marisa Monte na capa com uma chamada para a música Bem que se quis e pensar... e não pensar, não pensar em nada, porque jornal, revista ou qualquer fonte de informação com o mundo era coisa de adulto, aquela gente grande e estranha que não sabia nem se divertir num clube no domingo.

O meu negócio era brincar e ser feliz, porque na segunda-feira vinha uma nova e dura semana, com 4 horas diárias de escola, coisa de criança séria, adultinha mesmo.


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5.05.2011

Sobre a felicidade e o desapego

Felicidade é desapego.

(Será?)


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4.28.2011

Sobre o amor

Porque no amor quem perde quase sempre ganha.


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02:06 a.m.

eu:
vou ter q tomar banho gelado
A: como assim?
ah.. entendi.
eu: eu nao consigo dormir sem tomar banho, e como hj nao tah dos dias mais quentinhos, vai rolar um picolézinho no banho
A: vai de toalha num vizinho.. certeza que ele faz essa gentileza.
eu: hahahahahahahahahaha
A: vai por mim, tem muita gente boa nesse mundo
eu: hahahahahahahahhahah
palhaço


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4.27.2011

Daquilo que o cerceia

Notei: faz tempo que não leio o jornal.

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4.21.2011

Los Hermanos e a rádio nostalgia

Delícia ouvir a rádio MPB nos dias de semana à noite, especialmente naqueles que antecedem finais de semana e feriados. É uma máquina de transporte no tempo. Do bem, dessas que trazem boas memórias.

Ouvi o Camelo cantar que "não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer" e lembrei do dia em que, com aquele brilho nos olhos, perguntei: você gosta de Los Hermanos? E, que felicidade, ouvi que sim.


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4.16.2011

Sobre o momento II

Abandonado isso aqui está. Ser feliz me ocupa o tempo novamente, aquele torpor não criativo.


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3.22.2011

This one goes out to the one I love

Please do tell her that I am harmless and that he's still in love with me and that he can't marry her and that he is not that cold and that he can't get back with her and that she can't punch me that way so that I won't love her anymore and that she's so pretty that I hate her and also that he's so deeply crazy that I despise him and that she is so cute that I envy, better, love her, and that everyday I see him and his cute face, and that every month I read her warm e-mail and that for today I don't know why, I just remember them all.


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3.17.2011

O mais perfeito baile de carnaval (Brás Cubas)

O maior e mais animado baile de carnaval de que se tem notícia começou há tanto tempo que nem os freqüentadores mais antigos se lembram quando e como chegaram aqui. A julgar pela animação, parece que não vai acabar tão cedo.

O mais antigo baile de carnaval de que se tem notícia é tão democrático que admite desde realeza até mendigo, com fantasia ou nu, nada é proibido. Aqui vale a máxima de que é proibido proibir, mas nem seria necessário, pois ninguém julga ninguém.

O mais redentor baile de carnaval de que se tem notícia é um baile sem máscaras, em que cada um pode ser o que é, o que foi ou o que deseja ser. Dizem, porque nunca se pode ter mesmo muita certeza e honestamente, este champanhe está me deixando um pouco tonto.

Nesse momento, por exemplo, avisto Napoleão Bonaparte. Acabou de levantar o rosto de uma poça de vômito, onde ainda jaz seu sinuoso chapéu imperial, e recolher um globo ocular que lhe escapara. Ébrio e um tanto louco, gargalha, encaixa a bolota de volta no buraco negro acima da maçã direita do rosto e pôe-se a admirar a linda panturrilha que se oferecia faceira, logo ao lado.

Acima da panturrilha, uma coxa e sobre a coxa, uma bacia coberta por uma saiota de baiana, uma cinturinha morena e macia, um par de seios perfeitos sob um tecido de babados branco, um colo, colares brincalhões, um pescoço lindo e moreno... e só. Não se via a cabeça da baianinha.

Esses europeus sempre se renderam ao gingado da mulata. E a dança que se seguiu estava tão engraçada e bonita de se acompanhar que mal se notava o horror de ver o imperador baixote tentando acompanhar o rebolado perfeito da morena sem cabeça.

Ao lado deles, doze ninfetas de pele pálida e lábios lilases vestidas como borboletas riem e jogam beijos para um grupo de seis belos gregos. Pobres coitadas, seduzidas pelo jogo de esconde-esconde das túnicas esvoaçantes, mal notam que tudo o que os deuses gregos fazem é olharem-se, beijarem-se e acariciarem-se.

Subitamente, Cleópatra me tira para dançar. Pego de surpresa, eu giro e caio nos braços de uma loura selvagem, que me sorri e propõe:

- Take it! Take another little piece of my heart now, baby!

Eu sorrio e me recomponho. Que eu me lembre, ninguém solicitou que eu relatasse alguns momentos do mais picante baile de carnaval de que se tem notícia, mas me sinto em tal obrigação já que o compadre Nelson Rodrigues e os outros jornalistas de plantão parecem ter aceitado a proposta do demônio de chifrinhos pisca-pisca e nesse momento, bebem um Dry Martini enquanto negociam um aumento de salário.

Mas nem tudo é agitação e paganismo no mais movimentado baile de carnaval de que se tem notícia. Duzentos e sessenta e três papas revezam-se numa missa voltada para os que se arrependem dos excessos, coros entoam cânticos religiosos e dizem até que Sidarta Gautama levita sob uma árvore desde o início da festa, mas como já mencionei, tempo aqui é uma questão muito relativa.

E por falar em relatividade, aprendi que devo evitar os físicos e demais cientistas. Não conseguem tomar parte na festa, e por algum motivo inexplicável, ficam tão eufóricos que não param de trabalhar, pesquisar, e nunca falam coisa com coisa. Alguns dizem ter descoberto o sentido da vida. Particularmente, acho-os todos uns chatos.

A atmosfera varia de leve como as plumas que voam do vestido da melindrosa a pesada como a expressão esgotada dos soldados das grandes guerras. De tempos em tempos as canções de carnaval esgotam e a banda arrisca uma marcha fúnebre. Nesse momento, os risos e as brincadeiras são substituídos por expressões estranhas, como se uma mesma consciência macabra houvesse passado na cabeça de todos os convivas. Mas logo a banda toca um hino nacional de algum país asiático quase desconhecido e meia dúzia de nacionalistas animados puxam um coro seguido por milhares de “lá-rá lá-rás”, e assim as preocupações se vão dissipando.

Nessa festa vive-se exclusivamente do presente. Todos riem, conversam e dançam como se não houvesse amanhã. Na realidade, não se sabe mesmo ao certo se vai haver amanhã, assim como ninguém se lembra exatamente do que aconteceu antes de vir parar aqui.

O mais perfeito baile de carnaval de que se tem notícia é como a vida deveria sempre ser: ninguém sabe bem de onde veio e nem para onde vai, sabe-se apenas que a música está boa e que não vale a pena ir embora, ainda.


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3.16.2011

Do s(S)oneto

O lance da Alice é a gente acordar dentro da gente. Loana. Decidi que esse ano vai ser diferente de todos os outros. Por isso entendo e respeito tudo o que você disse.

(Rá).


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3.15.2011

Nota zero

Essa noite sonhei que fazia uma prova de geografia - sempre foi das minhas piores matérias, ou ao menos das que menos gostava - e 5 minutos antes da hora eu me dava conta que havia lido muito mal e que não ia conseguir reponder nada. Sabia que havia algum assunto que relacionava 44,44% de alguma coisa e 52,08% de alguma outra coisa, mas não sabia bem o quê, e ficava tentando procurar no livro naquela última choradinha de estudo que se faz na carteira antes da distribuição da maldita.

Quando lia a prova, via que das 5 perguntas, só saberia responder - e mal, a 1 questão e meia. O resto era zero redondo.

Nada de incrível nesse sonho, mas faz tempo que não tenho assim sonhos angustiados com escola e achei que devia registrar.

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