1.28.2010

Na vida como pipocas

Será que a vida é como um saco rosa de pipocas doces, para se comer uma saborosa e crocante é necessário encarar sete murchas, duras e/ou amargas?


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1.25.2010

Paulo Mendes da Rocha

O senhor morou no edifício Copan? Como foi essa experiência?

Morei bem mais tarde. Se você quer continuar nesse tom de crônica da cidade, morar no Copan foi uma maravilha, como usuário. Porque lá você põe uma sandália qualquer, veste por cima do pijama uma capa de chuva e vai comprar jornal na avenida São Luís, no domingo, numa boa. Fiquei muito amigo de uma figura extraordinária, um espanhol que tomava conta de toda a parte de comida do Hilton [hotel hoje desativado, situado vizinho ao Copan]. Eu tinha um arreglo com ele: atravessava a rua, aos sábados e domingos, ia para a sauna e para a piscina do Hilton. Nadava e ficava por lá, de frente para o meu apartamento, que estava na mesma cota. Tomava meu gim tônica e depois ia para casa almoçar. Uma vez recebi em São Paulo um primo que não sabia onde eu estava morando. Ele veio jantar comigo. Convidei-o para tomar um aperitivo no bar do Hilton. Ficamos ali bebendo e, lá pelas tantas, o barman - que estava de frente para o meu apartamento - me avisou: “Olhe, já estão chamando para o jantar”. Tomamos o último gole, chamei meu primo, atravessamos a rua e fomos jantar, e então ele conheceu a minha casa. Havia um sinal combinado entre mim, a cozinheira e o barman, um contínuo piscar de luzes, que anunciava que a comida estava pronta. Morar na cidade é desfrutar de tudo isso.

(http://www.arcoweb.com.br/entrevista/paulo-mendes-da-rocha-agora-posso-11-07-2006.html)


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1.20.2010

Sugestão para uma cidade invisível

Se fosse possível imaginar como seria a vida sob circunstâncias completamente diferentes das que determinam os padrões atuais, eu bem que gostaria de imaginar... Mas, imaginação tem limites e eu definitivamente não tenho a capacidade do Italo Calvino, pois gostaria de descrever a cidade que nunca conheceu o elevador.


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1.11.2010


Ê vidão...



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12.18.2009

Mau humor

O pedreiro, que na verdade é porteiro, fez um monte de sujeira e me cobrou pelo devido e pelo indevido. Niguém para terminar seu serviço. Copacabana está super movimentada. Barulhenta mesmo. Ainda mais sem as portas da varanda. Estou dormindo na Nossa Senhora de Copacabana. Ou melhor, não estou dormindo na Nossa Senhora de Copacabana. Uma orquestra de músicos peruanos veio se instalar nas imediações. O repertório está cheio de cantigas natalinas. Passo na banca e me deparo com os peitos da Flávia Alessandra, que cá entre nós, todo mundo já conhece até do avesso...


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12.07.2009

Pra fechar a festa

All for freedom and for pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world


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12.02.2009

Virgem - de 23/08 a 22/09 - regente: Mercúrio

Se surgir uma saudade dos velhos tempos, talvez seja bom lembrar que antigamente não tinha antibiótico, anestésico; a falta de higiene matava. Havia menos gente, mas a maioria sempre muito pobre e os poderosos mais abusados. Os podres de ontem não eram melhores que os de hoje.




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11.28.2009

A vaca atolada e o barreado

A vaca atolada é um prato típico da comida caipira mineira. O barreado, apesar de ter o mesmo ingrediente principal, a carne de boi, é paranaense de ascendência açoriana.

Conta a lenda que o gado encalhado ao longo do caminho de terra alagado rumo às Minas Gerais influenciou o batismo do prato, que consistia em uma carne de costela banhada na gordura com fins de conservação. Cozida por por menos de 2 horas e acompanhada de mandioca, era a fonte de energia dos tropeiros. Também há outra lenda de que date do tempo dos escravos, que quando uma vaca encalhava em um atoleiro, era sacrificada e ia para a panela.

O barreado deve seu nome à panela de barro em que é cozida. A carne, que deve ser uma peça fibrosa tipo músculo ou coxão mole, é cozida sem osso, sem gordura e com condimentos na panela de barro, coberta com folhas de bananeira e vedada com uma argamassa de farinha de mandioca e água para que o vapor não escape. Deve cozinhar em fogo baixo por não menos do que 12 horas. É servido com farinha de mandioca e banana. Alguns registros dizem ter tradição de 200 anos. Outros, 300. Há certas informações de que antigamente, para vedar, preparava-se dentro da panela enfiada num buraco de terra, daí o barro.

Hoje em dia, ambas vão bem servidas com uma cachacinha.

Regionalismos, comidas típicas, lendas... Seja como for, neste fim de semana tenho expectativas de alta culinária e boa companhia!


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11.26.2009

Isso aqui tá perdendo seu objeto...


Eu própria estou tão desfocada...


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11.18.2009

tchitchtchu

A vida é linda. Amanhã eu apago isso.

11.02.2009

A presença de Monica

Monica, que já às vezes vinha me visitar, gostou tanto daqui que alugou um apartamento. Está em fase de testes, disposta a transferir contas de consumo, título eleitoral e até, quem sabe, adquirir um aquário de peixes, pois Monica não é o tipo que tem um cão.

Estabeleceu residência fixa em um quarto-e-sala discreto, silêncioso, e só sai de casa em dias especiais, sempre de batom vermelho. Na última vez que saiu, causou um furacão na minha vida.

Eu, que sempre apreciei sua aparição, estou tendo que me adaptar à sua presença constante e às suas investidas para me converter por completo. Afinal, de que me valeria resistir?


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10.30.2009

Pílulas de sabedoria travecóides

"Só existem dois tipos de pessoa: os que vieram aqui porque se perderam e os que já me acharam."

(adaptado da fala de Maria Bakker, portuguesa, self-filósofa reclusa e glamourosa personagem traveca de Morrer como um homem)


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10.25.2009

Sobre âncoras e experiências religiosas

(Warning: this quote may contain too much fantasizing, much more than acceptable)

O Japão sempre foi pra mim a personificação da distância. E a distância tem um quê de libertador.

Explico-me.

Aqui eu sou Eu. Esse Eu que construí nos últimos quase 30 anos. Esse Eu que tem uma família, um círculo de amigos, uma conduta irreparável, ou quase, hehe. E viver aqui é certamente muito bom, faço coisas legais, conheço pessoas e lugares legais... mas estou sempre presa dentro do meu próprio corpo e das experiências que já dizem respeito a essa pessoa que eu já sou.

Imagino andar por Tokyo e ver todas aquelas cenas que vemos em filmes. E conhecer aquelas cidades em que a paz e a religião moram naqueles templos cuja arquitetura nos é tão exótica. E entender como essa gente pôde edificar sua cidade e sua vida baseados em crenças às quais não partilhamos, e conhecer uma gente para quem toda a história do mundo ocidental não determina toda a sua arquitetura e nem mesmo a construção de seu caráter. Gosto de tentar entender a relação dos japoneses com os animais, longe dessa nossa visão ultrapredadora, como eles parecem lidar com eles desse jeito ingênuo. Queria assistir um kabuki e entender qual a graça, porque homem vestido de mulher pra mim só faz sentido numa comédia ou num carnaval...

Tenho a impressão de que no Japão as experiências seriam tão novas e incríveis que diante delas eu decididamente não poderia reagir como a mesma pessoa, e isso faria de mim alguém novo, e me libertaria dos limites do meu corpo. Quase uma experiência religiosa mesmo. É, é isso. É difícil desamarrar a âncora, mas de agora em diante acho que quero experiências religiosas...


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10.24.2009

To be or not to be: algumas questões primordiais da existência humana

Por que é tão difícil ter certeza sobre coisas que parecem tão dignas de certeza, e ao mesmo tempo, temos tanta certeza de coisas que se mostram tão erradas? A vida será mesmo uma coisa complexa movida por cheiros e sorrisos? Terá realmente a vodca a capacidade de alterar a química da vida?


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10.21.2009

Rá. Agora ninguém me segura!


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10.20.2009

Falta de respeito nível micro

Vai, popozuda...

Fulano ouvindo o rádio no celular no metrô, musica baixaria no volume máximo. Ei, eu não sou obrigada a ouvir a sua música em meios públicos! Independente da eventual qualidade ou não do meu gosto musical, ninguém é obrigado a gostar das minhas músicas! Será que o mau gosto proud não notou isso?

Pareço uma velha antiquada quando reclamo da vida e dos costumes. Mas ressoa na minha mente a velha sentença (de morte?) "é por isso que o Brasil não vai pra frente". Dá pra ter esperança quando vc percebe que a falta de educação e respeito começam no nível micro?



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10.18.2009

Sunny


Nada como uma boa praia para desanuviar o pensamento, destravar trabalho encrencado, curar ressaca e trazer a pessoa amada em sete dias. Só o sol salva!


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Eu quero ir embora

Vizinhos tarados, turistas sujos, falta de garagem, sujeira, gente mal educada... nada disso me fez querer sair de Copacabana. Mas hoje, ao chegar em casa, ser atacada por 4 baratas me deixou muito preocupada sobre minha permanência no bairro... Não sei mais o quanto aguento e não sei se vou dormir tranquila...


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10.16.2009

Random feelings

Quando eu nasci, veio um anjo torto me dizer "vá Loana, vá ser gauche na vida...". Brincadeiras à parte, conta a minha mãe que não teve dilatação o suficiente quando eu estava para vir ao mundo e que por conta disso, eu fiquei dando com o côco nas entranhas dela até que resolveram me tirar via cesariana. O susto foi que eu nasci com um galo roxo no meio da cabeleira vermelha (é, nasci ruiva natural, vá lá entender essa biologia). Costumo me perguntar se esse ncidente não determinou a maneira como me relaciono com o mundo.

O fato é que não entendo como, às vezes não entendo nada desse mundo. Não sou afeita a crendices que garantam a boa sorte, me choquei quando soube que devem-se guardar os restos do bolo de casamento no freezer por um ano para ser comido no primeiro aniversário de casamento para garantir a felicidade conjugal. Pensei logo nos noivos vetando a satisfação gorda dos convidados ao perceberem que estes avançavam na sua parcela de alegria eterna. O próprio casamento às vezes me é tão estranho... esses costumes... para mim, a união é obviamente importante, e festas devem ser celebradas sim, para qualquer evento feliz. Mas a festa de casamento, nos moldes das festas de casamento que tanto frequentamos... tem tanto costume bárbaro...

Enfim, mas não é só por isso que fico tentando entender porque eu não pertenço a esse mundo. Eu acabo de aderir ao movimento "the lying down game". E estou muito empolgada para bater a minha foto lying down hoje a noite, na celebração de mais uma noite feliz. Isso sim, pra mim, faz sentido: a celebração da ausência quase absoluta de sentido nessa vida.

Afinal de contas, como acreditar que a vida faz sentido, se, à espera de um milagre, o milagre parece acontecer a 2 metros do meu portão? Não, não estou descrente. Só acho que a vida não faz mesmo sentido, como diria meu amigo Ferfer, São Randão age por nós para que não precisemos dar um sentido absurdo aos nossos atos. Amém.

É por isso que hoje vou tirar minha foto lying down. E ser feliz. E celebrar a insensatez da vida.


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