- Gostei muito da aula, acho que vou voltar semana que vem sim.
- Legal. E como está sua situação, você namora?
- Normalmente sim, mas agora não.
- Porque eu estou precisando de uma namorada.
- E pensou em mim?
- Sim. Topa?
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7.28.2010
7.26.2010
7.08.2010
Niilismo anti-autoanalítico
Sabe aqueles monolitos grandões e dispostos circularmente num gramadinho cercado lá na Inglaterra? Pois é, mentiram quando disseram que Stonehenge, um dos maiores mistérios atuais da humanidade, tem ligações com algum tipo de religiosidade, e afins.
Na verdade, trata-se de uma instalação executada por um jocoso estudante da Escola de Belas Artes, formando do ano de 2092, um riquinho filho de embaixadores e, portanto, primeiro estudante de Arte a ter acesso a uma máquina de teletransporte.
Voltou pra a pré-história para gozar com a nossa cara. Difícil foi recrutar aquele monte de chimpanzés proto-humanos para construírem as carroças que carregariam aqueles pedregulhos. Mas para estudante de Arte não tem tempo feio, feia mesmo é a cara da professora quando no dia da entrega ele aparece com uma despeitada roda de bicicleta enfiada num vaso sanitário e diz que é uma releitura de Duchamp chamada "Dadá essa merda", idéia que ele teve naquela mesma manhã, mas nem vou comentar aonde.
E agora a gente fica com cara de trouxa, olhando pr'aquelas coisas sempre querendo achar algum sentido maior. Ah, cansei de pensar no sentido das coisas, vou me abestalhar, viu?
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Na verdade, trata-se de uma instalação executada por um jocoso estudante da Escola de Belas Artes, formando do ano de 2092, um riquinho filho de embaixadores e, portanto, primeiro estudante de Arte a ter acesso a uma máquina de teletransporte.
Voltou pra a pré-história para gozar com a nossa cara. Difícil foi recrutar aquele monte de chimpanzés proto-humanos para construírem as carroças que carregariam aqueles pedregulhos. Mas para estudante de Arte não tem tempo feio, feia mesmo é a cara da professora quando no dia da entrega ele aparece com uma despeitada roda de bicicleta enfiada num vaso sanitário e diz que é uma releitura de Duchamp chamada "Dadá essa merda", idéia que ele teve naquela mesma manhã, mas nem vou comentar aonde.
E agora a gente fica com cara de trouxa, olhando pr'aquelas coisas sempre querendo achar algum sentido maior. Ah, cansei de pensar no sentido das coisas, vou me abestalhar, viu?
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6.27.2010
Sobre apostas, crendices e o imponderável
Dor na alma, sobre a mesa um vidro de veneno de rato e uma garrafa de vinho velho, pela metade. Mistura certa para algo dar errado. Levanta-se, vai na estante e pega um par de dados. Mistura-os, apraze-se com o som que o vértice de um dos cubos faz quando vence a resistência da face do outro. Pode ser o som da da condenação ou da redenção, mas não sabe bem o que desejar. Joga-os já sabendo o que cada resultado quer significar. Dois e seis - sorri, a vida volta a fazer sentido.
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6.26.2010
6.19.2010
sobre o efeito
... explicou que quando uma bola com a superfície relativamente uniforme atravessa o ar sem muito giro, as pequenas imperfeições das costuras produzem um fluxo assimétrico que gera forças laterais que levam a bola de repente para um lado ou fazem com que suba e desça repentinamente. De acordo com ele, a Jabulani tende "pegar" mais efeito a partir de velocidades entre 72 km/h e 80 km/h, contra apenas 48 km/h das antigas bolas com os tradicionais 32 gomos. Além disso, lembrou o cientista, muitos dos estádios onde estão sendo disputados os jogos estão bem acima do nível do mar. Com a densidade do ar menor, sua aerodinâmica é ainda mais afetada, com a bola viajando mais rápido e se desviando menos.
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5.15.2010
5.05.2010
Dos importantes motivos pelos quais apoiamos nossos times
- Titi, para que time você torce?
- Botafogo, e você?
- Eu também.
- Mas por que?
- Por sua causa. E você, é Botafogo por que?
- Ah, tinha que ser algum, né.
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- Botafogo, e você?
- Eu também.
- Mas por que?
- Por sua causa. E você, é Botafogo por que?
- Ah, tinha que ser algum, né.
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4.23.2010
Sobre pragmatismo e relacionamentos
- Oi, gostei de você.
- Oi. Também curti. Nao vejo a hora de ter meus sentimentos feridos por você.
- Prometo fazer o meu pior.
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- Oi. Também curti. Nao vejo a hora de ter meus sentimentos feridos por você.
- Prometo fazer o meu pior.
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4.19.2010
Matatempo
A. diz:
to ouvindo Roberto Carlos.. Detalhes. Voltou?
Lo diz:
E eu tou stuck at the airport till 2am. Não.
A. diz:
Que coisa. Porquai?
Lo diz:
Me propuseram um esticamento e puxa dos silviços pra vitoria, ES partindo do RJ amanha e voltando amanha mesmo. Chego no aeroporto e descubro q por alguma confusão, cancelaram minha volta pro Rio. Aí a melhor opção era partir daqui para Vitória e chegar lá amanha de manhã e voltar pro Rio de lá, amanhã.
A. diz:
"Tudo vai mal.... tuuuuudoooo". Que confusão. Não entendi nada. Vem pra sampa que é mais fácil!
Lo diz:
Conclusão: presa num aeroporto frio e impessoal na magnífica Paraíba, à espera de um vôo que me levará, após sete horas, ao estado mais ignorado da federação
A. diz:
ES? duvido, ainda acho que é o Acre.
Lo diz:
Na verdade eu acho que mesmo que é o Piauí, mas como há correntes que defendem que é o Espírito Santo, aproveitei para fazer a piada.
A. diz:
Piauí tá na moda. E como o cara mais genial que conheci até hj na vida, é de Vitória.. prezo pelo futuro deste Estado.
Lo diz:
Qui est?
A. diz:
Um cara que fez faculdade comigo.
Lo diz:
Ah, filósofo? Achei que fosse famoso, hahaha
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to ouvindo Roberto Carlos.. Detalhes. Voltou?
Lo diz:
E eu tou stuck at the airport till 2am. Não.
A. diz:
Que coisa. Porquai?
Lo diz:
Me propuseram um esticamento e puxa dos silviços pra vitoria, ES partindo do RJ amanha e voltando amanha mesmo. Chego no aeroporto e descubro q por alguma confusão, cancelaram minha volta pro Rio. Aí a melhor opção era partir daqui para Vitória e chegar lá amanha de manhã e voltar pro Rio de lá, amanhã.
A. diz:
"Tudo vai mal.... tuuuuudoooo". Que confusão. Não entendi nada. Vem pra sampa que é mais fácil!
Lo diz:
Conclusão: presa num aeroporto frio e impessoal na magnífica Paraíba, à espera de um vôo que me levará, após sete horas, ao estado mais ignorado da federação
A. diz:
ES? duvido, ainda acho que é o Acre.
Lo diz:
Na verdade eu acho que mesmo que é o Piauí, mas como há correntes que defendem que é o Espírito Santo, aproveitei para fazer a piada.
A. diz:
Piauí tá na moda. E como o cara mais genial que conheci até hj na vida, é de Vitória.. prezo pelo futuro deste Estado.
Lo diz:
Qui est?
A. diz:
Um cara que fez faculdade comigo.
Lo diz:
Ah, filósofo? Achei que fosse famoso, hahaha
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4.14.2010
Acordei desconfiando do que li
Jornalismo é uma arma inacreditável. Manchete do globo online hj é terremoto na China. OK, vc pensa, o mundo está acabando. Houve desastre no Chile, Haiti e o temporal no RJ. Mas quer saber? Acho que isso é apenas um zeitgeist jornalístico, tentativa de criar realidade em cima de fatos que ocorreriam sem destaque na mídia.
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4.13.2010
Teorias da conspiração
Ai, meus hormônios: sofri uma invasão de certezas inquestionáveis e subitamente sinto medo da verdade.
Ui.
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Ui.
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4.08.2010
Repente
De repente as poesias mequetrefes que eu estava arriscando secaram, assim como as profundas teorias de vida que eu tinha. De repente, viver ficou mais importante do que escrever aqui. Aconteceu assim, de repente.
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3.26.2010
Para ouvir em dias inspirados
This is just a little samba,
Built upon a single note
Other notes are bound to follow,
But the root is still that note
Now this new one is the consequence,
Of the one we've just been through
As i'm bound to be the unavoidable consequence of you
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Built upon a single note
Other notes are bound to follow,
But the root is still that note
Now this new one is the consequence,
Of the one we've just been through
As i'm bound to be the unavoidable consequence of you
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3.19.2010
Metáfora do pijaminha e demais testes de laboratório
Esqueceu o pijaminha na casa dele e ele retornou. Isso deflagrou um rompante violento de incredulidade. Interpretou como se, dado o recado, a resposta fosse um não. Na verdade, a angústia girava em torno do compromisso e da entrega do outro, acreditava que ele demonstrasse manter distância, ao menos era o que ela sentia.
Tentou a coisa do pijama uma, duas vezes, sempre obtendo a mesma reação. Somou aos resultados de outros testes de comportamento. Colocou-o numa gaiola, aplicou questionários não declarados, observava atenta enquanto o ratinho de laboratório girava a roda, contava os segundos que ele levava até descobrir o queijo, a quantidade de vezes que bebia água e fazia suas necessidades. Observou, anotou, examinou, avaliou... Concluiu por encerrar os testes e o namoro.
Se se arrepende? Desde que abriu a porta da gaiola, o ratinho segue a mesma rotina, gira a roda, demora a buscar o queijo, bebe água e defeca, sem nem atentar para a porta aberta, muito menos para a presença dela. Não, não se arrepende, mas admite que às vezes sente falta do tempo em que acreditou que os testes teriam um resultado mais positivo.
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Tentou a coisa do pijama uma, duas vezes, sempre obtendo a mesma reação. Somou aos resultados de outros testes de comportamento. Colocou-o numa gaiola, aplicou questionários não declarados, observava atenta enquanto o ratinho de laboratório girava a roda, contava os segundos que ele levava até descobrir o queijo, a quantidade de vezes que bebia água e fazia suas necessidades. Observou, anotou, examinou, avaliou... Concluiu por encerrar os testes e o namoro.
Se se arrepende? Desde que abriu a porta da gaiola, o ratinho segue a mesma rotina, gira a roda, demora a buscar o queijo, bebe água e defeca, sem nem atentar para a porta aberta, muito menos para a presença dela. Não, não se arrepende, mas admite que às vezes sente falta do tempo em que acreditou que os testes teriam um resultado mais positivo.
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3.16.2010
Sobre traição
Em primeiro lugar, nunca esperamos por isso. Por natureza, traição é aquilo que não se espera. Não precisa ser algo profundo, ou grave. Basta que alguém tome uma atitude à revelia da sua posição a respeito e nem ao menos comunicar.
O que torna as coisas ainda mais graves é que parte-se do princípio que se lhe fosse dada a chance de participar, vc poderia chegar a uma situação que não impediria o lucro alheio. Enfim, traição é quando alguém lucra sobre você ou sem você ou ainda apesar de você e não lhe avisa antes.
É que de repente eu sinto esse sentimento rondando...
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O que torna as coisas ainda mais graves é que parte-se do princípio que se lhe fosse dada a chance de participar, vc poderia chegar a uma situação que não impediria o lucro alheio. Enfim, traição é quando alguém lucra sobre você ou sem você ou ainda apesar de você e não lhe avisa antes.
É que de repente eu sinto esse sentimento rondando...
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3.09.2010
2.21.2010
Princípios da termodinâmica
Gosto disso. Princípios naturais aplicados ao comportamento. Piadinha, claro.
Zero: Você tem que entrar no jogo
Um: Você não consegue ganhar
Dois: Você não consegue empatar
Três: Você não consegue parar de jogar
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Zero: Você tem que entrar no jogo
Um: Você não consegue ganhar
Dois: Você não consegue empatar
Três: Você não consegue parar de jogar
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2.10.2010
Síndrome de professorinha
Por que eu vou sempre me sentir frustrada por não ter conseguido ensinar a todos que amei, que para ser feliz, não precisa de tanto dinheiro, de tanta ambição, de tanto status e de tanta inquietação, atrás sabe-se lá de quê?
Talvez porque eu seja boba de achar que isso se aprende na "escola"?
Talvez porque eu seja boba de achar que eu tenha "a minha escola"?
Talvez porque eu seja boba de achar que as pessoas aprendem?
É, talvez eu seja boba.
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Talvez porque eu seja boba de achar que isso se aprende na "escola"?
Talvez porque eu seja boba de achar que eu tenha "a minha escola"?
Talvez porque eu seja boba de achar que as pessoas aprendem?
É, talvez eu seja boba.
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2.03.2010
Dos romances policiais e de como eles me cativam
Sempre adorei romances policiais. Por anos, entregava-me ao prazer solitário da leitura das instigantes e cinzentas histórias de detetives. Seus hábitos secos me enervavam: um brandy às 11 da manhã e eu que mal sabia o que brandy era, ficava com água na boca. A maneira como evitavam a violência contra um inimigo truculento me deslumbrava. Mas nada se compara ao maior poder daquele ser imbatível - a sagacidade.
Antes de colecionar títulos de Simenons, adorar Maigrets e aquela Paris tão apetitosa quanto criminosa, eu lembro de ter devorado uma coleção infantil que alugava na biblioteca da escola. Do João Carlos Marinho, lembro que tinha "O gênio do crime", "Berenice detetive", "O caneco de prata"... o resto não me lembro porque fazem pelo menos 15 anos, mas eram policiais para criança.
Sempre me diziam que romance policial era Agatha Christie, e Agatha Christie era romance policial. Durante os Simenons, tentei "O misterioso caso de Styles", primeiro dela e minha primeira tentativa. Não deu. Quem se rende ao charme austero e elegância silenciosa daquele francês sério não cede tão fácil às esquisitices espalhafatosas e meio histéricas do baixinho belga naturalizado inglês por opção. Não dá, muito falível. Tão falível quanto os enredos super elaborados e super inverossímeis da... como é que chamam aquela velhinha fofa...? Rainha do crime!
Sim, porque especular um livro inteiro sobre quem teria assassinado um pobre coisado num trem e no fim descobrir (spoileeeeeeeers) que foram todos os passageiros que o mataram, cada um com uma punhalada - sujeito bem quisto esse - é uma especulação vã. No fim, vc nem tentava mais imaginar o fim de história, ou melhor, até tentava, pq eram fins tão inacreditáveis que era só vc criar umas 3 possibilidades absurdas que já estava participando ativamente da leitura do livro, perfeitamente como um romance policial deve ser lido.
Então peguei o jeito dela. Li muito os Poirots e as miss Marples da vida. Li nervosa e avidamente. Comprava pilhas em sebos, aprendi a ler melhor em inglês e forcei a barra no francês para poder ler títulos que não encontrava em português. Entrei para um grupo de discussão sobre Agatha Christie na internet. Colecionava livros e trocava idéias com pessoas que tinham a mesma esquisitice que eu, essa tara por romances policiais.
Sei lá como foi que parei. Acho que durante a faculdade, a necessidade de ler sobr esgoto e concreto armado inibiu minha fantasia. Não parei de ler, mas já tinha lido praticamente tudo da velhinha evil e não achei uma coleção à altura. Me recusava a ler Poe, deve ser preconceito, mas o pouco que tentei, achei-o sanguinolento demais e meus métodos eram mais... psicológicos. O Sherlock Holmes eu jogava no mesmo pacote. Nem mesmo o sir na frente de Conan Doyle me intrigava o suficiente para que eu experimentasse esse inglês de charuto e chapéu engraçado.
O Rubem Fonseca às vezes funcionava. Tem uns romances policiais bem apetitosos, que não ofuscam as suas outras qualidades. Mas não é o mesmo tipo de romance policial, o Mandrake e outros detetives dele são uma delícia porque são malandros, errados, sujos e fortes, mas um tanto canastrões, como quase todo herói brasileiro.
Um dia caiu nas minhas mãos um Luiz Alfredo Garcia-Rosa. Gostei. Seco e ambientado em Copacabana, Princesinha do mar e minha região afetivo-geográfica. Mas só li esse. Anotar: comprar mais.
Então, tudo isso para dizer que eu me apego aos detetives e investigadores dessas histórias policiais alucinantes. E sou fiel a seus métodos até que algum acidente desvie meu rumo. Hoje a culpa foi do Guy Ritchie que conseguiu tornar o Sherlock muito mais interessante e muito mais meu tipo do que aquele old man, duro e sem graça que eu tanto desprezava. Acho que vem pela frente um mote, um novo tema de leitura. Acho que caí de amores, indeed.
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Antes de colecionar títulos de Simenons, adorar Maigrets e aquela Paris tão apetitosa quanto criminosa, eu lembro de ter devorado uma coleção infantil que alugava na biblioteca da escola. Do João Carlos Marinho, lembro que tinha "O gênio do crime", "Berenice detetive", "O caneco de prata"... o resto não me lembro porque fazem pelo menos 15 anos, mas eram policiais para criança.
Sempre me diziam que romance policial era Agatha Christie, e Agatha Christie era romance policial. Durante os Simenons, tentei "O misterioso caso de Styles", primeiro dela e minha primeira tentativa. Não deu. Quem se rende ao charme austero e elegância silenciosa daquele francês sério não cede tão fácil às esquisitices espalhafatosas e meio histéricas do baixinho belga naturalizado inglês por opção. Não dá, muito falível. Tão falível quanto os enredos super elaborados e super inverossímeis da... como é que chamam aquela velhinha fofa...? Rainha do crime!
Sim, porque especular um livro inteiro sobre quem teria assassinado um pobre coisado num trem e no fim descobrir (spoileeeeeeeers) que foram todos os passageiros que o mataram, cada um com uma punhalada - sujeito bem quisto esse - é uma especulação vã. No fim, vc nem tentava mais imaginar o fim de história, ou melhor, até tentava, pq eram fins tão inacreditáveis que era só vc criar umas 3 possibilidades absurdas que já estava participando ativamente da leitura do livro, perfeitamente como um romance policial deve ser lido.
Então peguei o jeito dela. Li muito os Poirots e as miss Marples da vida. Li nervosa e avidamente. Comprava pilhas em sebos, aprendi a ler melhor em inglês e forcei a barra no francês para poder ler títulos que não encontrava em português. Entrei para um grupo de discussão sobre Agatha Christie na internet. Colecionava livros e trocava idéias com pessoas que tinham a mesma esquisitice que eu, essa tara por romances policiais.
Sei lá como foi que parei. Acho que durante a faculdade, a necessidade de ler sobr esgoto e concreto armado inibiu minha fantasia. Não parei de ler, mas já tinha lido praticamente tudo da velhinha evil e não achei uma coleção à altura. Me recusava a ler Poe, deve ser preconceito, mas o pouco que tentei, achei-o sanguinolento demais e meus métodos eram mais... psicológicos. O Sherlock Holmes eu jogava no mesmo pacote. Nem mesmo o sir na frente de Conan Doyle me intrigava o suficiente para que eu experimentasse esse inglês de charuto e chapéu engraçado.
O Rubem Fonseca às vezes funcionava. Tem uns romances policiais bem apetitosos, que não ofuscam as suas outras qualidades. Mas não é o mesmo tipo de romance policial, o Mandrake e outros detetives dele são uma delícia porque são malandros, errados, sujos e fortes, mas um tanto canastrões, como quase todo herói brasileiro.
Um dia caiu nas minhas mãos um Luiz Alfredo Garcia-Rosa. Gostei. Seco e ambientado em Copacabana, Princesinha do mar e minha região afetivo-geográfica. Mas só li esse. Anotar: comprar mais.
Então, tudo isso para dizer que eu me apego aos detetives e investigadores dessas histórias policiais alucinantes. E sou fiel a seus métodos até que algum acidente desvie meu rumo. Hoje a culpa foi do Guy Ritchie que conseguiu tornar o Sherlock muito mais interessante e muito mais meu tipo do que aquele old man, duro e sem graça que eu tanto desprezava. Acho que vem pela frente um mote, um novo tema de leitura. Acho que caí de amores, indeed.
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